terça-feira, 6 de novembro de 2012

Espiritismo e seus dissidentes

Existem vários espiritismos?

Todo mundo diz que segue Allan Kardec, que a sua diretriz é a Obra Básica que nos foi trazida através de Kardec, porém, assim como existem os protestantes em diversas ramificações, existem também os espíritas em várias vertentes, cada um se achando o dono exclusivo da verdade e querendo que a sua visão prevaleça.

Eu mesmo já cometi, várias vezes, o equívoco de afirmar, em matérias minhas, sobretudo quando dirigidas à imprensa quando escreve alguma coisa ligada ao Espiritismo, que a nossa doutrina é uma só, que não existe “Espiritismo do sétimo dia”, “Espiritismo adventista” e nem espiritismo A, B, C ou D. Cheguei, inclusive, a criar caso quando alguém tenta vincular Umbanda com Espiritismo, teimando em afirmar que o Espiritismo é único e é indivisível.

Mas não é verdade. De fato a obra básica espírita é uma só, assim como o Evangelho de Jesus é também um só, mas...

Do mesmo jeito que os protestantes fracionaram o protestantismo, fazendo igrejas a bel prazer de cada um, os espíritas também fracionaram o Espiritismo, criando centros conforme as cabeças de cada um.

Vamos tentar, então, relacionar diversos tipos de espiritismos que você vai perceber que de fato existe.

Espíritas Igrejeiros 

São aqueles que vêem o Espiritismo apenas como uma religião, nada mais do que religião e somente religião. As suas práticas se constituem apenas em palestras, preces, passe e água magnetizada. Mesmo assim, as palestras, invariavelmente, têm sempre temas como “parábola do semeador”,“parábola da figueira”, “visita de Jesus a Zaqueu”... e temas outros com esse tom. Tem que ser com cara de igreja mesmo. Sempre trazem, na parede, a inscrição “O silêncio é uma prece”. O que mais se ouve? “Psiu!”, “Fale baixo”...

O espírita igrejeiro, geralmente, para justificar o seu desconhecimento nos outros aspectos da doutrina, qualifica as outras pessoas que falam sobre diversos temas no centro, como “cientificistas” e que querem tirar Jesus do Espiritismo.

Por não poderem acompanhar a proposta de Kardec, quanto a pesquisa, a observação e o acompanhamento dos avanços da Ciência, postam-se apenas rezando, rezando e rezando porque entendem o Espiritismo como uma doutrina de rezação.

Espíritas do “me disseram” 

O espírita tipo “me disseram” é aquele que toma decisões e tira conclusões com base no “me disseram”.

Ele proíbe livros porque “me disseram que este livro não é bom”, proíbe expositores porque “me disseram que ele não é bom e que é polêmico”, condena a CEPA porque “me disseram que ela quer tirar Jesus do Espiritismo”... E assim vai, em absoluta ausência de racionalidade, de justiça e de bom senso, decidindo com base no “me disseram”.

Mas... Você procurou verificar com os seus próprios olhos, analisando com a sua própria inteligência (se é que tem), o livro, o autor ou o expositor?

– “Ah, vamos deixar este assunto pra lá, vamos evitar polêmicas, evitar confusão, porque isto não constrói nada.”

Sempre sai pela tangente, porque não tem estrutura para levar questionamento nenhum em frente e nem consegue vê alguém identificando a sua irresponsabilidade.

Espírita defensor e patrulhador da “pureza doutrinária”

Este é uma figura. Somente ele conhece a Doutrina, mais ninguém. Geralmente se comporta como se tivesse uma procuração, outorgada pelo próprio Allan Kardec, reconhecida em cartório, com amplos poderes para fiscalizar o que se faz, o que se diz e o que se escreve sobre o Espiritismo.

Nos pontos mais questionáveis da Doutrina, ele sempre acha que a sua interpretação é a única correta e que qualquer outro espírita é absolutamente analfabeto quanto à capacidade de interpretar. Ninguém mais tem condições de estudar e entender a doutrina, ninguém tem acesso às obras básicas e à Revista Espírita, ninguém tem capacidade de pesquisar, de experimentar e de observar nada, só ele.

Nunca aparece quando os verdadeiros detratores do Espiritismo surgem nos veículos de imprensa para caluniarem, denegrirem, distorcerem, mentirem e promoverem agressões contra a nossa doutrina, a exemplo dos padres Quevedo, Jonas Abib e milhares de pastores ditos evangélicos, mas sempre se apresentam como valentes, contundentes e verdadeiros gladiadores armados com todas as armas, quando é outro espírita que diz ou escreve alguma coisa que deixa alguma dúvida ou seja questionável, por mais que esse espírita seja uma pessoa digna, honrada, decente e com história das bons serviços prestados ao Espiritismo. É repugnante essa covardia, mas é o que acontece.

Geralmente, para se justificarem, utilizam-se as instruções que de fato existem na obra básica, sugerindo que os enganos e as fraudes, em nome do Espiritismo, devem ser desmascaradas. Só que se auto-consideram os arautos do conhecimento absoluto espírita, que são eles que devem desmascarar os outros e que enganos e fraudes são exatamente tudo aquilo que não se pratica exatamente conforme as SUAS interpretações pessoais da doutrina. Fora de mim, não há verdade.

Espírita da caridade esmola

Este resume a sua conduta espírita na ideia de dar sopa para pobre, distribuir farnéis e doar roupas velhas e imprestáveis, que ninguém quer mais usar, para os pobres. Na sua concepção, Caridade se resume a isto, visto que não consegue distinguir o que é Caridade e o que é esmola.

Não entende que a Caridade é para ser praticada para com todas as criaturas, independente de nível econômico, inclusive e principalmente a ricos perturbados espiritualmente.

Na sua cabeça, implicitamente, deve pairar a ideia de que fazendo isto estará muito bem com Jesus, numa boa com a Espiritualidade Superior e com garantia de espaço no Ministério da União Divina, do Nosso Lar.

Espírita Chiquista
Este vê o nosso querido Chico Xavier como São Chico Xavier. Chega até a dizer que o papel do Chico é mais importante que o de Kardec, embora o próprio Emmanuel tenha recomendado ao próprio Chico a ficar sempre com Kardec, caso surgisse alguma dúvida nos seus ensinamentos.

Os livros do Chico não são nem considerados como complemento às obras básicas e sim as próprias obras básicas. Para qualquer iniciante na doutrina, recomenda que leia o “Nosso Lar” e não “O que é o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos”.

Qualquer outro médium que pudesse surgir e adquirir alguma projeção nacional, necessariamente era considerado como concorrente do Chico e até plagiador do Chico, posto que o “nosso santo é único e inimitável”.

Neste segmento você vê muita gente querendo falar igual ao Chico, imitar a humildade do Chico (apenas imitar, não vivenciar) e fazer uma verdadeira idolatria ao venerando médium mineiro.

Espírita Franciscano

Estes querem dar um ar de Francisco de Assis ao Espiritismo, no sentido de querer condenar tudo o que é material. Condenam principalmente o dinheiro, porque vêem a moeda sempre como algo pecaminoso, obsessivo, proibitivo e passaporte para o inferno.

Embora, nas suas vidas particulares, não conseguem fazer nada sem dinheiro, não conseguem manter os seus lares sem dinheiro, não conseguem se alimentar, se vestir, se educar, se transportar... sem dinheiro, acham que o centro espírita pode fazer tudo sem dinheiro.

Qualquer evento ou iniciativa que uma instituição espírita venha a fazer, para angariar recursos para sustentar e manter sua obra, é qualificado como “industrialização dos eventos espíritas” ou só conseguem enxergar as iniciativas como pretensão de alguém querer “ficar rico, à custa da doutrina”.

Chegam a um nível de intolerância absurdo e não pensam duas vezes nem em atacar nomes considerados respeitáveis no Espiritismo e que possuem obras que não deixam dúvidas quanto às suas condutas morais.

O pior é que não conseguem apontar algum meio para os centros e instituições espíritas bancarem as suas obras. Sempre fogem do assunto quando perguntados sobre isto. Deveriam pelo menos ensinar algum milagrezinho para materializar recursos, não é verdade?

Espiritismo Febeano 

Este é discípulo da FEB e seguidor fervoroso das determinações das Federações Estaduais, USES e Casas Federativas.

Do mesmo jeito que católicos vêem as decisões do Vaticano como infalíveis, indiscutíveis e inquestionáveis, estes, também, vêem as decisões tomadas pelas diretorias das federações como infalíveis e sagradas.

Se anulam como criaturas inteligentes, que também tem cérebro para pensar e que possuem, também, as obras básicas e todo o ensinamento de Kardec para consultar e raciocinar.

Alguns chegam ao cúmulo de afirmar:

– “Eu sei que não está certo, sei que não é o melhor caminho, mas eu tenho que obedecer, porque não quero ser indisciplinado e quero evitar problemas”.

– “Mas você não é membro da diretoria da casa? não tem direito a falar nada e nem a ter opinião?”

– “Não me comprometa, eu prefiro ficar na minha, não me meta em confusão”.

No fundo está dizendo: “Eu não sou besta para colocar em risco o meu cargo na diretoria”.

A coisa funciona mais como um processo de ditadura: Discordou do regime? ponham pra fora.

Espiritismo Esotérico 

Este é aquele que permite tudo no seu centro espírita. Pelo fato da Cromoterapia ser algo bom (de fato é) ele acha que tem que implantar no centro espírita. Se alguém diz que é bom colocar uma pirâmide e deitar as pessoas embaixo, para tomar passe, ele coloca. Se alguém recomenda que as pessoas devem tirar os sapatos para entrar no centro, todos têm que tirar os sapatos. Mulher se senta de um lado e homem de outro, as palmas das mãos têm que ficar para cima, na hora de receber o passe, (o magnetismo do passe entra é pela palma da mão). Alguns acham que devem manter a Bíblia sobre a mesa, forrada com toalha branca, aberta no Salmo XXIII.

E assim vão inventando um monte de coisas que acham bonitinhas e adaptando à prática espírita.

Espírita cientificista 
Este existe também. É aquele que acha que o Evangelho não deve ser estudado no centro. Ele entra também num radicalismo, porque acha que, pelo fato do centro não dever ser igrejeiro, necessariamente não se deve estudar o Evangelho, o que não tem o menor sentido, posto que oaspecto moral da doutrina, cujo melhor modelo é o Evangelho, não pode e nem deve ser desprezado nunca. Falei em ASPECTO MORAL, o que não quer dizer que isto signifique fazer do espiritismo uma igreja.

O estudo moral da doutrina é algo que deve ser prioritário e levado muito a sério, em qualquer centro espírita, tenha ele a visão que tiver, principalmente com objetivos de fazer com que pessoas deixem de praticar tantos atos de imoralidade, embora sutis, inclusive em nosso meio.

Espírita Herculanista 
Do mesmo jeito que o Chiquista adota o Chico Xavier como São Chico, o Herculanista também vê o grande Herculano Pires como São Herculano. Nem a minha querida amiga Heloísa Pires, espírita notável pela sua racionalidade, vê o seu querido pai desta maneira, embora fale dele com carinho e o respeito que ele verdadeiramente merece, pelo que representa na história do Espiritismo.

Já ouvi um cidadão dizer, num bate papo na FEESP, que Herculano superou Kardec e todo mundo que estava em volta, no momento, concordou com ele.

Processaram a canonização, também, no velho pai da Heloísa.

Espírita de eventos 

É aquele que a gente só encontra nos eventos.

– “Oi, que bom te ver. Beijo no coração”. Adorei a palestra do Divaldo! Amei a palestra do Medrado! Maravilha aquela palestra do Raul! Que beleza o doutor Sérgio Felipe!

A coleção de crachás de eventos que deve ter em casa, deve ser enorme.

Espírita difamador

Este é aquele que, quando o seu centro não aceita um determinado palestrante e vê que outro centro aceita, faz de tudo para queimar o palestrante, ligando para o outro centro para falar mal dele, mandando e-mails difamando-o, tecendo comentários negativos sobre ele pra todo mundo, se empenhando com todo “amor”, toda “caridade” e com muita “fraternidade” para apagar a imagem da pessoa. Mas isto com muito “amor” mesmo e pela Doutrina! Sabe como é que é, né?

Não se percebe contaminado pelo terrível veneno da maledicência.

E ainda diz que está fazendo pela Doutrina.

Os mais perversos carrascos da inquisição também diziam que os seus assassinatos eram em nome do Cristo.

Espiritismo sabor velório

É aquele que faz do centro espírita um ambiente triste, sem alegria nenhuma, lúgubre e aquela coisa sem um pingo de graça.

Ninguém pode sorrir, não pode ter música, todo mundo tem que falar baixo, muito “psiu”, cuidado até com o pisar no chão, ninguém pode abraçar ninguém, principalmente homem a mulher, em nome do “respeito”, expositor que faz a platéia rir demais não é um expositor sério e deve ser evitado, as cores das roupas têm que ser sóbrias, a toalha da mesa tem que ser branca, os tons de vozes dos que falam tem que ser sempre na base do “Muita Paz, meu irmão”, ninguém pode aplaudir ninguém.

Jamais elogiam quem quer que seja, por mais meritório que seja o seu trabalho, porque a tal “seriedade” anula a educação, a elegância e os bons princípios humanos.

Nos dias de hoje nem nos velórios se vê mais esse tipo de clima, uma vez que muita gente já canta em velório, conta piada, toca violão, dão gargalhadas e até batem palmas para o defunto, na hora do sepultamento.

Espiritismo sem espíritos 

São aqueles que, sob a argumentação de que “a época dos fenômenos já passou”, continuam a ver o intercâmbio mediúnico como fenômeno, e daí passam a evitar as mediúnicas. Nunca, ou apenas raramente, se pratica reunião mediúnica na casa, mesmo assim com uma meia dúzia de participantes, apenas, em tempo reduzidíssimo, excessivamente formal, e, em maioria, apenas é permitida a comunicação de alguns espíritos sofredores. Os espíritos bons, amigos da casa, nem se dispõem a aparecer para conversar por causa do excesso de limitações, principalmente de tempo.

Quem quiser observar isto, na prática, pode observar que vai perceber exatamente isto que estou a dizer.

O interessante é você observar a cara dos que atuam como “doutrinadores” de espíritos sofredores. São de uma bondade impressionante.

Se falar em evocação de espíritos, então, é um “Deus nos acuda!”. Mesmo tendo o Allan Kardec feito isto, durante toda a sua vida de espírita, não há argumento que convença, porque a disposição de fazer Espiritismo sem espíritos é grande demais. É espiritismo sem espíritos e também sem Kardec.

Espiritismo conforme a cabeça do dono

Este é interessante. Tudo é feito, conforme o nível de conhecimento da pessoa que manda. Em outras palavras: o dono ou a dona do centro. É isto mesmo! em muitos centros espíritas tem a pessoa QUE MANDA. Seu Fulano o dona Fulana.

Se for um dirigente, cujos conhecimentos doutrinários não passam do hábito de abrir o Evangelho “ao acaso” (sempre no meio), ele faz de tudo para não permitir que vá falar naquela casa qualquer voz que venha a falar sobre aspectos mais aprofundados da doutrina, porque é algo que ele não conhece, o que lhe faz correr o risco dos frequentadores perceberem que ele não sabe nada e que tem muito mais gente que sabe muito mais do que ele.

Se um expositor, por exemplo, fizer uma exposição sobre algo da Revista Espírita, absolutamente coerente com Kardec, coisa que ele não conhece, obviamente, com certeza criará o maior problema, porque “fora da minha verdade não há salvação”.

Foi exatamente por este motivo que muitos condenaram e proibiram as obras do fantástico e extraordinário Dr. Hernani Guimarães Andrade, Dr. Henrique Rodrigues e de vários outros nomes maravilhosos da nossa história.

Muitas vezes no centro não tem nem livraria, para o frequentador não ler muito e ficar com seu conhecimento restrito ao que o DONO do centro diz.

Esse tipo de centro fica apavorado quando sabe que os seus frequentadores estão vendo canais de TV Espíritas, porque sabe que eles estão vendo novas ideias e exposições de espíritas bem mais preparados. Ele não quer expositores que tragam ideias mais profundas, sob a argumentação de que são polêmicos. Na realidade falta-lhe competência para discutir com aqueles os quais qualifica assim.

Se você se aprofundar bem nas averiguações, vai perceber porque muitos odeiam o elemento, ou os elementos, que inventou esse negócio de levar Espiritismo ao grande público pela televisão, com imagem e som entrando nas casas das pessoas, e também resolveu colocar revista espírita nas bancas de todo o Brasil, inclusive mostrando muitas bobagens que se praticam em nome do Espiritismo.

Enfim, são vários tipos de espiritismos que existem por aí, exatamente do mesmo jeito que existem as ramificações nas igrejas evangélicas.

Há também os espíritas inimigos

Inimigos da FEB, inimigos da CEPA, inimigos de Roustaing e de quem lê sua obra, inimigos de Pietro Ubaldi, inimigos de Ramatis, inimigos dos eventos espíritas, inimigos de Divaldo, inimigos de Medrado, inimigos de quem questiona, inimigos de quem não tem papas na língua, inimigos de quem propõe fazer um movimento espírita sem donos... Inimigos de tudo.


Mas tem também os espíritas autênticos

Aqueles que são sempre o que são, sem qualquer preocupação em teatralizar comportamentos para os outros verem. Que são alegres nos centros, do mesmo jeito que são em suas casas e em qualquer lugar. Sorriem, brincam, dão gargalhadas e jamais perdem o humor e o bom astral, só porque estão no centro. Não se importam se as pessoas se abracem e até se beijem nos centros, porque sabem que isto é gesto de carinho e não de desrespeito. Fala-se em tom de voz normal, no centro. Realizam as mediúnicas conversando naturalmente com os espíritos como pessoas normais, apenas sem os corpos físicos, e não como defuntos. Jamais condenam outros espíritas e nem pessoa alguma, mesmo se ela cometer algum equívoco. Jamais admitem qualquer tipo de censura, boicote, sabotagem ou qualquer ato bandido, em nome do Espiritismo.

Entendem que Caridade não é esmola e não se resume apenas em sopa pra pobre, devendo ser aplicada também e principalmente numa conversa dirigida mesmo a um rico que possa ter conduta equivocada, pensar em suicídio, em aborto e em outras práticas infelizes.

Jamais se acham donos da verdade, jamais saem a patrulhar o comportamento dos outros ou o que os outros dizem ou escrevem.

Jamais vivem a condenar as iniciativas para angariar recursos para a casa, porque não são espíritos que trazem complexos de altas picaretagens praticadas em encarnações passadas ou talvez nesta.

Respeitam os direitos de expressão e todos os outros direitos que o seu semelhante tem.

Não admitem conceber como inimigos aqueles que pensam em contrário.

Não se comportam, jamais, como donos do centro nem donos do Espiritismo.

Têm inteligência suficiente para entender que uma pessoa deve ser analisada pelo seu TODO e não apenas por detalhes, e que um histórico de décadas de trabalho de alguém, no Espiritismo, não pode ser apagado por um equívoco dito ou escrito.

Não são “oito ou oitenta”, radicais extremistas, e entendem que quando alguém está dando uma sugestão à casa ou até discordando de algum procedimento, não está necessariamente querendo bagunçar, praticar indisciplina e nem fazer o que quer dentro da instituição.

Jamais condenam uma obra inteira ou uma outra pessoa, por causa de uma ou outra citação que possa deixar dúvidas ou mesmo ser equivocada. A não ser que essa pessoa incite a prática de crimes, assassinatos, torturas, etc... Ao semelhante.

Exemplifica e vivencia o Espiritismo e não apenas vive a pregar teorias para OS OUTROS praticarem.

Se fala em perdão, na tribuna do seu centro, certamente deve ter a coerência de perdoar. Se fala em dignidade, honradez, decência e comportamento moral, não abre mão, jamais, de vivenciar tudo isto.

Que todos entendamos, então, qual o tipo de Espiritismo que queremos para nós.



Alamar Régis Carvalho



Fonte://redevisao.net/default.php?page=variosespiritismos

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Reencarnação para criança - Maurício de Souza


A reencarnação observada através dos personagens de maurício de Souza, a Turma da Mônica, sob um prisma bem humorado e verdadeiro.

UMBRAL


Em 1943, André Luiz, o médico que se tornou conhecido psicografando livros pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, trouxe a público o significado dado à palavra na colônia espiritual “Nosso Lar”, onde passou a viver alguns anos depois de seu desencarne.

Em seu livro também chamado “Nosso Lar”, ele conta como ouviu falar do Umbral pela primeira vez, quando o enfermeiro Lísias lhe dava as primeiras informações sobre a colônia e descreveu-o como região onde existe grande perturbação e sofrimento e para a qual a colônia dedicava atenção especial.

Desde então, a palavra Umbral, escrita com inicial maiúscula, como o fez André Luiz no livro “Nosso Lar”, tomou significado especial, principalmente entre os espíritas, designando a região espiritual imediata ao plano dos encarnados, para onde iriam e onde estariam todos os espíritos endividados, perturbados e desequilibrados depois da vida.Com esta conotação a palavra difundiu-se muito e transformou-se num quase sinônimo do Inferno e do Purgatório dos católicos, com localização geográfica, tamanho, etc., conceito este que o próprio Allan Kardec, codificador do Espiritismo, já havia desmistificado em suas obras, mais de 80 anos antes, especialmente em “O Livro dos Espíritos”.

Como vemos pelas respostas dos espíritos a Kardec, o inferno e o paraíso não passam de estados de espírito, condição moral de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos durante a vida encarnada e depois dela. E é bom lembrar que espíritos somos todos, encarnados e desencarnados, vivendo cada um o seu inferno e o seu paraíso particulares. O que nos diferencia dos espíritos desencarnados é apenas o fato de estarmos temporariamente presos a um corpo denso de carne. De resto, somos absolutamente iguais a eles, com desejos, opiniões, frustrações, alegrias, defeitos e qualidades.

Na verdade, a figura geográfica e espacial do inferno dos católicos serviu de molde aos espíritas para que melhor visualizassem o que seria o Umbral, assim como o inferno da Igreja Católica foi tomado emprestado e adaptado do inferno dos povos pagãos para compor os mitos de inferno e paraíso.Se não existe inferno ou purgatório porque haveria de existir o Umbral com localização, medidas, coordenadas, etc.?

Tudo o que existe no plano espiritual é criado pela mente dos espíritos encarnados e desencarnados. Sempre que pensamos nossa mente dispara um processo pelo qual somos capazes de moldar as energias mais sutis do universo, criando formas que correspondem exatamente àquilo que somos intimamente.

Extremamente apegados ao mundo material, nada mais natural que, mesmo estando fora dele, queiramos tê-lo novamente quando desencarnados. É aí que nossa mente entra em ação, criando tudo o que desejamos ardentemente. E várias mentes desejando a mesma coisa juntas têm muito mais força para criar.A grande diferença é que, no mundo físico, podemos embelezar artificialmente o nosso ambiente e a nossa aparência, enquanto que no plano astral isso não é possível, pois lá todos os nossos defeitos, mazelas, falhas, paixões, manias e vícios ficam expostos em nossa aura, exibindo claramente quem somos como consciências e não como personalidades encarnadas.

No Umbral, tudo o que está fora de nós é conseqüência do que está dentro. Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece é reflexo do que trazemos na consciência. Assim, o Umbral nada mais é que uma faixa de freqüência vibratória a que se ligam os espíritos desequilibrados, cujos interesses, desejos, pensamentos e sentimentos se afinizam.

É uma “região” energética onde os afins se encontram e vivem, onde podem dar vazão aos seus instintos, onde convivem com o que lhes é característico, para que um dia, cansados de tanto insistirem contra o fluxo de amor e luz do universo, entreguem-se aos espíritos em missão de resgate, que estão sempre por lá em trabalhos de assistência.Alguns autores descrevem o Umbral como uma seqüência de anéis que envolvem e interpenetram o planeta Terra, indo desde o seu núcleo de magma até várias camadas para fora de seus limites físicos.

O que acontece é que os espíritos se reúnem obedecendo, apenas e unicamente, à sintonia entre si e acabam formando anéis energéticos em torno do planeta, ou melhor, em torno da humanidade terrena, pois ela é parte da humanidade espiritual que o habita e é também o foco de atenção de todos os desencarnados ligados a ele.

As camadas descritas em alguns livros são mais um recurso didático para facilitar o entendimento e o estudo do mundo espiritual, pois não há limites precisos entre elas, assim como não há divisas exatas entre um bairro e outro de uma mesma cidade, ainda que eles sejam de classes sociais bem diferentes.

Esse mesmo mecanismo de sintonia é o que cria regiões “especializadas” no Umbral, como o Vale dos Suicidas, descrito por Camilo Castelo Branco, pela psicografia de Yvonne A. Pereira, em seu livro "Memórias de um Suicida".

Espíritos com experiências de suicídio, vivendo os mesmos dramas, sofrimentos, dificuldades, agrupam-se por pura afinidade e formam regiões vibratórias específicas. Assim também acontece com faixas energéticas ligadas às drogas, ao aborto, aos distúrbios psíquicos, às guerras, aos desequilíbrios sexuais, etc.Apesar de toda perturbação e desequilíbrio dos espíritos que vivem no Umbral, não devemos nos iludir. Existe muita disciplina, organização e hierarquia nos ambientes umbralinos.

É o que nos mostra, por exemplo, o espírito Ângelo Inácio, pela psicografia de Robson Pinheiro, em seu livro "Tambores de Angola", e o espírito Nora, pela psicografia de Emanuel Cristiano, em seu livro "Aconteceu na Casa Espírita". Vemos ali o quanto esses espíritos podem ser inteligentes, organizados, determinados e disciplinados em suas práticas negativas, criando instituições, métodos, exércitos e até cidades inteiras para servir aos seus propósitos.

É preciso que compreendamos que todos nós já estamos vivendo numa dessas “camadas” de Umbral que envolvem a Terra e que todos nós criamos o nosso próprio Umbral particular sempre que contrariamos as leis divinas universais, as quais podem ser resumidas numa única expressão: amor incondicional.Mas o Umbral não é um mundo só de desencarnados. Muitos projetores conscientes (encarnados que fazem projeções astrais conscientes) narram passagens por regiões escuras e densas, semelhantes às descrições de André Luiz em "Nosso Lar".

Todos os encarnados desprendem-se do corpo físico durante o sono e circulam pelo mundo espiritual. Esse é um fenômeno absolutamente natural e inerente a todo espírito encarnado. Uma grande parte continua a dormir em espírito, logo acima de onde está descansando o corpo físico. Outros limitam-se a passear inconscientes pelo próprio quarto ou casa, repetindo, mecanicamente, o que fazem todos os dias durante a vigília. E há os que saem de casa e vão além.

Dentre estes, uma pequena parte procura manter uma conduta ética elevada, 24h por dia, tentando sempre melhorar-se como pessoa, buscando sempre ajudar e crescer e, muitas vezes, é levada ao Umbral em missão de resgate ou assistência, trabalhando com espíritos mais preparados, doando suas energias pelo bem de outros espíritos.Mas há um grande número dos que conseguem sair de seu próprio lar durante o sono e vão para o Umbral por afinidade, em busca daquilo que tinham em mente no momento em que adormeceram ou obedecendo a instintos e desejos inferiores que, embora muitas vezes não estejam explícitos na vigília, estão bem vivos em sua mente e surgem com toda força quando projetados.

Essas pessoas, muitas vezes, acabam sendo vítimas de espíritos profundamente perturbados ligados ao Umbral que as vampirizam e manipulam, em alguns casos chegando até a interferir em sua vida física, criando problemas familiares, doenças, perturbações psicológicas, dificuldades profissionais e financeiras, etc.


Vemos, assim, que o Umbral, de que falam André Luiz e tantos outros autores encarnados e desencarnados, está mais próximo de nós, encarnados, do que muitos de nós imaginam.

E, o que é mais importante, somos nós mesmos que ajudamos a manter esse mundo denso com nossos pensamentos e sentimentos menos elevados. Somos nós que damos aos espíritos perturbados, que se encontram ligados a essa faixa vibratória, grande parte da matéria-prima de que se valem para sustentar seu mundo de trevas e sofrimento.O Umbral está em todo lugar e em lugar nenhum, pois está dentro de quem o cria para si mesmo e acompanha o seu criador para onde quer que ele vá.

Toda vez que nos deixamos levar por impulsos de raiva, agressividade, ganância, inveja, ciúmes, egoísmo, orgulho, arrogância, preguiça, estamos acessando uma faixa mais densa desse Umbral. Toda vez que julgamos, criticamos ou condenamos os outros, estamos nos revestindo energeticamente de emanações típicas do Umbral.

Toda vez que desejamos o mal de alguém, que nos deprimimos, que nos revoltamos ou entristecemos, criamos um portal automático de comunicação com o Umbral. Toda vez que nos entregamos aos vícios, à exploração dos outros, aos desejos de vingança, aos preconceitos, criamos ligações com mentes que vibram na mesma faixa doentia e estão sintonizadas com o Umbral.

O Umbral só existe porque nós mesmos o criamos, e só continuará existindo enquanto nós mesmos insistirmos em mantê-lo com nossos desequilíbrios.


O Umbral é nosso também, faz parte do nosso mundo e não podemos renegá-lo ou simplesmente ignorá-lo. Assim como não podemos também fingir que não temos nada a ver com ele. Lá estão também algumas de nossas próprias criações mentais, de nossos sentimentos inferiores, de nossos pensamentos mais densos. E lá vivem espíritos divinos como nós, temporariamente desviados do caminho de luz em que foram colocados por Deus.

Por isso é importante que não vejamos o Umbral como um lugar a ser evitado ou uma idéia a não ser comentada, mas como desequilíbrio espiritual temporário de espíritos como nós que, muitas vezes, só precisam de um pouco de atenção e orientação para se recuperarem e voltarem ao curso sadio de suas vidas.

É comum encontrarmos médiuns e doutrinadores que têm medo ou aversão ao trabalho com espíritos do Umbral, evitando atendê-los, ignorando-os friamente ou tratando-os como criminosos sem salvação que não merecem qualquer compaixão ou respeito.

Estas pessoas esquecem-se de um dos preceitos básicos da espiritualidade: a caridade. Os habitantes do Umbral não são nossos inimigos, mas espíritos que precisam de compreensão e ajuda.

Não são irrecuperáveis, mas perderam o rumo do crescimento espiritual. Não estão abandonados por Deus, mas não sabem disso e desistem de procurar orientação. Não são diferentes de nós, mas tão semelhantes que vivem lado a lado conosco, todos os dias, observando nossos atos, analisando nossos pensamentos, vigiando nossos sentimentos, prestando atenção às nossas atitudes.

E, se não queremos ir ao Umbral por afinidade, que nos ocupemos em nos tornar seres humanos melhores, mais dignos, mais éticos, 24h por dia.

Desse modo, nossa passagem pelo Umbral será sempre na condição de quem leva ajuda sem medo, sem preconceito e sem sofrimento, e não de quem precisa de ajuda para superar seus próprios medos, preconceitos e dores.



(Maísa Intelisano) Artigo originalmente escrito para a revista Espiritismo e Ciência, da Editora Mythos e publicado na edição 16 - Ano 2
Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=2875




A CENTELHA DIVINA QUE HABITA EM NÓS

Somos seres espirituais, filhos de Deus, vestidos na forma humana. Nós temos uma natureza divina, e uma parte de Deus habita dentro de nós.

Esta é a nossa fonte pessoal de poder, o nosso elo com o criador, que infelizmente tem sido ignorado pela humanidade.

A tradição hindu descreve este espírito que habita dentro de nós, como "o Ser mais interno, não maior do que um polegar", e que “habita o coração”.

Os budistas o chamam de natureza búdica.

Os místicos judeus referem-se a ele como o neshamah.

Os esotéricos ensinam que existe uma chama trina, de cores azul, amarela e rosa, que está localizada em nosso coração, e que representam a o Poder do Pai, a Sabedoria do Filho, e o Amor do Espírito Santo, à nossa disposição.

Os católicos chamam de centelha divina.

Eckhart, teólogo e místico cristão do século XIV, dizia que existe uma semente de Deus dentro de nós, e, que é divina. Onde Deus resplandece e flameja sem cessar.

Embora cada um deles veja por um ângulo diferente, todas estas sendas místicas descrevem a chama espiritual, a centelha divina que pulsa nas profundezas dos nossos corações.

Algumas pessoas têm muita dificuldade em aceitar que Deus viva dentro delas. Isto porque muitos de nós fomos ensinados, quando crianças, a procurar Deus fora de nós, para solucionar os problemas da vida, em vez de acessar o poder espiritual interior, para solucioná-los.

Por que esta centelha divina é o contato imediato que temos com Deus, podemos obter todas as respostas aos nossos problemas, bastando abrir este contato interior.

Os primeiros cristãos, conhecidos como gnósticos, usavam a imagem do "ouro na lama" para ajudar as pessoas a compreender a essência desta chama espiritual. Eles diziam que o ouro do nosso espírito pode estar coberto pela lama do mundo, mas a lama nunca poderá destruir este espírito inato.

Em outras palavras, não importam as situações que tenhamos vivido. Não importa quanta lama tenha respingado sobre o nosso espírito e moldado a nossa personalidade exterior enquanto caminhávamos pela vida.

Não importa as barreiras que precisamos transpor. Ainda temos uma centelha de Deus, linda e eterna, dentro de nós, viva e atuante, à nossa disposição para nos proteger e direcionar, para nos suprir de todas as carências, bastando para isso, abrir este contato interior.





TEXTO DO LIVRO - A ESPIRTUALIDADE EM PRÁTICA
DE ELIZABETH CLARE PROPHET EDITORA: NOVA ERA