segunda-feira, 28 de maio de 2012

Trabalho no bem

A vida nos oferece diariamente oportunidades inúmeras de trabalho no bem.

Jesus nos convida a colocar o amor em ação e confia que nos tornemos os instrumentos do Pai Criador aqui na Terra.

Devemos ter consciência de que não é necessário estarmos vinculados a essa ou aquela instituição para oferecer a nossa colaboração em favor do próximo.

Para exercermos o trabalho no bem, não precisamos de grandes feitos. Pequenas atitudes em benefício do outro, desde que carregadas de doação sincera de nós mesmos e de humildade, são de grande valor aos olhos de Deus.

Tomemos como exemplo um homem de caráter inquestionável que, durante a sua vida abraçou diversas oportunidades para fazer o bem.

Ildefonso Pereira Correia, nascido no ano de 1845, em Paranaguá, no Paraná, foi comerciante, empreendedor e político. Um homem de ampla visão.

Contribuiu muito para o desenvolvimento econômico e cultural do Paraná.

No ano de 1888, recebeu de Dom Pedro II, o título de Barão do Serro Azul pelos serviços prestados à província do Paraná e à família imperial.

Na vida pessoal, foi pai amoroso, marido dedicado e patrão atencioso.

Preocupava-se com o bem-estar das pessoas e agia sem medir esforços.

Diante do desemprego que pairava na época, quando famílias passavam frio e outras necessidades, ele abriu uma empresa madeireira na região onde elas moravam, com o objetivo de gerar empregos.

Levava às pessoas a prosperidade com justiça e dignidade.

Durante a revolução federalista, o Barão do Serro Azul, ao perceber a capital paranaense abandonada pelas autoridades, realizou um acordo com os revolucionários, com o objetivo de proteger a população de violências e saques.

Organizou uma comissão e arrecadou verbas, entre os comerciantes e pessoas de posse, garantindo a segurança da cidade, ao entregar aos rebeldes tais valores.

Porém, seus atos foram mal interpretados. Foi considerado colaborador das forças revolucionárias, contrárias ao governo instituído. Foi considerado traidor da República.

Na madrugada do dia 20 de maio de 1894, no quilômetro sessenta e cinco da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, foi executado, sumariamente, sem qualquer processo legal ou acusação formal.

Durante mais de quarenta anos, ele foi considerado traidor e seu nome proibido de ser pronunciado.

Qualquer referência a respeito da sua execução sumária era evitada.

No entanto, sua vida foi pesquisada, anos mais tarde e resgatada a justa memória dos seus atos, do seu sacrifício e lealdade.

Em 15 de dezembro de 2008 foi inscrito o nome de Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, no livro dos heróis da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.

A justiça se fez, então.

* * *

Inspiremo-nos no seu exemplo de integridade de caráter, generosidade e simplicidade e sigamos em frente, colocando o amor em favor do próximo, agindo de acordo com os valores pessoais, independente das circunstâncias.

Tenhamos a sensibilidade para perceber os convites que a vida nos oferece a cada dia.

Produzamos no bem, onde estejamos.



Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Ildefonso Pereira Correia.
Em 19.05.2012.

Festa em homenagem a nossa mentora Maria Madalena - 20/05/12

Nosso irmão Mário Sérgio cantado "Oração de São Francisco de Assis.



Festa em homenagem a nossa mentora Maria Madalena - 20/05/12


Nosso irmão Mário Sérgio cantando "O sal da terra" composição de Beto Guedes. 


sábado, 26 de maio de 2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Maria de Magdala


Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - dezembro/2003 

Ninguém lhe conhecia a origem. Ela aparecera em Magdala, numa ocasião em que a cidade transbordava de estrangeiros, vindos das festas de Jerusalém e de caravanas carregadas de especiarias do Egito.
A cidade, também denominada de Migdol Nunaya no Talmude, era uma aldeia de pescadores, na beira ocidental do lago de Genesaré. Os palácios se erguem, ao longo da praia, entre os leques das palmeiras e a sombra dos jardins.
Nas ruas calçadas, trafegam os mercadores, soldados de escudo e lança, publicanos, o povo. Pelas mãos circulam dracmas, sestércios, denários e papiros cambiais aos sons do hebraico, aramaico, grego e latim.
Ela chegara e logo adquirira fama: Maria. Logo se lhe acrescentara à denominação, o nome da cidade: de Magdala. Era uma mulher de grandes olhos nostálgicos e de longos cabelos caídos sobre as espáduas, como onda escura de ouro.
Seu palácio era procurado pelos príncipes das sinagogas, ricos negociantes, opulentos senhores de terras e de escravos, funcionários de alta categoria da administração herodiana, que lhe depositavam no regaço moedas de ouro, jóias, dracmas de prata, perfumes raros, presentes exóticos.
Ela se dava ao luxo de escolher quem lhe aprouvesse e se tornou detentora dos segredos dos fariseus, aqueles que baixavam a cabeça na rua, com ares pudicos, mas que a buscavam, embuçados em mantos negros, a horas mortas.
Maria, de Magdala ou Madalena, contudo, não era feliz. Surda tristeza a minava, entregando-se, por vezes, dias seguidos, à profunda amargura. Espíritos infelizes a tomavam, em noites variadas, deixando-a alheada, olhos perdidos no mistério de insondáveis distâncias.
Nessas horas, as servas despediam, do átrio, todos os que a buscassem. Alguns homens, sentindo-se preteridos, dobravam as ofertas pelas horas de prazer que anteviam. Tudo em vão.
"Numa noite de perfumes primaveris, instada por uma serva de confiança, dedicada e fiel, permitiu um diálogo" (1) sobre o Rabi que andava pelas estradas da Galiléia e da Judéia.
Sentiu a esperança renascer, ante a informação de que aquele Rabi convivia com os pecadores, os excluídos. Ele viera para encontrar o que estava perdido.
Numa noite que "balouçava luzes miúdas no firmamento escuro" (1), servindo-se de uma embarcação, atravessou o lago e foi ter com Ele, em Cafarnaum.
Quando Ele veio a Magdala, ela tomou de um vaso de alabastro que continha o perfume do lótus. Custara-lhe o preço de um campo. Era seu presente ao Amigo.
Sabendo-O em casa de Simão, para lá se dirigiu. Como bom fariseu, Simão experimentava um gozo particular em ostentar virtudes e recepcionar amigos, apresentando, em seu palácio, personalidades que, por qualquer motivo, se tornaram famosas.
Durante meses, após um banquete, os comentários persistiam na cidade, acerca dos personagens que sua casa acolhera.
Com Jesus não fora diferente. Ele e dois de seus discípulos haviam "merecido" a distinção de um banquete na rica vivenda de Simão.
Quase ao seu final, ouviram-se gritos e altercações. Depois, rompendo a segurança, Madalena irrompe na sala.
Tudo se deu tão rápido! Ela se arroja aos pés do Rabi que permanece impassível, na posição em que se encontrava.
Surdos cochichos perpassam pelo ambiente. Simão se enche de cólera, ante o epílogo desastroso do seu jantar. Teme mandar expulsá-la, porque sabe da sua coragem e ousadia. Ela o conhece muito bem, bem como a tantos outros que ali se apresentam como homens de honra.
Jesus serve-se do momento para lecionar o Amor, exaltando o gesto daquela mulher que ajoelhada a seus pés, rega-os com suas lágrimas, enxuga-os com seus cabelos e os unge com o excelso perfume que impregna todo o ambiente, concluindo: "Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama."(Lucas, VII, 47)
Ergue-se a voz de Jesus com infinita majestade:
"Mulher, a tua fé te salvou; vai-te em paz."(Lucas, VII, 48)
"Na manhã seguinte Magdala soube, pasmada, a notícia da conversão da pecadora. Distribuíra tudo quanto possuía e, com o estritamente necessário, iniciara nova vida." (1)
As vozes da desonra e do despeito sussurravam que ela voltaria às noites de prazer, que enlouquecera, que sempre fora louca.
Ela se juntou aos que seguiam o Mestre. Discreta, mais de uma vez, recebeu a bofetada da desconfiança. Sabia que não confiavam em sua renovação, nem se davam conta de quantas tentações ela estava procurando sublimar.
Chegados os dias da denúncia de Judas, a prisão de Jesus, o julgamento arbitrário, ei-la, caminhando para o Gólgota, acompanhando-O.
Permaneceu ao pé da cruz, junto a Maria e o discípulo João. "Quando a cabeça D'Ele pendeu, desejou cingir-lhe outra vez os pés e osculá-los com ternura, mas se sentiu imobilizada." (1)
No domingo, indo ao túmulo com Joana de Cusa, Maria, a mãe de Marcos e outras mulheres, encontrou a pedra do sepulcro removida, dobrados os lençóis que lhe haviam envolvido o corpo.
Ela temeu que os judeus houvessem roubado o seu corpo. Enquanto as demais mulheres retornaram a Jerusalém a informar o ocorrido, ela permaneceu no jardim, a chorar.
A saudade feita de dor lhe estrangulava o peito, quando ouviu a voz d'Ele, chamando-a pelo nome. O Mestre estava ali, vivo, radioso como a madrugada recém nascida.
Foi anunciar o fato aos discípulos, que não creram. Por que haveria Jesus de aparecer a ela, logo para ela? Somente Maria, a mãe d'Ele a abraçou e lhe pediu detalhes.
Os dias que se seguiram foram de saudades e recordações. As notícias lhe chegavam doces. O encontro com os jornaleiros dos caminhos de Emaús. A pesca incomparável. A jornada a Betânia.
Após 40 dias, no Monte das Oliveiras, junto aos quinhentos discípulos, O viu ascender lentamente, as mãos voltadas para eles, como num gesto de afago, as vestes luminosas, desaparecendo ante seus olhos.
Desejou então seguir com os novos disseminadores da Boa Nova. Temeram que sua presença pudesse ser perniciosa, semeando desconfiança, naqueles dias incipientes das luzes do novo Reino.
Ela experimentou soledade e abandono e, para arrefecer a imensa saudade do Rabi passou a andar pelas longas praias que tanto O recordavam.
Numa dessas tardes, encontrou leprosos que vinham de muito longe buscar o socorro da cura.
Ela os abraçou, dizendo-lhes que Jesus já partira. Deteve-se por horas a falar, saudosa, do que aprendera com quem era o Caminho, a Verdade e a Vida.
Depois, seguiu com eles ao vale dos imundos.
Sentindo que a seiva da vida diminuía em suas veias, desejou rever a doce Mãe de Jesus, aquela que tanto a afagara em suas amarguras, e foi a Éfeso, morrendo às portas da cidade, sendo brandamente recolhida nos braços do Amor não Amado.



Bibliografia:

01.FRANCO, Divaldo Pereira. A rediviva de Magdala. In:___. As primícias do reino. Pelo espírito Amélia Rodrigues. Rio [de Janeiro]: SABEDORIA, 1967.
02.SALGADO, Plínio. O abismo e a estrela.. In:___. Vida de Jesus. 21. ed., São Paulo: VOZ DO OESTE, 1978. pt. 3, cap. XLI.
03.ROHDEN, Huberto. Madalena. In:___. Jesus Nazareno. 6. ed. São Paulo: União Cultural. v. 1, cap. 53.
04.Van Den Born, A. Dicionário enciclopédico da bíblia. Vozes, 1985.
05.XAVIER, Francisco Cândido. A mulher e a ressurreição. In:___. Boa nova. Pelo espírito Humberto de Campos. 8. ed. Rio de Janeiro:FEB, 1963. cap. 22.
06.______. Maria de Magdala. Op. cit. cap. 20