terça-feira, 6 de novembro de 2012

Espiritismo e seus dissidentes

Existem vários espiritismos?

Todo mundo diz que segue Allan Kardec, que a sua diretriz é a Obra Básica que nos foi trazida através de Kardec, porém, assim como existem os protestantes em diversas ramificações, existem também os espíritas em várias vertentes, cada um se achando o dono exclusivo da verdade e querendo que a sua visão prevaleça.

Eu mesmo já cometi, várias vezes, o equívoco de afirmar, em matérias minhas, sobretudo quando dirigidas à imprensa quando escreve alguma coisa ligada ao Espiritismo, que a nossa doutrina é uma só, que não existe “Espiritismo do sétimo dia”, “Espiritismo adventista” e nem espiritismo A, B, C ou D. Cheguei, inclusive, a criar caso quando alguém tenta vincular Umbanda com Espiritismo, teimando em afirmar que o Espiritismo é único e é indivisível.

Mas não é verdade. De fato a obra básica espírita é uma só, assim como o Evangelho de Jesus é também um só, mas...

Do mesmo jeito que os protestantes fracionaram o protestantismo, fazendo igrejas a bel prazer de cada um, os espíritas também fracionaram o Espiritismo, criando centros conforme as cabeças de cada um.

Vamos tentar, então, relacionar diversos tipos de espiritismos que você vai perceber que de fato existe.

Espíritas Igrejeiros 

São aqueles que vêem o Espiritismo apenas como uma religião, nada mais do que religião e somente religião. As suas práticas se constituem apenas em palestras, preces, passe e água magnetizada. Mesmo assim, as palestras, invariavelmente, têm sempre temas como “parábola do semeador”,“parábola da figueira”, “visita de Jesus a Zaqueu”... e temas outros com esse tom. Tem que ser com cara de igreja mesmo. Sempre trazem, na parede, a inscrição “O silêncio é uma prece”. O que mais se ouve? “Psiu!”, “Fale baixo”...

O espírita igrejeiro, geralmente, para justificar o seu desconhecimento nos outros aspectos da doutrina, qualifica as outras pessoas que falam sobre diversos temas no centro, como “cientificistas” e que querem tirar Jesus do Espiritismo.

Por não poderem acompanhar a proposta de Kardec, quanto a pesquisa, a observação e o acompanhamento dos avanços da Ciência, postam-se apenas rezando, rezando e rezando porque entendem o Espiritismo como uma doutrina de rezação.

Espíritas do “me disseram” 

O espírita tipo “me disseram” é aquele que toma decisões e tira conclusões com base no “me disseram”.

Ele proíbe livros porque “me disseram que este livro não é bom”, proíbe expositores porque “me disseram que ele não é bom e que é polêmico”, condena a CEPA porque “me disseram que ela quer tirar Jesus do Espiritismo”... E assim vai, em absoluta ausência de racionalidade, de justiça e de bom senso, decidindo com base no “me disseram”.

Mas... Você procurou verificar com os seus próprios olhos, analisando com a sua própria inteligência (se é que tem), o livro, o autor ou o expositor?

– “Ah, vamos deixar este assunto pra lá, vamos evitar polêmicas, evitar confusão, porque isto não constrói nada.”

Sempre sai pela tangente, porque não tem estrutura para levar questionamento nenhum em frente e nem consegue vê alguém identificando a sua irresponsabilidade.

Espírita defensor e patrulhador da “pureza doutrinária”

Este é uma figura. Somente ele conhece a Doutrina, mais ninguém. Geralmente se comporta como se tivesse uma procuração, outorgada pelo próprio Allan Kardec, reconhecida em cartório, com amplos poderes para fiscalizar o que se faz, o que se diz e o que se escreve sobre o Espiritismo.

Nos pontos mais questionáveis da Doutrina, ele sempre acha que a sua interpretação é a única correta e que qualquer outro espírita é absolutamente analfabeto quanto à capacidade de interpretar. Ninguém mais tem condições de estudar e entender a doutrina, ninguém tem acesso às obras básicas e à Revista Espírita, ninguém tem capacidade de pesquisar, de experimentar e de observar nada, só ele.

Nunca aparece quando os verdadeiros detratores do Espiritismo surgem nos veículos de imprensa para caluniarem, denegrirem, distorcerem, mentirem e promoverem agressões contra a nossa doutrina, a exemplo dos padres Quevedo, Jonas Abib e milhares de pastores ditos evangélicos, mas sempre se apresentam como valentes, contundentes e verdadeiros gladiadores armados com todas as armas, quando é outro espírita que diz ou escreve alguma coisa que deixa alguma dúvida ou seja questionável, por mais que esse espírita seja uma pessoa digna, honrada, decente e com história das bons serviços prestados ao Espiritismo. É repugnante essa covardia, mas é o que acontece.

Geralmente, para se justificarem, utilizam-se as instruções que de fato existem na obra básica, sugerindo que os enganos e as fraudes, em nome do Espiritismo, devem ser desmascaradas. Só que se auto-consideram os arautos do conhecimento absoluto espírita, que são eles que devem desmascarar os outros e que enganos e fraudes são exatamente tudo aquilo que não se pratica exatamente conforme as SUAS interpretações pessoais da doutrina. Fora de mim, não há verdade.

Espírita da caridade esmola

Este resume a sua conduta espírita na ideia de dar sopa para pobre, distribuir farnéis e doar roupas velhas e imprestáveis, que ninguém quer mais usar, para os pobres. Na sua concepção, Caridade se resume a isto, visto que não consegue distinguir o que é Caridade e o que é esmola.

Não entende que a Caridade é para ser praticada para com todas as criaturas, independente de nível econômico, inclusive e principalmente a ricos perturbados espiritualmente.

Na sua cabeça, implicitamente, deve pairar a ideia de que fazendo isto estará muito bem com Jesus, numa boa com a Espiritualidade Superior e com garantia de espaço no Ministério da União Divina, do Nosso Lar.

Espírita Chiquista
Este vê o nosso querido Chico Xavier como São Chico Xavier. Chega até a dizer que o papel do Chico é mais importante que o de Kardec, embora o próprio Emmanuel tenha recomendado ao próprio Chico a ficar sempre com Kardec, caso surgisse alguma dúvida nos seus ensinamentos.

Os livros do Chico não são nem considerados como complemento às obras básicas e sim as próprias obras básicas. Para qualquer iniciante na doutrina, recomenda que leia o “Nosso Lar” e não “O que é o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos”.

Qualquer outro médium que pudesse surgir e adquirir alguma projeção nacional, necessariamente era considerado como concorrente do Chico e até plagiador do Chico, posto que o “nosso santo é único e inimitável”.

Neste segmento você vê muita gente querendo falar igual ao Chico, imitar a humildade do Chico (apenas imitar, não vivenciar) e fazer uma verdadeira idolatria ao venerando médium mineiro.

Espírita Franciscano

Estes querem dar um ar de Francisco de Assis ao Espiritismo, no sentido de querer condenar tudo o que é material. Condenam principalmente o dinheiro, porque vêem a moeda sempre como algo pecaminoso, obsessivo, proibitivo e passaporte para o inferno.

Embora, nas suas vidas particulares, não conseguem fazer nada sem dinheiro, não conseguem manter os seus lares sem dinheiro, não conseguem se alimentar, se vestir, se educar, se transportar... sem dinheiro, acham que o centro espírita pode fazer tudo sem dinheiro.

Qualquer evento ou iniciativa que uma instituição espírita venha a fazer, para angariar recursos para sustentar e manter sua obra, é qualificado como “industrialização dos eventos espíritas” ou só conseguem enxergar as iniciativas como pretensão de alguém querer “ficar rico, à custa da doutrina”.

Chegam a um nível de intolerância absurdo e não pensam duas vezes nem em atacar nomes considerados respeitáveis no Espiritismo e que possuem obras que não deixam dúvidas quanto às suas condutas morais.

O pior é que não conseguem apontar algum meio para os centros e instituições espíritas bancarem as suas obras. Sempre fogem do assunto quando perguntados sobre isto. Deveriam pelo menos ensinar algum milagrezinho para materializar recursos, não é verdade?

Espiritismo Febeano 

Este é discípulo da FEB e seguidor fervoroso das determinações das Federações Estaduais, USES e Casas Federativas.

Do mesmo jeito que católicos vêem as decisões do Vaticano como infalíveis, indiscutíveis e inquestionáveis, estes, também, vêem as decisões tomadas pelas diretorias das federações como infalíveis e sagradas.

Se anulam como criaturas inteligentes, que também tem cérebro para pensar e que possuem, também, as obras básicas e todo o ensinamento de Kardec para consultar e raciocinar.

Alguns chegam ao cúmulo de afirmar:

– “Eu sei que não está certo, sei que não é o melhor caminho, mas eu tenho que obedecer, porque não quero ser indisciplinado e quero evitar problemas”.

– “Mas você não é membro da diretoria da casa? não tem direito a falar nada e nem a ter opinião?”

– “Não me comprometa, eu prefiro ficar na minha, não me meta em confusão”.

No fundo está dizendo: “Eu não sou besta para colocar em risco o meu cargo na diretoria”.

A coisa funciona mais como um processo de ditadura: Discordou do regime? ponham pra fora.

Espiritismo Esotérico 

Este é aquele que permite tudo no seu centro espírita. Pelo fato da Cromoterapia ser algo bom (de fato é) ele acha que tem que implantar no centro espírita. Se alguém diz que é bom colocar uma pirâmide e deitar as pessoas embaixo, para tomar passe, ele coloca. Se alguém recomenda que as pessoas devem tirar os sapatos para entrar no centro, todos têm que tirar os sapatos. Mulher se senta de um lado e homem de outro, as palmas das mãos têm que ficar para cima, na hora de receber o passe, (o magnetismo do passe entra é pela palma da mão). Alguns acham que devem manter a Bíblia sobre a mesa, forrada com toalha branca, aberta no Salmo XXIII.

E assim vão inventando um monte de coisas que acham bonitinhas e adaptando à prática espírita.

Espírita cientificista 
Este existe também. É aquele que acha que o Evangelho não deve ser estudado no centro. Ele entra também num radicalismo, porque acha que, pelo fato do centro não dever ser igrejeiro, necessariamente não se deve estudar o Evangelho, o que não tem o menor sentido, posto que oaspecto moral da doutrina, cujo melhor modelo é o Evangelho, não pode e nem deve ser desprezado nunca. Falei em ASPECTO MORAL, o que não quer dizer que isto signifique fazer do espiritismo uma igreja.

O estudo moral da doutrina é algo que deve ser prioritário e levado muito a sério, em qualquer centro espírita, tenha ele a visão que tiver, principalmente com objetivos de fazer com que pessoas deixem de praticar tantos atos de imoralidade, embora sutis, inclusive em nosso meio.

Espírita Herculanista 
Do mesmo jeito que o Chiquista adota o Chico Xavier como São Chico, o Herculanista também vê o grande Herculano Pires como São Herculano. Nem a minha querida amiga Heloísa Pires, espírita notável pela sua racionalidade, vê o seu querido pai desta maneira, embora fale dele com carinho e o respeito que ele verdadeiramente merece, pelo que representa na história do Espiritismo.

Já ouvi um cidadão dizer, num bate papo na FEESP, que Herculano superou Kardec e todo mundo que estava em volta, no momento, concordou com ele.

Processaram a canonização, também, no velho pai da Heloísa.

Espírita de eventos 

É aquele que a gente só encontra nos eventos.

– “Oi, que bom te ver. Beijo no coração”. Adorei a palestra do Divaldo! Amei a palestra do Medrado! Maravilha aquela palestra do Raul! Que beleza o doutor Sérgio Felipe!

A coleção de crachás de eventos que deve ter em casa, deve ser enorme.

Espírita difamador

Este é aquele que, quando o seu centro não aceita um determinado palestrante e vê que outro centro aceita, faz de tudo para queimar o palestrante, ligando para o outro centro para falar mal dele, mandando e-mails difamando-o, tecendo comentários negativos sobre ele pra todo mundo, se empenhando com todo “amor”, toda “caridade” e com muita “fraternidade” para apagar a imagem da pessoa. Mas isto com muito “amor” mesmo e pela Doutrina! Sabe como é que é, né?

Não se percebe contaminado pelo terrível veneno da maledicência.

E ainda diz que está fazendo pela Doutrina.

Os mais perversos carrascos da inquisição também diziam que os seus assassinatos eram em nome do Cristo.

Espiritismo sabor velório

É aquele que faz do centro espírita um ambiente triste, sem alegria nenhuma, lúgubre e aquela coisa sem um pingo de graça.

Ninguém pode sorrir, não pode ter música, todo mundo tem que falar baixo, muito “psiu”, cuidado até com o pisar no chão, ninguém pode abraçar ninguém, principalmente homem a mulher, em nome do “respeito”, expositor que faz a platéia rir demais não é um expositor sério e deve ser evitado, as cores das roupas têm que ser sóbrias, a toalha da mesa tem que ser branca, os tons de vozes dos que falam tem que ser sempre na base do “Muita Paz, meu irmão”, ninguém pode aplaudir ninguém.

Jamais elogiam quem quer que seja, por mais meritório que seja o seu trabalho, porque a tal “seriedade” anula a educação, a elegância e os bons princípios humanos.

Nos dias de hoje nem nos velórios se vê mais esse tipo de clima, uma vez que muita gente já canta em velório, conta piada, toca violão, dão gargalhadas e até batem palmas para o defunto, na hora do sepultamento.

Espiritismo sem espíritos 

São aqueles que, sob a argumentação de que “a época dos fenômenos já passou”, continuam a ver o intercâmbio mediúnico como fenômeno, e daí passam a evitar as mediúnicas. Nunca, ou apenas raramente, se pratica reunião mediúnica na casa, mesmo assim com uma meia dúzia de participantes, apenas, em tempo reduzidíssimo, excessivamente formal, e, em maioria, apenas é permitida a comunicação de alguns espíritos sofredores. Os espíritos bons, amigos da casa, nem se dispõem a aparecer para conversar por causa do excesso de limitações, principalmente de tempo.

Quem quiser observar isto, na prática, pode observar que vai perceber exatamente isto que estou a dizer.

O interessante é você observar a cara dos que atuam como “doutrinadores” de espíritos sofredores. São de uma bondade impressionante.

Se falar em evocação de espíritos, então, é um “Deus nos acuda!”. Mesmo tendo o Allan Kardec feito isto, durante toda a sua vida de espírita, não há argumento que convença, porque a disposição de fazer Espiritismo sem espíritos é grande demais. É espiritismo sem espíritos e também sem Kardec.

Espiritismo conforme a cabeça do dono

Este é interessante. Tudo é feito, conforme o nível de conhecimento da pessoa que manda. Em outras palavras: o dono ou a dona do centro. É isto mesmo! em muitos centros espíritas tem a pessoa QUE MANDA. Seu Fulano o dona Fulana.

Se for um dirigente, cujos conhecimentos doutrinários não passam do hábito de abrir o Evangelho “ao acaso” (sempre no meio), ele faz de tudo para não permitir que vá falar naquela casa qualquer voz que venha a falar sobre aspectos mais aprofundados da doutrina, porque é algo que ele não conhece, o que lhe faz correr o risco dos frequentadores perceberem que ele não sabe nada e que tem muito mais gente que sabe muito mais do que ele.

Se um expositor, por exemplo, fizer uma exposição sobre algo da Revista Espírita, absolutamente coerente com Kardec, coisa que ele não conhece, obviamente, com certeza criará o maior problema, porque “fora da minha verdade não há salvação”.

Foi exatamente por este motivo que muitos condenaram e proibiram as obras do fantástico e extraordinário Dr. Hernani Guimarães Andrade, Dr. Henrique Rodrigues e de vários outros nomes maravilhosos da nossa história.

Muitas vezes no centro não tem nem livraria, para o frequentador não ler muito e ficar com seu conhecimento restrito ao que o DONO do centro diz.

Esse tipo de centro fica apavorado quando sabe que os seus frequentadores estão vendo canais de TV Espíritas, porque sabe que eles estão vendo novas ideias e exposições de espíritas bem mais preparados. Ele não quer expositores que tragam ideias mais profundas, sob a argumentação de que são polêmicos. Na realidade falta-lhe competência para discutir com aqueles os quais qualifica assim.

Se você se aprofundar bem nas averiguações, vai perceber porque muitos odeiam o elemento, ou os elementos, que inventou esse negócio de levar Espiritismo ao grande público pela televisão, com imagem e som entrando nas casas das pessoas, e também resolveu colocar revista espírita nas bancas de todo o Brasil, inclusive mostrando muitas bobagens que se praticam em nome do Espiritismo.

Enfim, são vários tipos de espiritismos que existem por aí, exatamente do mesmo jeito que existem as ramificações nas igrejas evangélicas.

Há também os espíritas inimigos

Inimigos da FEB, inimigos da CEPA, inimigos de Roustaing e de quem lê sua obra, inimigos de Pietro Ubaldi, inimigos de Ramatis, inimigos dos eventos espíritas, inimigos de Divaldo, inimigos de Medrado, inimigos de quem questiona, inimigos de quem não tem papas na língua, inimigos de quem propõe fazer um movimento espírita sem donos... Inimigos de tudo.


Mas tem também os espíritas autênticos

Aqueles que são sempre o que são, sem qualquer preocupação em teatralizar comportamentos para os outros verem. Que são alegres nos centros, do mesmo jeito que são em suas casas e em qualquer lugar. Sorriem, brincam, dão gargalhadas e jamais perdem o humor e o bom astral, só porque estão no centro. Não se importam se as pessoas se abracem e até se beijem nos centros, porque sabem que isto é gesto de carinho e não de desrespeito. Fala-se em tom de voz normal, no centro. Realizam as mediúnicas conversando naturalmente com os espíritos como pessoas normais, apenas sem os corpos físicos, e não como defuntos. Jamais condenam outros espíritas e nem pessoa alguma, mesmo se ela cometer algum equívoco. Jamais admitem qualquer tipo de censura, boicote, sabotagem ou qualquer ato bandido, em nome do Espiritismo.

Entendem que Caridade não é esmola e não se resume apenas em sopa pra pobre, devendo ser aplicada também e principalmente numa conversa dirigida mesmo a um rico que possa ter conduta equivocada, pensar em suicídio, em aborto e em outras práticas infelizes.

Jamais se acham donos da verdade, jamais saem a patrulhar o comportamento dos outros ou o que os outros dizem ou escrevem.

Jamais vivem a condenar as iniciativas para angariar recursos para a casa, porque não são espíritos que trazem complexos de altas picaretagens praticadas em encarnações passadas ou talvez nesta.

Respeitam os direitos de expressão e todos os outros direitos que o seu semelhante tem.

Não admitem conceber como inimigos aqueles que pensam em contrário.

Não se comportam, jamais, como donos do centro nem donos do Espiritismo.

Têm inteligência suficiente para entender que uma pessoa deve ser analisada pelo seu TODO e não apenas por detalhes, e que um histórico de décadas de trabalho de alguém, no Espiritismo, não pode ser apagado por um equívoco dito ou escrito.

Não são “oito ou oitenta”, radicais extremistas, e entendem que quando alguém está dando uma sugestão à casa ou até discordando de algum procedimento, não está necessariamente querendo bagunçar, praticar indisciplina e nem fazer o que quer dentro da instituição.

Jamais condenam uma obra inteira ou uma outra pessoa, por causa de uma ou outra citação que possa deixar dúvidas ou mesmo ser equivocada. A não ser que essa pessoa incite a prática de crimes, assassinatos, torturas, etc... Ao semelhante.

Exemplifica e vivencia o Espiritismo e não apenas vive a pregar teorias para OS OUTROS praticarem.

Se fala em perdão, na tribuna do seu centro, certamente deve ter a coerência de perdoar. Se fala em dignidade, honradez, decência e comportamento moral, não abre mão, jamais, de vivenciar tudo isto.

Que todos entendamos, então, qual o tipo de Espiritismo que queremos para nós.



Alamar Régis Carvalho



Fonte://redevisao.net/default.php?page=variosespiritismos

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Reencarnação para criança - Maurício de Souza


A reencarnação observada através dos personagens de maurício de Souza, a Turma da Mônica, sob um prisma bem humorado e verdadeiro.

UMBRAL


Em 1943, André Luiz, o médico que se tornou conhecido psicografando livros pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, trouxe a público o significado dado à palavra na colônia espiritual “Nosso Lar”, onde passou a viver alguns anos depois de seu desencarne.

Em seu livro também chamado “Nosso Lar”, ele conta como ouviu falar do Umbral pela primeira vez, quando o enfermeiro Lísias lhe dava as primeiras informações sobre a colônia e descreveu-o como região onde existe grande perturbação e sofrimento e para a qual a colônia dedicava atenção especial.

Desde então, a palavra Umbral, escrita com inicial maiúscula, como o fez André Luiz no livro “Nosso Lar”, tomou significado especial, principalmente entre os espíritas, designando a região espiritual imediata ao plano dos encarnados, para onde iriam e onde estariam todos os espíritos endividados, perturbados e desequilibrados depois da vida.Com esta conotação a palavra difundiu-se muito e transformou-se num quase sinônimo do Inferno e do Purgatório dos católicos, com localização geográfica, tamanho, etc., conceito este que o próprio Allan Kardec, codificador do Espiritismo, já havia desmistificado em suas obras, mais de 80 anos antes, especialmente em “O Livro dos Espíritos”.

Como vemos pelas respostas dos espíritos a Kardec, o inferno e o paraíso não passam de estados de espírito, condição moral de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos durante a vida encarnada e depois dela. E é bom lembrar que espíritos somos todos, encarnados e desencarnados, vivendo cada um o seu inferno e o seu paraíso particulares. O que nos diferencia dos espíritos desencarnados é apenas o fato de estarmos temporariamente presos a um corpo denso de carne. De resto, somos absolutamente iguais a eles, com desejos, opiniões, frustrações, alegrias, defeitos e qualidades.

Na verdade, a figura geográfica e espacial do inferno dos católicos serviu de molde aos espíritas para que melhor visualizassem o que seria o Umbral, assim como o inferno da Igreja Católica foi tomado emprestado e adaptado do inferno dos povos pagãos para compor os mitos de inferno e paraíso.Se não existe inferno ou purgatório porque haveria de existir o Umbral com localização, medidas, coordenadas, etc.?

Tudo o que existe no plano espiritual é criado pela mente dos espíritos encarnados e desencarnados. Sempre que pensamos nossa mente dispara um processo pelo qual somos capazes de moldar as energias mais sutis do universo, criando formas que correspondem exatamente àquilo que somos intimamente.

Extremamente apegados ao mundo material, nada mais natural que, mesmo estando fora dele, queiramos tê-lo novamente quando desencarnados. É aí que nossa mente entra em ação, criando tudo o que desejamos ardentemente. E várias mentes desejando a mesma coisa juntas têm muito mais força para criar.A grande diferença é que, no mundo físico, podemos embelezar artificialmente o nosso ambiente e a nossa aparência, enquanto que no plano astral isso não é possível, pois lá todos os nossos defeitos, mazelas, falhas, paixões, manias e vícios ficam expostos em nossa aura, exibindo claramente quem somos como consciências e não como personalidades encarnadas.

No Umbral, tudo o que está fora de nós é conseqüência do que está dentro. Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece é reflexo do que trazemos na consciência. Assim, o Umbral nada mais é que uma faixa de freqüência vibratória a que se ligam os espíritos desequilibrados, cujos interesses, desejos, pensamentos e sentimentos se afinizam.

É uma “região” energética onde os afins se encontram e vivem, onde podem dar vazão aos seus instintos, onde convivem com o que lhes é característico, para que um dia, cansados de tanto insistirem contra o fluxo de amor e luz do universo, entreguem-se aos espíritos em missão de resgate, que estão sempre por lá em trabalhos de assistência.Alguns autores descrevem o Umbral como uma seqüência de anéis que envolvem e interpenetram o planeta Terra, indo desde o seu núcleo de magma até várias camadas para fora de seus limites físicos.

O que acontece é que os espíritos se reúnem obedecendo, apenas e unicamente, à sintonia entre si e acabam formando anéis energéticos em torno do planeta, ou melhor, em torno da humanidade terrena, pois ela é parte da humanidade espiritual que o habita e é também o foco de atenção de todos os desencarnados ligados a ele.

As camadas descritas em alguns livros são mais um recurso didático para facilitar o entendimento e o estudo do mundo espiritual, pois não há limites precisos entre elas, assim como não há divisas exatas entre um bairro e outro de uma mesma cidade, ainda que eles sejam de classes sociais bem diferentes.

Esse mesmo mecanismo de sintonia é o que cria regiões “especializadas” no Umbral, como o Vale dos Suicidas, descrito por Camilo Castelo Branco, pela psicografia de Yvonne A. Pereira, em seu livro "Memórias de um Suicida".

Espíritos com experiências de suicídio, vivendo os mesmos dramas, sofrimentos, dificuldades, agrupam-se por pura afinidade e formam regiões vibratórias específicas. Assim também acontece com faixas energéticas ligadas às drogas, ao aborto, aos distúrbios psíquicos, às guerras, aos desequilíbrios sexuais, etc.Apesar de toda perturbação e desequilíbrio dos espíritos que vivem no Umbral, não devemos nos iludir. Existe muita disciplina, organização e hierarquia nos ambientes umbralinos.

É o que nos mostra, por exemplo, o espírito Ângelo Inácio, pela psicografia de Robson Pinheiro, em seu livro "Tambores de Angola", e o espírito Nora, pela psicografia de Emanuel Cristiano, em seu livro "Aconteceu na Casa Espírita". Vemos ali o quanto esses espíritos podem ser inteligentes, organizados, determinados e disciplinados em suas práticas negativas, criando instituições, métodos, exércitos e até cidades inteiras para servir aos seus propósitos.

É preciso que compreendamos que todos nós já estamos vivendo numa dessas “camadas” de Umbral que envolvem a Terra e que todos nós criamos o nosso próprio Umbral particular sempre que contrariamos as leis divinas universais, as quais podem ser resumidas numa única expressão: amor incondicional.Mas o Umbral não é um mundo só de desencarnados. Muitos projetores conscientes (encarnados que fazem projeções astrais conscientes) narram passagens por regiões escuras e densas, semelhantes às descrições de André Luiz em "Nosso Lar".

Todos os encarnados desprendem-se do corpo físico durante o sono e circulam pelo mundo espiritual. Esse é um fenômeno absolutamente natural e inerente a todo espírito encarnado. Uma grande parte continua a dormir em espírito, logo acima de onde está descansando o corpo físico. Outros limitam-se a passear inconscientes pelo próprio quarto ou casa, repetindo, mecanicamente, o que fazem todos os dias durante a vigília. E há os que saem de casa e vão além.

Dentre estes, uma pequena parte procura manter uma conduta ética elevada, 24h por dia, tentando sempre melhorar-se como pessoa, buscando sempre ajudar e crescer e, muitas vezes, é levada ao Umbral em missão de resgate ou assistência, trabalhando com espíritos mais preparados, doando suas energias pelo bem de outros espíritos.Mas há um grande número dos que conseguem sair de seu próprio lar durante o sono e vão para o Umbral por afinidade, em busca daquilo que tinham em mente no momento em que adormeceram ou obedecendo a instintos e desejos inferiores que, embora muitas vezes não estejam explícitos na vigília, estão bem vivos em sua mente e surgem com toda força quando projetados.

Essas pessoas, muitas vezes, acabam sendo vítimas de espíritos profundamente perturbados ligados ao Umbral que as vampirizam e manipulam, em alguns casos chegando até a interferir em sua vida física, criando problemas familiares, doenças, perturbações psicológicas, dificuldades profissionais e financeiras, etc.


Vemos, assim, que o Umbral, de que falam André Luiz e tantos outros autores encarnados e desencarnados, está mais próximo de nós, encarnados, do que muitos de nós imaginam.

E, o que é mais importante, somos nós mesmos que ajudamos a manter esse mundo denso com nossos pensamentos e sentimentos menos elevados. Somos nós que damos aos espíritos perturbados, que se encontram ligados a essa faixa vibratória, grande parte da matéria-prima de que se valem para sustentar seu mundo de trevas e sofrimento.O Umbral está em todo lugar e em lugar nenhum, pois está dentro de quem o cria para si mesmo e acompanha o seu criador para onde quer que ele vá.

Toda vez que nos deixamos levar por impulsos de raiva, agressividade, ganância, inveja, ciúmes, egoísmo, orgulho, arrogância, preguiça, estamos acessando uma faixa mais densa desse Umbral. Toda vez que julgamos, criticamos ou condenamos os outros, estamos nos revestindo energeticamente de emanações típicas do Umbral.

Toda vez que desejamos o mal de alguém, que nos deprimimos, que nos revoltamos ou entristecemos, criamos um portal automático de comunicação com o Umbral. Toda vez que nos entregamos aos vícios, à exploração dos outros, aos desejos de vingança, aos preconceitos, criamos ligações com mentes que vibram na mesma faixa doentia e estão sintonizadas com o Umbral.

O Umbral só existe porque nós mesmos o criamos, e só continuará existindo enquanto nós mesmos insistirmos em mantê-lo com nossos desequilíbrios.


O Umbral é nosso também, faz parte do nosso mundo e não podemos renegá-lo ou simplesmente ignorá-lo. Assim como não podemos também fingir que não temos nada a ver com ele. Lá estão também algumas de nossas próprias criações mentais, de nossos sentimentos inferiores, de nossos pensamentos mais densos. E lá vivem espíritos divinos como nós, temporariamente desviados do caminho de luz em que foram colocados por Deus.

Por isso é importante que não vejamos o Umbral como um lugar a ser evitado ou uma idéia a não ser comentada, mas como desequilíbrio espiritual temporário de espíritos como nós que, muitas vezes, só precisam de um pouco de atenção e orientação para se recuperarem e voltarem ao curso sadio de suas vidas.

É comum encontrarmos médiuns e doutrinadores que têm medo ou aversão ao trabalho com espíritos do Umbral, evitando atendê-los, ignorando-os friamente ou tratando-os como criminosos sem salvação que não merecem qualquer compaixão ou respeito.

Estas pessoas esquecem-se de um dos preceitos básicos da espiritualidade: a caridade. Os habitantes do Umbral não são nossos inimigos, mas espíritos que precisam de compreensão e ajuda.

Não são irrecuperáveis, mas perderam o rumo do crescimento espiritual. Não estão abandonados por Deus, mas não sabem disso e desistem de procurar orientação. Não são diferentes de nós, mas tão semelhantes que vivem lado a lado conosco, todos os dias, observando nossos atos, analisando nossos pensamentos, vigiando nossos sentimentos, prestando atenção às nossas atitudes.

E, se não queremos ir ao Umbral por afinidade, que nos ocupemos em nos tornar seres humanos melhores, mais dignos, mais éticos, 24h por dia.

Desse modo, nossa passagem pelo Umbral será sempre na condição de quem leva ajuda sem medo, sem preconceito e sem sofrimento, e não de quem precisa de ajuda para superar seus próprios medos, preconceitos e dores.



(Maísa Intelisano) Artigo originalmente escrito para a revista Espiritismo e Ciência, da Editora Mythos e publicado na edição 16 - Ano 2
Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=2875




A CENTELHA DIVINA QUE HABITA EM NÓS

Somos seres espirituais, filhos de Deus, vestidos na forma humana. Nós temos uma natureza divina, e uma parte de Deus habita dentro de nós.

Esta é a nossa fonte pessoal de poder, o nosso elo com o criador, que infelizmente tem sido ignorado pela humanidade.

A tradição hindu descreve este espírito que habita dentro de nós, como "o Ser mais interno, não maior do que um polegar", e que “habita o coração”.

Os budistas o chamam de natureza búdica.

Os místicos judeus referem-se a ele como o neshamah.

Os esotéricos ensinam que existe uma chama trina, de cores azul, amarela e rosa, que está localizada em nosso coração, e que representam a o Poder do Pai, a Sabedoria do Filho, e o Amor do Espírito Santo, à nossa disposição.

Os católicos chamam de centelha divina.

Eckhart, teólogo e místico cristão do século XIV, dizia que existe uma semente de Deus dentro de nós, e, que é divina. Onde Deus resplandece e flameja sem cessar.

Embora cada um deles veja por um ângulo diferente, todas estas sendas místicas descrevem a chama espiritual, a centelha divina que pulsa nas profundezas dos nossos corações.

Algumas pessoas têm muita dificuldade em aceitar que Deus viva dentro delas. Isto porque muitos de nós fomos ensinados, quando crianças, a procurar Deus fora de nós, para solucionar os problemas da vida, em vez de acessar o poder espiritual interior, para solucioná-los.

Por que esta centelha divina é o contato imediato que temos com Deus, podemos obter todas as respostas aos nossos problemas, bastando abrir este contato interior.

Os primeiros cristãos, conhecidos como gnósticos, usavam a imagem do "ouro na lama" para ajudar as pessoas a compreender a essência desta chama espiritual. Eles diziam que o ouro do nosso espírito pode estar coberto pela lama do mundo, mas a lama nunca poderá destruir este espírito inato.

Em outras palavras, não importam as situações que tenhamos vivido. Não importa quanta lama tenha respingado sobre o nosso espírito e moldado a nossa personalidade exterior enquanto caminhávamos pela vida.

Não importa as barreiras que precisamos transpor. Ainda temos uma centelha de Deus, linda e eterna, dentro de nós, viva e atuante, à nossa disposição para nos proteger e direcionar, para nos suprir de todas as carências, bastando para isso, abrir este contato interior.





TEXTO DO LIVRO - A ESPIRTUALIDADE EM PRÁTICA
DE ELIZABETH CLARE PROPHET EDITORA: NOVA ERA


sábado, 29 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

A Centelha anímica

Um bando de andorinhas ruma para o sul em busca de melhores paragens.

Tartarugas nadam sempre para a mesma praia quando vão desovar.

Um cardume surge com peixes posicionados e organizados, apresentando movimentos simultâneos, tal como soldados em “ordem unida”.

Certos animais pequenos, sem nunca terem aprendido, mudam de cor e confundem-se com seu meio ambiente, como defesa ou armadilha, demonstrando certo grau de algo parecido com inteligência.

Os pássaros trazem para seus filhotes o alimento necessário, colocando a refeição em seus bicos inexperientes.

Parece estranho que animais executem coisas que os homens só conseguem com muito exercício e aprendizado.

Dir-se-ia que uma única energia , uma só alma, rege e domina cada raça, cada família destes seres ditos irracionais.

Talvez uma única ordem seja sentida por todos ao mesmo tempo. Alguma coisa domina o grupo e o impele a agir em determinado sentido, sem prestar esclarecimentos, o que alias seria inútil para seres sem raciocínio.

Essa força, essa alma, que os homens chamam instinto muitas vezes com desprezo, não erra nunca e leva os vegetais e os animais a buscarem coisas para atender suas necessidades.

Esse domínio, a que os seres obedecem cegamente no inicio, vai aos poucos enfraquecendo com o despontar da inteligência, que devagar assume o comando.

Como pai zeloso, essa força dá ao filho o direito de caminhar por conta própria e aos poucos solta as mãos de seu pimpolho que às vezes caindo assume a responsabilidade de si mesmo.

A multiplicidade que a natureza nos apresenta com seu fulgurante esplendor nos mostra o amanhecer da vida em cada grupo, em cada família de vegetais e animais.

A atuação diferenciada do instinto nos animais com uma certa dose de inteligência em alguns deles, mostra-nos diferentes fases de evolução.daquela centelha anímica em busca de sua individualidade.

Com o progresso sucessivo em várias fases da vida, a centelha vais aos poucos libertando-se do grupo, assumindo características cada vez mais espontâneas.

Percorrendo o reino da natureza em cada ser que habita, esta centelha adquire experiências que acumulando-se lhe imprime impulso constante.

Existe um elo, um caminho em outras paragens astrais que os humanos desconhecem, onde a centelha anímica, rica em conhecimentos adquiridos em milhões de séculos, desperta para a humanidade.

Mas o ser, agora um espírito, mesmo sendo senhor de si, nunca será abandonado por seu criador que, como bom Pai que é, olha seu filho adulto com o mesmo carinho e cuidado de quando o tinha dependente em seus braços.


                                             Octavio Borges da Silveira

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Na véspera da necessidade

Diante de algo bom a realizar, não hesites. Faze-o logo.

Não cultives indecisão, em se tratando de concretizar o melhor. Se o homem titubeia, receando edificar o bem que a vida lhe pede, a morte não vacila no horário a que deve atender.

Chegou o momento da visita a alguém que sofre? Vai. Não argumentes contigo contra a resolução.

Sentes-te decidido a doar determinado recurso, em favor dos outros? Dá imediatamente. Segue a boa intenção.

Sê confiante. Ousa construir a fraternidade. Não albergues a irresolução em problemas que se refiram a servir.

No que tange a obrigações nobilitantes, o maior prejuízo da dúvida é a perda de tempo, de vez que as leis do destino não nos desculpam a falta, na execução dos deveres que não admitem demora. Pagaremos pela omissão.

Decide-te, conjugando pensamento e forma, projeto e construção, para que o sonho se faça realidade. Amanhã, os horizontes são outros, os caminhos talvez mais ásperos, as companhias imprevisíveis.

Não te justifiques fantasiando a tibieza de precaução. Em todas as épocas da Humanidade, a preguiça e a astúcia têm vestido a túnica da prudência para largar os infelizes. Acolhe o dever de ânimo forte. Lança o primeiro passo no serviço, e depois, se perseveras, o próprio serviço incumbir-se-á de traçar-te orientação na continuidade da obra que te abrilhantará a estrada.

O desânimo geralmente nasce na alma; talvez num caso entre mil, será justo responsabilizar o corpo enfermo pela eclosão desse corrosivo mental. Não aguardes no sofá ou no leito a solução que nunca vem por não te dispores à alegria de auxiliar; resolve agora, ajuda na véspera da necessidade. Quando a ideia edificante brota no cérebro é que a inspiração da Espiritualidade Superior te visita.

Perante o Evangelho, não há situações dilemáticas. “Quem não é por mim, é contra mim”; “seja o teu falar sim, sim, não, não” — ensinou-nos o Cristo de Deus. Hesitar em questões de fraternidade é estagnar-se, paralisando as mais elevadas funções da vida; por isso, frente à caridade, todo impasse é atraso na evolução.

Muita gente afirma temer compromisso na concretização da felicidade do próximo, no entanto pensará de outro modo se observar que a Divina Sabedoria não pede ao capim que produza laranjas, nem acalenta rosas em tratos de areia.

Sigamos pela trilha da decisão. Ninguém é chamado ao serviço que não possa fazer.

Luiz Mariano de Barros Fournier

VIEIRA, Waldo. “Seareiros de Volta”. Por Diversos Espíritos. 4.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1987. p. 56-57.

OS VISITANTES DE ALCIONE



Somos sabedores que desde a década de 1980, estão encarnando entre nós, seres prontos no saber e na luz. São eles oriundos da estrela de Alcione, estrela central da Constelação das Plêiades, e que em cada 26.000 anos, o nosso Sol faz sobre ela seu movimento de translação.

São Espíritos que se ofereceram para uma encarnação sacrifical para assim ajudar a higienizar os fluídos de nosso lar, a Terra.

São seres já a milhares de anos portadores da luz e do amor universal, e que, ao saber da posição da Terra em sua necessidade de passar a Planeta de Regeneração, e da grande dificuldade por que passamos, com grande criminalização, guerras, descriminações roubos e políticos corruptos. Livremente se ofereceram para ajudar a sanear a nossa pesada atmosfera

Já por duas oportunidades fomos avisados pelo grande benfeitor da humanidade, Bezerra de Menezes do que nos espera se não mudarmos radicalmente os nossos pensamento e atos.

Do Cinturão das Plêiades do qual fazem parte as Três Marias, o Governador da Terra (Nosso Senhor Jesus Cristo) buscou junto ao Cristo daquela Constelação, Espíritos que em busca de mais um degrau na escala evolutiva, se propusessem a reencarnar na Terra para o começo da purificação dos fluídos de nossa atmosfera, ao mesmo tempo, que nos ensinariam o caminho para o amor universal.

Para uma melhor compreensão, o nosso Sol tem um terceiro movimento que é o de translação em volta do Sistema de Alcione. Esse movimento, leva em torno de 25 a 26.000 anos para se completar. Acredita-se, que esse é o “não tempo” do calendário Maia, o fecho de um período de 26.000 anos. (25.920). Ao adentrarmos no cinturão de fótons, vamos estar também ao alcance do forte magnetismo do outros Corpos Celestes, mas, finalmente na Era de Luz de que a Terra e nós Espíritos encarnados e desencarnados estamos tão necessitados.

Soou o momento de intensificar o intercâmbio entre os terrícolas e os visitantes de Alcione... Eles já estão entre nós desde a década de 80, e de acordo como Espírito de Manoel Philomeno de Miranda, mais recentemente, na altura do tsunami acontecido na Indonésia em 26/12/2004, começaram a chegar mais seres de luz de Alcione, para se ajustarem a nossa psicosfera e já encaminhados para conhecerem seus futuros pais quando da libertação do sono. O choque foi sofrido quando adentraram nossa atmosfera cheia de fluídos negativos e pessimistas que cercam todo o Planeta até a altura das Colônias Espirituais.

Manoel Philomeno de Miranda é um Espírito de alta envergadura e acostumado especializado nos melindres da desobsessão e que trabalha incansavelmente com o seres obsedados e obsessores tentando mostrar a todos o caminho do amor universal. Está também trabalhando junto aos seres de Alcione procurando acostumá-los dentro de nossa psique facilitando assim, a evolução e apressando assim, as encarnações destes seres de luz.

E com relação a nós, Espíritos ainda encarnados? Certo é que a partir do ano de 2000, aqueles que se foram e se não mereceram, não mais voltarão a Terra, indo reencarnar em Planetas inferiores para ajudarem a evolução dos nativos destes planetas. Certo também é, que a partir do ano de 2000, não encarnam mais os Espírito não convertidos na caridade, fraternidade, no amor universal e na luz. A transição será vagarosa mas já começou, Hoje somos os trabalhadores da ultima hora chamado para trabalhar na vinha do Senhor. Façamos por merecer essa oportunidade derradeira e final retificando nossos atos e pensamentos.

Manoel Philomeno de Miranda fala sobre o tsunami ocorrido em 2004 na Indonésia através da mediunidade de Divaldo Franco no livro "Transição Planetária": “(...) o insólito e trágico choque das placas tectônicas gerador das imensas ondas destrutivas (tsunami), era aguardado, e que providências espirituais haviam sido tomadas, inclusive, construindo-se um posto de socorro espiritual sobre a região que sofreu mais danos decorrentes do epicentro da catástrofe.

Engenheiros e arquitetos desencarnados movimentaram-se com rapidez e edificaram uma comunidade de emergência, que a todos nos albergaria logo mais, recebendo também aqueles aos quais socorrêssemos.

Curiosamente ampliou os conhecimentos, informando que os ocidentais em férias que se fizeram vítimas, mantinham profunda ligação emocional com aquele povo e foram atraídos por forças magnéticas para resgatar, na ocasião, velhos compromissos que lhes pesavam na economia moral...

Nada acontece, sem os alicerces da causalidade!”

E na questão 728(LE) os Espíritos dizem: "Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos."

O livro dos Espíritos esclarece sobre as dores coletivas, informando que os erros do passado muitas vezes são ressarcidos assim. A Lei de Causa e Efeito reúne devedores em regiões e circunstâncias especiais, onde a natureza pode manifestar distúrbios de pequeno, médio ou grande porte. Não há perdas que não estejam dentro da programação divina. É preciso que se diga que milhares foram liberados dessas dores por terem se redimido com as ações do Bem e do Amor.

Além do resgate coletivo precisamos lembrar que, assim como nós, nosso planeta também ascenderá na escala dos mundos. Como está explicado na questão 41 de O Livro dos Espíritos, “Deus renova os mundos, como renova os seres vivos.” Como explica no livro A Gênese, cap. XI, item 15, Os planetas são formados de fluido cósmico universal. Com o tempo, estes planetas se esgotam pelo envelhecimento, por isso, dissolvem-se pouco a pouco devolvendo ao espaço o fluido cósmico que utilizaram para formar-se. Este fluido que é devolvido ao espaço será utilizado na formação de outros mundos.

Cada vez que os habitantes evoluem ESPIRITUALMENTE, o planeta sofre um decréscimo junto, ele se modifica, sofre perdas, não só em conseqüência do atrito, mas também pela desagregação das moléculas, como uma pedra dura que, corroída pelo tempo, acaba reduzida a poeira.

Em seu duplo movimento de rotação e translação, ele entrega ao espaço parcelas fluidificadas da sua substância, até ao momento em que se completa a sua dissolução. Como explica Manoel Philomeno de Miranda no livro “Transição Planetária”: “Fenômenos sísmicos aterradores sacodem o orbe com freqüência, despertando a solidariedade de outras nações, em relação àquelas que foram vitimadas(...) “As criaturas que persistirem na acomodação perversa da indiferença pela dor do seu irmão, que assinalarem a existência pela criminalidade conhecida ou ignorada, que firmarem pacto de adesão à extorsão, ao suborno, aos diversos comportamentos delituosos do denominado

colarinho branco, mantendo conduta egoísta, tripudiando sobre as aflições do próximo, comprazendo-se na luxúria e na drogadição, na exploração indébita de outras vidas, por um largo período não disporão de meios de permanecer na Terra, sendo exiladas para mundos inferiores, onde irão ser úteis limando as arestas das imperfeições morais, a fim de retornarem, mais tarde, ao seio generoso da mãe-Terra que hoje não quiseram respeitar.”

Em nossas observações noturnas espiando as estrelas, nós não temos condições nem de perto de saber o que ocorre neste Universo Infinito de Deus. Sabemos porque estamos aqui, de onde viemos e para onde iremos. Então! Qual é o mistério? O mistério está exatamente naquilo que Deus colocou dentro de cada um de nós para que com o tempo, viermos a descobrir. O tempo já chegou, e nós aqui ocupados, ganhando dinheiro, adquirindo bens, não que não se deva, mas lembramos da oração do “Pai Nosso”, que em uma das suas parte nos diz, “...O pão nosso de cada dia, daí-nos hoje...” Vejam, não é o pão da semana ou do mês, é o pão do dia que Jesus santificou em sua súplica ao Pai. Vamos nos voltar Para coisas realmente importantes. Adquirir! Sim ...

Mas não nos esqueçamos do Mais Alto.


Baseado no Livro “Transição Planetária” psicografado por Divaldo Franco, pelo Espírito de Manoel Philomeno de Miranda, no LIVRO DOS ESPÍRITOS, cap. III sob título DA CRIAÇÃO, sub-título, Formação dos mundos, itens do 37 ao 42, mais a questão 728, A GÊNESE em seu cap. XI, item 15 e filosofando sobre conhecimentos já

Estudados e usados mnemonicamente.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Arai e Semeai



Meus Filhos,

Que Jesus nos abençoe!


Antes que o Senhor ascendesse, estávamos reunidos com aqueles que leriam nas palavras de João, o futuro evangelista, a mensagem de libertação e de eternidade.


Naquele entardecer, rico de perfumes e de bênçãos, o Mestre inolvidável aparece e, distendendo os braços para afagar, aproxima aqueles quinhentos da Galiléia, no seu afável e dúlcido coração e diz-lhes:


— Ide, como as ovelhas mansas no meio de lobos rapaces. Ide e pregai, pois que vos dou o poder de libertar as criaturas dos sofrimentos... Eu vos dou a força para pisar a serpente do mal, sem que ela vos possa picar. Eu vos ofereço o meu coração, para que o apresenteis ao mundo. Não temais a ninguém, especialmente aqueles que somente vencem o corpo e não vos podem atingir a alma.

..E quando ascendeu em uma nuvem luminosa, aqueles que ali estavam, homens e mulheres, criancinhas e venerandos anciãos, saíram para levar a sua mensagem de liberdade aos quatro pontos do rnundo.


Ide, também vós outros, novos quinhentos da Galiléia, que renasceis da memória dos tempos, depois de naufrágios dolorosos e de prejuízos incalculáveis para a economia das vossas almas. Ide, e semeai a Era do amor. Não vos perturbeis com o mundo, com as suas facécias, nem temais as suas tenazes vigorosas e ameaçadoras. Aquele amoroso e meigo Rabi prossegue convosco e conosco, conduzindo-nos ao porto de segurança para onde rumam.

É verdade que o corpo físico é um desafio, a própria luta ante os recentes progressos constituí um desafio impostergável.

Cantai, exultantes de alegria, porque fostes chamados e estais sendo selecionados para os misteres mais delicados e graves da construção do reino de Deus. Se, por acaso, aninhar-se a dor em vossos sentimentos, bendizei-a. E nesse colóquio entre a alma que chora e a dor que deve estar cravada, dizei: bendita sejas, por te apresentares como espinho nas carnes da minha alma, impedindo-lhe tropeços mais dolorosos e mais perturbadores.

Se a incompreensão testar as vossas resistências eis que soa a oportunidade da tolerância e o momento da paciência, a fim de ser conquistado o contendor. E, em qualquer circunstancia amai. O amor é a força ciclópica que modela o Universo exteriorizado pelo Pai Criador. Com os sentimentos de amor, de bondade, guiados pela lógica de bronze da Doutrina Espírita, podereis dirigir os passos no rumo do Bem, com segurança, quando tudo aparentemente estiver contra vós.

Não temos outra alternativa, nem conhecemos outra diretriz que não sejam aquelas que estão expressas na palavra do Senhor: "Fazei todo o bem que vos esteja ao alcance. Amai os vossos inimigos, aos vossos perseguidores, servindo sempre", porque as mãos que obram nas trilhas da imortalidade estão colocando os alicerces da era do amor universal em nosso planeta, que está transitando para mundo de regeneração. Nunca estareis a sós. Vossos Guias, protetores e os anjos tutelares da lide espírita, em nome do Espírito de


Verdade, estarão sempre convosco.

Ide , filhos da alma, em paz, em retorno ao vosso campo de trabalho e arai, semeai, vigiai as plântulas, defendei-as até que possam, como árvores frondosas e frutíferas, albergar a sociedade cansada, desiludida e necessitada de paz, de pão e de amor.


Que o Senhor de bênçãos vos abençoe, meus filhos.


São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,


Bezerra

Psicofonia de Divaldo Franco

Autor: Bezerra de Menezes
Psicografia de Divaldo Franco

Adolfo Bezerra de Menezes


Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831 na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do Ceará.

Descendia Bezerra de Menezes de antiga família, das primeiras que vieram ao território cearense. Seu avô paterno, o coronel Antônio Bezerra de Souza e Menezes tomou parte da Confederação do Equador, e foi condenado à morte, pena comutada em degredo perpétuo para o interior do Maranhão, e que não foi cumprida porque o coronel faleceu a caminho do desterro, sendo seu corpo sepultado em Riacho do Sangue. Seus pais, Antônio Bezerra de Menezes, capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional, desencarnou em Maranguape, no dia 29 de setembro de 1851, de febre amarela; a mãe, Fabiana Cavalcanti de Alburquerque, nascida em 29 de setembro de 1791, desencarnou em Fortaleza, aos 91 anos de idade, perfeitamente lúcida, em 5 de agosto de 1882.

Desde estudante, o itinerário de Bezerra de Menezes foi muito significativo. Em 1838, no interior do Ceará, conheceu as primeiras letras, em escola da Vila do Frade, estando à altura do saber de seu mestre em 10 meses.

Já na Serra dos Martins, no Rio Grande do Norte, para onde se transferiu em 1842 com a família, por motivo de perseguições políticas, aprendeu latim em dois anos, a ponto de substituir o professor.

Em 1846, já em Fortaleza, sob as vistas do irmão mais velho, o Dr. Manoel Soares da Silva Bezerra, conceituado intelectual e líder católico, efetuou os estudos preparatórios, destacando-se entre os primeiros alunos do tradicional Liceu do Ceará.

Bezerra queria tornar-se médico, mas o pai, que enfrentava dificuldades financeiras, não podia custear-lhe os estudos. Em 1851, aos 19 anos, tomou ele a iniciativa de ir para o Rio de Janeiro, a então capital do Império, a fim de cursar medicina, levando consigo a importância de 400 mil réis, que os parentes lhe deram para ajudar na viagem.

No Rio de Janeiro, ingressou, em 1852, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia.

Para poder estudar, dava aula de filosofia e matemática. Doutorou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Em março de 1857, solicitou sua admissão no Corpo de Saúde do Exército, sentando praça em 20 de fevereiro de 1858, como cirurgião tenente.

Ainda em 1857, candidatou-se ao quadro dos membros titulares da Academia Imperial de Medicina com a memória "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento", sendo empossado em sessão de 1º de junho. Nesse mesmo ano, passou a colaborar na "Revista da Sociedade Físico-Química".

Em 6 de novembro de 1858, casou-se com a Sra. Maria Cândida de Lacerda, que desencarnou no início de 1863, deixando-lhe um casal de filhos.

Em 1859 passou a atuar como redator dos "Anais Brasilienses de Medicina", da Academia Imperial de Medicina, atividade que exerceu até 1861.

Em 21 de janeiro de 1865, casou-se, em segunda núpcias com Dona Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira esposa, com quem teve sete filhos.

Já em franca atividade médica, Bezerra de Menezes demonstrava o grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo entre os menos favorecidos da fortuna, o carinho, a dedicação e o alto valor profissional.

Foi justamente o respeito e o reconhecimento de numerosos amigos que o levaram à política, que ele, em mensagem ao deputado Freitas Nobre, seu conterrâneo e admirador, definiu como “a ciência de criar o bem de todos”.

Elegeu-se vereador para Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1860, pelo Partido Liberal.

Quando tentaram impugnar sua candidatura, sob a alegação de ser médico militar, demitiu-se do Corpo de Saúde do Exército. Na Câmara Municipal, desenvolveu grande trabalho em favor do “Município Neutro” e na defesa dos humildes e necessitados.

Foi reeleito com simpatia geral para o período de 1864-1868. Não se candidatou ao exercício de 1869 a 1872.

Em 1867, foi eleito deputado-geral (correspondente hoje a deputado federal) pelo Rio de Janeiro. Dissolvida a Câmara dos Deputados em 1868, com a subida dos conservadores ao poder, Bezerra dirigiu suas atividades para outras realizações que beneficiassem a cidade.

Em 1873, após quatro anos afastados da política, retomou suas atividades, novamente como vereador.

Em 1878, com a volta dos liberais ao poder, foi novamente eleito à Câmara dos Deputados, representando o Rio de Janeiro, cargo que exerceu até 1885.

Neste período, criou a Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos, que veio proporcionar-lhe pequena fortuna, mas que, por sua vez, foi também o sorvedouro dos seus bens, deixando-o completamente arruinado.

Em 1885, atingiu o fim de suas atividades políticas. Bezerra de Menezes atuou 30 anos na vida parlamentar. Outra missão o aguardava, esta mais nobre ainda, aquela de que o incumbira Ismael, não para o coroar de glórias, que perecem, mas para trazer sua mensagem à imortalidade.

O Espiritismo, qual novo maná celeste, já vinha atraindo multidões de crentes, a todos saciando na sua missão de consolador. Logo que apareceu a primeira tradução brasileira de “O Livro dos Espíritos”, em 1875, foi oferecido a Bezerra de Menezes um exemplar da obra pelo tradutor, Dr. Joaquim Carlos Travassos, que se ocultou sob o pseudônimo de Fortúnio.

Foram palavras do próprio Bezerra de Menezes, ao proceder a leitura de monumental obra: “Lia, mas não encontrava nada que fosse novo para meu espírito, entretanto tudo aquilo era novo para mim [...]. Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no Livro dos Espíritos [...]. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou mesmo, como se diz vulgarmente, de nascença”.

Contribuíram também, para torná-lo um adepto consciente, as extraordinárias curas que ele conseguiu, em 1882, do famoso médium receitista João Gonçalves do Nascimento.

Mais que um adepto, Bezerra de Menezes foi um defensor e um divulgador da Doutrina Espírita. Em 1883, recrudescia, de súbito, um movimento contrário ao Espiritismo e, naquele mesmo ano, fora lançado por Augusto Elias da Silva o “Reformador”, órgão oficial da Federação Espírita Brasileira e o periódico mais antigo do Brasil, ainda em circulação. Elias da Silva consultava Bezerra de Menezes sobre as melhores diretrizes a seguir em defesa dos ideais espíritas. O venerável médico aconselhava-o a contrapor-se ao ódio, o amor, e a agir com discrição, paciência e harmonia.

Bezerra não ficou, porém, no conselho teórico. Com as iniciais A. M., principiou a colaborar com o “Reformador”, emitindo comentários judiciosos sobre o Catolicismo.

Fundada a Federação Espírita Brasileira em 1884, Bezerra de Menezes não quis inscrever-se entre os fundadores, embora fosse amigo de todos os diretores e sobremaneira, admirado por eles.

Embora sua participação tivesse sido marcante até então, somente em 16 de agosto de 1886, aos 55 anos de idade, Bezerra de Menezes, perante grande público, em torno de 1.500 a 2.000 pessoas, no salão de Conferência da Guarda Velha, em longa alocução, justificou a sua opção definitiva de abraçar os princípios da consoladora doutrina.

Daí por diante Bezerra de Menezes foi o catalisador de todo o movimento espírita na Pátria do Cruzeiro, exatamente como preconizara Ismael.

Com sua cultura privilegiada, aliada ao descortino de homem público e ao inexcedível amor ao próximo, conduziu o barco de nossa doutrina por sobre as águas atribuladas pelo iluminismo fátuo, pelo cientificismo presunçoso, que pretendia deslustrar o grande significado da Codificação Kardequiana.

Presidente da FEB em 1889, ao espinhoso cargo foi reconduzido em 1895, quando mais se agigantava a maré da discórdia e das radicalizações no meio espírita, nele permanecendo até 1900, quando desencarnou.

O Dr. Bezerra de Menezes foi membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, da Sociedade Físicoquímica, sócio e benfeitor da Sociedade Propagadora das Belas-Artes, membro do Conselho do Liceu de Artes e presidente da Sociedade Beneficente Cearense.

Escreveu em jornais como “O Paiz”, redigiu “Sentinela da Liberdade”, os “Anais Brasilienses de Medicina”, colaborou na “Reforma”, na “Revista da Sociedade Físico-química” e no “Reformador”. Utilizava os pseudônimos de Max e Frei Gil.

O dicionarista J. F. Velho Sobrinho alinha extensa bibliografia de Bezerra de Menezes, relacionando para mais de quarenta obras escritas e publicadas.

São teses, romances, biografias, artigos, estudos, relatórios, etc.

Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, às 11h30min., tendo ao lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta.

Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio de uma clientela que nenhum médico queria; eram pessoas pobres, sem dinheiro para pagar consultas. Foi preciso constituir-se uma comissão para angariar donativos visando a possibilitar a manutenção da família. A comissão fora presidida por Quintino Bocaiuva.

Por ocasião de sua morte, assim se pronunciou Leon Denis, um dos maiores discípulos de Kardec: “Quando tais homens deixam de existir, enlutasse não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo”.


Fonte: Texto incluído nas obras que integram a Coleção Bezerra de


Menezes, publicada pela FEB

sábado, 25 de agosto de 2012

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA - MÊS SETEMBRO/12

DIA
LIVRO
ASSUNTO


01
VIDA FELIZ
LIVRO DOS ESPÍRITOS
LIÇÃO 64
558/569 – OCUPAÇÕES E MISSÕES
03,08
VIDA FELIZ
LIVRO DOS MÉDIUNS
LIÇÃO 65
291 – DAS PERGUNTAS
10,15
VIDA FELIZ
O ESPÍRITO DA VERDADE
LIÇÃO 66
62 - INDULGÊNCIA
17,22
VIDA FELIZ
LIVRO DOS ESPÍRITOS
LIÇÃO 67
570/584 - OCUPAÇÕES E MISSÕES
24,29
VIDA FELIZ
LIVRO DOS MÉDIUNS
LIÇÃO 68
292 – DAS PERGUNTAS

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Congresso Mundial em Cuba



O 7º. Congresso Espírita Mundial será realizado em Havana (Cuba), de 23 a 25 de março de 2013. Terá como tema central: "A Educação Espiritual e a Caridade na Construção de um Mundo de Paz" -150 anos de O Evangelho segundo o Espiritismo.




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A bênção do esquecimento


Um dos postulados básicos do espiritismo é o da pluralidade das existências ou reencarnação.
A evolução dos espíritos exige inúmeras existências para aperfeiçoar-se.
Todos são criados simples e ignorantes, mas seu destino é tornarem-se anjos.
A magnitude da meta evidencia a impossibilidade de ser alcançada no curto espaço de uma vida terrena.
Um questionamento freqüentemente levantado a essa idéia refere-se ao esquecimento das existências passadas.
Afirma-se que esse olvido é contraproducente.
Se já vivemos muitas vezes na terra, por que não nos lembramos?
Segundo alguns, a lembrança auxiliaria a não repetir os equívocos do passado.
Também serviria de incentivo à adoção de um patamar nobre de conduta.
Afinal, seria possível correlacionar as dores atuais a específicos erros de outrora.
Conseqüentemente, as criaturas teriam interesse em agir com dignidade.
A crítica parece sedutora, mas não resiste a uma análise criteriosa.
Tenha-se em mente que o esquecimento constitui a regra geral.
Raras pessoas têm, naturalmente, a lembrança de seu agir em outras existências.
A sabedoria divina certamente possui razões para assim estabelecer.
Convém recordar que a lei do progresso rege a vida.
Toda a criação está em permanente processo de evolução e metamorfose.
Na conformidade dessa lei, os espíritos não retroagem em suas conquistas.
As posições sociais mudam constantemente, mas ninguém é hoje pior do que já foi um dia.
As conquistas morais e intelectuais dos espíritos jamais são perdidas.
Assim, cada homem hoje se encontra no auge de seu processo evolutivo.
Ninguém nunca foi no passado mais bondoso ou nobre do que é agora.
Ocorre que a maioria absoluta da humanidade possui atualmente inúmeras mazelas morais.
Isso evidencia que o passado dos homens, em geral, não é repleto de nobres e belas ações.
Nesse contexto, o esquecimento das encarnações pretéritas constitui uma bênção.
No âmbito de uma única existência, quantas vezes a criatura deseja esquecer seus equívocos?
Não é fácil conviver com a lembrança de atos levianos.
Inúmeros relacionamentos periclitam pela dificuldade dos seres humanos relevarem os erros recíprocos.
E na verdade os erros são inerentes ao processo de aprender.
Não é possível sair da mais completa ignorância e transitar para a angelitude sem cometer equívocos nesse gigantesco caminhar.
Para propiciar os acertos necessários, a divindade permite o esquecimento do viver pretérito.
O que se viveu persiste na forma de intuições e tendências, simpatias e antipatias, facilidades e dificuldades.
Muitas vezes, o inimigo de ontem renasce na condição de um filho.
O esquecimento permite a transformação da mágoa em amor.
Ante o rostinho rosado e o olhar ingênuo de uma criança, torna-se possível amar a quem ontem odiávamos.
Quem outrora nos incomodava hoje nos auxilia na figura de um amigo ou irmão.
Sob a bênção do esquecimento, refundem-se as emoções e elos fraternos se estabelecem.
Assim, não é relevante lembrar o passado.
O importante é viver bem o presente.

Equipe de Redação do Momento Espírita.

O antigo hábito do duelo


O duelo figura na História da Humanidade como uma prática violenta e injusta.

Por muito tempo, as legislações admitiram esse genuíno resquício da barbárie.

Ele consistia na exaltação do mais desmedido e descontrolado orgulho, embora travestido de honra.

Sua lógica era a de que a honra se lavava com sangue.

Entretanto, o homem verdadeiramente honrado não precisa matar ninguém, a fim de atestar essa sua qualidade.

A honra é um atributo espiritual de quem cumpre todos os seus deveres, inclusive os de humanidade.

E é desumano matar alguém, por mais grave que seja a ofensa recebida.

Quando se admitia o duelo, era considerado prova de coragem dele participar.

Na verdade, tinha-se apenas exibicionismo social e arrogância, sem qualquer preocupação ética.

O duelista treinado não passava de um homicida.

Ele se lançava na empreitada ciente de sua supremacia.

Já o que aceitava o desafio sabendo-se em desvantagem cometia suicídio.

Ambos violavam os Códigos Divinos.

Teriam tempo de se arrepender do orgulho a que se entregavam.

Essa prática infeliz deixava viúvas e órfãos, por cujas dores e provações os duelistas no futuro responderiam.

Lentamente a legislação humana evoluiu.

Hoje não mais se admite o duelo.

Entende-se que a honra não se conquista ou se mantém à custa de homicídios ou suicídios.

Mas a criatura humana é sempre herdeira de suas más inclinações.

Antigos hábitos do passado espiritual não desaparecem com facilidade.

Orgulho, arrogância, prepotência, egoísmo, ódio e ressentimento são vícios que ainda pesam fundo na economia moral da Humanidade.

Esses sentimentos cruéis são a herança do que se viveu no pretérito remoto.

Superá-los é o dever de todo homem comprometido com ideais de paz e redenção.

Como visto, hoje não há mais duelos de vida e morte.

Mas as criaturas permanecem se digladiando por bobagens.

Embora não armados, tais confrontos permanecem bastante nocivos.

Eles tiram a paz e semeiam tragédias.

No lar, no ambiente de trabalho, no meio social, os indivíduos se melindram, com grande facilidade.

Ao invés de conversarem e acertarem as diferenças, cultivam mágoas e ódios, à semelhança de tesouros.

Tão nefasto cultivo um dia explode na forma de violentas discussões.

Na falta de coragem para enfrentar o presumido opositor, não são raros os que lançam mão da maledicência.

Tornam a vida do desafeto um inferno, ao espalhar em torno de seus passos as sementes da desconfiança.

Onde ele antes via sorrisos e simpatia, passa a confrontar má-vontade e cara feia.

Há ainda quem duele mentalmente, desejando o mal àquele que supostamente o ofendeu.

Os pensamentos negativos por vezes atingem o destinatário, se este vibra em faixa equivocada e também se entrega a remoques.

Mas sempre empestam a atmosfera espiritual de quem os emite e geram mal-estar e enfermidades.

Ciente dessa realidade, preste atenção a como você reage a provocações e desentendimentos.

Saiba que há mais coragem e sabedoria em relevar do que em revidar as ofensas.

Cesse com o triste hábito de duelar e ofender e passe a perdoar e compreender.

Uma vida honrada é a melhor resposta a provocações.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base
no cap. XVII, do livro Jesus e vida, pelo
Espírito Joanna de Angelis, psicografia
de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 12.02.2008.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Tentação

  Um espírito leva Jesus ao deserto "para ser tentado" pelo Diabo, diz a Bíblia em Mateus, IV:1.
Jesus é um ser espiritualmente elevado, considerando o próprio Deus para muitas pessoas, para outros, alguém que conquistou um degrau elevadíssimo na hierarquia celeste.
Um espírito dessa grandeza não necessita "ser provado" e muito menos ser "levado", podendo se descolar por si mesmo, à qualquer distancia. Mesmo que tal acontecesse, nenhum ser maligno ousaria tentá-lo.
  Comparando essa narrativa com o ambiente religioso atual, podemos supor, que a pregação de Jesus estivesse incomodando o clero dominante e, teria sido convidado ou intimado a comparecer perante os maiorais da igreja reunidos secretamente e ali tentaram suborná-lo, oferecendo-lhe riquezas e propriedades para que abandonasse sua posição de Messias.
  Diante da recusa de Jesus lembraram-se que ouviram dizer ser ele o próprio Filho de Deus e que com poder extraordinário conseguia curar muita gente.
  Furiosos, desafiaram Jesus para que saltasse do alto da torre do templo, onde estavam reunidos naquele momento, lembrando ao Mestre que, sendo Filho de Deus, seu Pai não permitiria que se ferisse, enviando seus anjos para ampará-lo.
  Conhecendo a maldade do inimigo e consciente que não podia provocar a ação Divina, Jesus declarou:"nÃO TENTARÁS O SENHOR TEU DEUS E SÓ A ELE SERVIRÁS", querendo dizer que ninguém, por muita fé que possua cometerá um ato insensato e força vaidosamente a proteção Divina.
Esse trecho Evangélico e outros parecidos criam erradamente ideia que Jesus se dizia Deus.


Octavio Borges da Silveira.
CEAC Maria Madalena

sexta-feira, 20 de julho de 2012

20 de julho - Dia do Amigo


Ação da Amizade

A amizade é o sentimento que imanta as almas unas às outras, gerando alegria e bem-estar.A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal.Inspiradora de coragem e de abnegação. a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas.
Há, no mundo moderno, muita falta de amizade!O egoísmo afasta as pessoas e as isola.A amizade as aproxima e irmana.O medo agride as almas e infelicita.A amizade apazigua e alegra os indivíduos.A desconfiança desarmoniza as vidas e a amizade equilibra as mentes, dulcificando os corações.
Na área dos amores de profundidade, a presença da amizade é fundamental.Ela nasce de uma expressão de simpatia, e firma-se com as raízes do afeto seguro, fincadas nas terras da alma.Quando outras emoções se estiolam no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada dos homens que se estimam.Se a amizade fugisse da Terra, a vida espiritual dos seres se esfacelaria.Ela é meiga e paciente, vigilante e ativa.
Discreta, apaga-se, para que brilhe aquele a quem se afeiçoa.Sustenta na fraqueza e liberta nos momentos de dor.A amizade é fácil de ser vitalizada.Cultivá-la, constitui um dever de todo aquele que pensa e aspira, porquanto, ninguém logra êxito, se avança com aridez na alam ou indiferente ao elevo da sua fluidez.Quando os impulsos sexuais do amor, nos nubentes, passam, a amizade fica.
Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, se existe amizade, não se rompem os liames da união.A amizade de Jesus pelos discípulos e pelas multidões dá-nos, até hoje, a dimensão do que é o amor na sua essência mais pura, demonstrando que ela é o passo inicial para essa conquista superior que é meta de todas as vidas e mandamento maior da Lei Divina.
Joanna de Ângelis

Livro:  Momentos de Esperança
Autor: Divaldo Pereira Franco