sábado, 15 de setembro de 2012

A Centelha anímica

Um bando de andorinhas ruma para o sul em busca de melhores paragens.

Tartarugas nadam sempre para a mesma praia quando vão desovar.

Um cardume surge com peixes posicionados e organizados, apresentando movimentos simultâneos, tal como soldados em “ordem unida”.

Certos animais pequenos, sem nunca terem aprendido, mudam de cor e confundem-se com seu meio ambiente, como defesa ou armadilha, demonstrando certo grau de algo parecido com inteligência.

Os pássaros trazem para seus filhotes o alimento necessário, colocando a refeição em seus bicos inexperientes.

Parece estranho que animais executem coisas que os homens só conseguem com muito exercício e aprendizado.

Dir-se-ia que uma única energia , uma só alma, rege e domina cada raça, cada família destes seres ditos irracionais.

Talvez uma única ordem seja sentida por todos ao mesmo tempo. Alguma coisa domina o grupo e o impele a agir em determinado sentido, sem prestar esclarecimentos, o que alias seria inútil para seres sem raciocínio.

Essa força, essa alma, que os homens chamam instinto muitas vezes com desprezo, não erra nunca e leva os vegetais e os animais a buscarem coisas para atender suas necessidades.

Esse domínio, a que os seres obedecem cegamente no inicio, vai aos poucos enfraquecendo com o despontar da inteligência, que devagar assume o comando.

Como pai zeloso, essa força dá ao filho o direito de caminhar por conta própria e aos poucos solta as mãos de seu pimpolho que às vezes caindo assume a responsabilidade de si mesmo.

A multiplicidade que a natureza nos apresenta com seu fulgurante esplendor nos mostra o amanhecer da vida em cada grupo, em cada família de vegetais e animais.

A atuação diferenciada do instinto nos animais com uma certa dose de inteligência em alguns deles, mostra-nos diferentes fases de evolução.daquela centelha anímica em busca de sua individualidade.

Com o progresso sucessivo em várias fases da vida, a centelha vais aos poucos libertando-se do grupo, assumindo características cada vez mais espontâneas.

Percorrendo o reino da natureza em cada ser que habita, esta centelha adquire experiências que acumulando-se lhe imprime impulso constante.

Existe um elo, um caminho em outras paragens astrais que os humanos desconhecem, onde a centelha anímica, rica em conhecimentos adquiridos em milhões de séculos, desperta para a humanidade.

Mas o ser, agora um espírito, mesmo sendo senhor de si, nunca será abandonado por seu criador que, como bom Pai que é, olha seu filho adulto com o mesmo carinho e cuidado de quando o tinha dependente em seus braços.


                                             Octavio Borges da Silveira

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