A caridade é um exercício espiritual... Quem pratica o bem, coloca em movimento as forças da alma. Chico Xavier
terça-feira, 15 de outubro de 2013
A história a seguir faz parte do livro "Aos Pés do Preto Velho" - Editora do Conhecimento
“Eu me
chamo Pai Ambrósio. Sou no Astral um preto velho, por simpatia a esta forma
espiritual, e obreiro socorrista desencarnado da igreja A...Também faço parte
do Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade, no qual o amigo Ramatís nos
autoriza a trabalhar e dele é o tutor espiritual. O médium que escreve meus
pensamentos é um dos componentes da corrente. Hoje estou acompanhando um grupo
de outros obreiros evangélicos que estarão visitando este centro de umbanda
pela primeira vez. Este intercâmbio ecumênico é comum do lado de cá,
infelizmente ao contrário daí. Vou contar um pouco da minha última vida na
carne para que os leitores possam compreender como cheguei aqui e como Deus é
bom.
Durante décadas freqüentei um mesmo
centro espírita na crosta, localizado na região central de uma grande capital
brasileira. Todos os dias em que ia para o labor espiritista, deixava meu carro
numa garagem próxima e andava algumas quadras até a sede do centro, passando
por uma vistosa praça. Sempre que atravessava por entre os bancos da praça, com
seu lindo chafariz central, lá estava um pastor evangélico aos berros citando o
Velho Testamento, doutrinando os “ventos”, pois geralmente estava só; vez que
outra um ou outro mendigo o escutava. Toda semana, infalivelmente, fazendo
chuva ou Sol, lá estava o pastor lendo a Bíblia e fazendo sua preleção, o que
para a minha racionalidade espírita era pura fascinação.
Passaram-se os anos, eu me tornei
dirigente de grupo, palestrante, eminente orador, coordenador da escola de
médiuns, diretor espiritual e finalmente presidente e membro de federação.
Assim como galguei degraus na hierarquia do centro, minha atividade
profissional como juiz federal também deslanchou e cheguei ao máximo da
carreira.
E lá estava ele, firme como uma
rocha intocável, o velho conhecido pastor evangélico, raramente com um terno
diferente. A sua Bíblia já gasta e amarelada, ele estático naquela atividade e
eu bem sucedido profissionalmente e no topo de uma tarefa espiritual. Olhava-o
e tinha pena da criatura, ensimesmada nas leis mosaicas e impenetrável às luzes
libertadoras de Jesus reforçadas com a Boa Nova do espiritismo. Por vezes
cheguei a abordá-lo, dizer da sua perda de tempo, recomendando a ele comparecer
ao centro que eu dirigia, mas ele sempre me olhava com olhos de quem via algo
que eu não via; dizia que me perdoava pelo erro de julgamento e continuava as
suas preleções aos poucos transeuntes que paravam para escutá-lo. Envelhecemos
juntos, literalmente lado a lado, nos encontrando toda semana.
Chamava-me a atenção a sua
pontualidade e férrea regularidade no comparecimento à praça. Muitas vezes
citei-o como exemplo de persistência em nossas reuniões de conselho na
federação, brincando com os outros dirigentes, pois se até um pastor evangélico
conseguia ser assíduo no seu templo-praça, sofrendo as intempéries climáticas
forçosamente na cabeça, com certeza eles conseguiriam regularidade nos centros
que dirigiam, ou não éramos espíritas de verdade.
Enfim, minha derradeira hora
chegou e desencarnei como presidente de centro renomado, eminente espírita e
desembargador aposentado. Qual não foi a minha surpresa ao constatar que não
fui para nenhuma colônia e muito menos visualizei qualquer mentor espiritual!
Não tendo ocupação no além-túmulo, fiquei perambulando no centro espírita,
continuando a mandar nos médiuns que, pasmem, obedeciam às minhas ordens
mentais. Não sei quanto tempo se passou, mas era como se eu ainda estivesse
vivo e trabalhando no centro ao qual tinha me dedicado por tanto anos.
Certa noite, quando menos esperava,
fui atraído por uma força centrípeta incontrolável e me vi fixado no corpo de
um médium, como se estivesse dentro dele, e pude falar normalmente com os vivos
da mesa como se fosse dono da cognição e psicomotricidade daquele amontoado de
carne quente que me acolhia. Senti um bem-estar que há muito já havia esquecido
que existia. Disse-lhes que eu continuava o presidente, que não os abandonara e
tinha algumas orientações a dar, pois estava contrariado com as recentes
mudanças, que as coisas tinham que voltar a ser como eram. Pasmado, escutei o
doutrinador me esclarecer que já tinham se passado dez anos do meu desencarne,
que estava na hora da minha libertação da Terra, que eu não poderia mais ficar
ali junto com os médiuns. Agradeci e disse que estava à disposição para ir para
uma colônia espiritual no Astral Superior, que deveria ser o meu lugar, por
inquestionável direito conquistado e reconhecida obra realizada. Ao terminar de
falar, senti uma sonolência gostosa, um leve torpor acompanhado de uma força de
sucção centrífuga, puxando-me para trás pela nuca, e senti um calafrio ao
desacoplar-me do médium.
Suave e repentinamente
desvaneceram-se todas as formas da construção em que eu estava e vi-me numa
estrada escura e completamente solitário. Andei, andei e andei e nunca
encontrava ninguém. Tanto caminhei que as solas do meu sapato ficaram gastas e
comecei a andar descalço, sentindo muita fome, sede e cansaço. Um dia, com
feridas sob as solas dos pés e pústulas fétidas nas canelas que tinham se
formado pelos constantes arranhões de galhos secos que encontrava em meu
caminho, sento no chão e começo a orar ao Alto:
- Pai Santíssimo, porque me
abandonaste? Eu que sempre me dediquei ao centro, ampliei-o, expandi os
trabalhos, aumentei o número de freqüentadores, sistematizei a escola de
médiuns, estruturei o departamento social, aumentei o quadro de associados,
ampliei a livraria e a arrecadação... por que, meu Pai, por quê???
Sentado, batia com as mãos no chão
num choro de raiva e autocomiseração, sentindo pena de mim mesmo.
Aos poucos, foi surgindo uma luzinha ao longe: parecia
um vagalume se aproximando. A luz paulatinamente foi crescendo e pude ver um
homem com uma vela num castiçal e uma Bíblia embaixo do braço se aproximando,
cada vez mais perto, mais perto:
- O quê!? Não acredito! Você, o
pastor evangélico! O que faz aqui? Cadê os socorristas do centro? Os
caravaneiros de Maria de Nazaré? Os confrades amigos?
- Meu querido irmão, Jesus a todos
nos conforta e de ninguém se faz ausente. Posso ajudá-lo? Venha comigo!
- Nunca. Você é um inepto sem
estudo e formação teológica, que nada realizou em toda uma encarnação. Como
pode agora querer me socorrer, eu, um jurista irrefutável, elevado tribuno e
renomado presidente de centro espírita?
- Meu caro, olhe a sua situação:
você nem consegue ficar em pé, seus cabelos estão longos e desgrenhados, suas
unhas enormes, suas roupas em farrapos, suas pernas purulentas e o seu
semblante chupado qual cadáver andando na noite. Está fraco, com fome e sede,
mas não verga seu orgulho insano. Precisa de ajuda e cá estou ao seu lado, o
primeiro desencarnado que comparece em seu auxílio. Ou já viu algum outro?
- É verdade, tenho que admitir que
nunca enxerguei nenhum, você é o primeiro, para a minha decepção. O que houve?
Por que o meu abandono? O que eu fiz de errado? Onde está o amor fraternal e
consolador tão apregoado nas hostes espiritistas?
- Querido irmão, o amor de Jesus
está aqui e igualmente em todos os lugares a que vamos, sempre ficando com cada
um de nós. Você não o sente pois desgarrou-se do Seu rebanho. Mas
tranqüilize-se, eis que nunca esteve perdido.
- Mas o que houve? Ao menos você,
mesmo nada tendo realizado, me diga!
- Amado irmão, temos que reconhecer
que fez consideravelmente em favor da doutrina e da causa que abraçou. Todavia,
se muito fez, muito mais recebeu em vida. Deixou-se contaminar-se pelo vício do
reconhecimento e com o “sucesso” e brilho intelectual de renomado dirigente
espírita.
- Mas tudo o que fiz de nada valeu?
- Claro que foram de grande valia
para a coletividade, mas de muito maior valia foram para o gozo do seu ego.
Recebeu na carne todos os bônus pelo seu trabalho e voltou para cá devedor,
pois por muitas vezes não fez por altruísmo ou caridade, mas unicamente pelo
anseio dos elogios e consagração do seu sacerdócio frente aos seus pares.
- Quem é você para me julgar, um
inepto que nada fez?
- Meu caro, se o julgo, é para que
desperte da chama da vaidade. Com a mesma medida com que medimos somos medidos.
Meço-o para socorrê-lo. E você, que por anos e anos a fio me julgou, por
simples escárnio e senso de superioridade? Quantas vezes fui motivo de piada
sua entre seus pares, nos corredores do centro? Na verdade está em débito com a
Lei Divina. Seja humilde e deixe-me interceder em seu favor, levando-o daqui
para um lugar melhor.
Neste momento, a Bíblia do pastor
ficou luminosa como se fosse ouro fosforescente e vi-o pregando em praça
pública com centenas de espíritos desencarnados em volta, escutando-o. Ao mesmo
tempo, falanges de socorristas dos centros espíritas e de umbanda próximos
atendiam-nos; padres, enfermeiros, caboclos e pretos velhos unidos auxiliando
os sofredores perdidos – colocavam-nos em macas e os levavam para os diversos
hospitais do Astral. Enfim, compreendi tudo. Oh Deus, como estive errado em
toda uma existência!!!
- Sim, é verdade. Diante do que você fez,
no silêncio de uma vida, eu nada realizei, quando me comparo. Você que foi alvo
do meu barulhento escárnio, trabalhou em silêncio com afinco e humildade. Eu
sempre usei minha intelecção para as glórias efêmeras do reconhecimento de meus
confrades. Recebi em vida e devo ainda muito. Você nada recebeu na Terra,
acumulando para quando voltasse para a vida real do espírito. Pode me emprestar
alguns vinténs no livro da contabilidade sideral? Aceito a sua ajuda e peço o
seu perdão.
- Nada tenho a perdoar, querido
irmão, pois em nada me ofendeu. Aquele que não se ofende não tem o que perdoar.
Vamos, dê-me as mãos e partamos logo daqui.
Com choro sincero, não só estendi a mão
como abracei ardentemente aquele pastor evangélico como nunca me lembro de ter
abraçado alguém.Adormeci como uma criança que é levada para a cama por um vovô
protetor e bondoso.
Acordei numa espécie de internato
evangelista no astral, alimentado, vestido, limpo e num quarto com linda vista
para um jardim florido em dia ensolarado. Suave cheiro de jasmim impregnava o
ambiente e um lindo canário amarelo chilreava na janela. Um educado monsenhor
entra e diz-me que tinha desencarnado fazia 20 anos. Passara dez anos no centro
espírita, no meio dos encarnados, até que fui “removido” numa sessão de
desobsessão. Ocorre que eu, não tendo merecimento para ser socorrido, tive que
ficar mais dez anos andando a sós numa estrada escura, que em verdade era uma
concha astral refletindo meu estado egoísta e solitário de consciência. Eu
mesmo me bastei por anos e anos na Terra, sempre mandando nos outros, e tive
que ficar sozinho uma década para vencer o meu orgulho de Hércules e
permitir-me ser ajudado.
Enfim, para a minha história não se alongar
demais, hoje sou um obreiro socorrista num igreja evangélica e conduzo para a
umbanda os espíritos afins com a egrégora dos Orixás, caboclos, pretos velhos e
exus. Eu ainda tenho muito que aprender a obedecer e a colocar a “mão na
massa”. Vou também seguidamente junto com os pastores que fazem pregações nas
praças e ajudo socorrendo os sofredores desencarnados que se amontoam em
volta.
Hoje compareci para contar um pouco da minha história,
participar de mais uma gira de umbanda que ocorrerá daqui a pouco e contribuir
com Pai Tomé e Ramatís, testemunhado a verdade do lado de cá - estamos todos
unidos em nome de Jesus, num congraçamento espiritualista ecumênico, amoroso,
eclético e universalista que se une na essência do amor e se desvincula das
formas transitórias terrenas, sectárias e que tanto separam os homens do Cristo
Interno.
Sou o Pai Ambrósio, por simpatia um
negro véio, simples obreiro socorrista em nome de Nosso Senhor Jesus, não
importa onde nem com quem.
Muito obrigado e muita paz para todos os espiritualistas
da Terra.”
Ao final da comunicação, escutei um ponto
que foi cantado por um coral de entidades que haviam sido socorridas em outras
ocasiões por Pai Ambrósio...
Chegou Pai Ambrósio, chegou
Pra salvar os filhos de fé
Na Umbanda só se vence com amor
E ele vem, na linha do Senhor
E ele vem, em nome do Senhor
Nota de Ramatís - 1: As sábias Leis Divinas impõem quitação de até o
último centavo das vossas dívidas cármicas. Ao invés de ferrenho juiz, o Pai é
benevolência incondicional e contempla na engenharia do Cosmo mecanismos
inexoráveis à redenção pelo amor, para alcance dos planos angelicais.
O pastor que passou uma encarnação pregando na praça
pública e socorrendo desencarnados redimiu-se de sua encarnação como ferrenho
sacerdote inquisidor que mandou centenas de benzedeiras, curadores,
quiromantes, boticários e ciganos para as fogueiras. Atuava instalando
pequenos, ágeis e móveis tribunais inquisitoriais nas praças medievais das
pequenas vilas e cidades da época, especializando-se em julgar os aldeões e
nômades pagãos que não haviam se convertido ao catolicismo. Por sua vez, o
ex-presidente do centro espírita fora seu fiel amigo cardeal e sacerdote chefe
do temido Santo Ofício espanhol, que o acobertava nos assassínios fratricidas
em nome do Cordeiro. Ambos espíritos muito endividados com a contabilidade
sideral, nos entrecruzamentos da verdadeira vida do espírito imortal,
encontraram-se mais uma vez para resgatarem reciprocamente suas dívidas.No
momento o antigo pastor está encarnado, desempenhando importantes tarefas como
médium de cura em renomado centro universalista ecumênico em vossa capital
federal, e o ex-líder espírita é dedicado obreiro do lado de cá na causa de
Jesus, desempenhado atividades como mais um anônimo preto velho na Umbanda.
Nota de Ramatís – 2: “Não há desdouro nem desmentido no processo
evolutivo da alma imortal, quando, apesar do seu avanço intelectual e
científico no mundo terreno, precisar envergar o traje humilde do preto velho
ou do caboclo rústico, a fim de conseguir o seu reajustamento espiritual
combalido e tão prejudicado no pretérito. Em verdade, trata-se apenas de um
estágio ou espécie de descanso intelectual, em que o espírito superexcitado por
excessivo racionalismo efetua salutar decantação de sua personalidade humana
que fora muito envaidecida com as lantejoulas brilhantes do cenário terreno!
Sem os louvores e o destaque que lhe nutriam a vaidade
no passado, o sábio, o estadista, o médico ou cientista então efetuam
verdadeiro "dreno" psíquico e o expurgo do tóxico intelectual
produzido pelo orgulho ou vaidade da velha personalidade humana. A inteligência,
a capacidade e a prepotência incomuns do passado atrofiam-se pela ausência de
estímulos pessoais e relevos decorativos no seio da Humanidade.
Eis por que não opomos dúvida quanto à possibilidade de
espíritos cultos de sábios, cientistas ou médicos famosos virem a
manifestarem-se nos terreiros de umbanda ou mesmo junto às mesas kardecistas
sob o traje humilde do preto velho ou da vestimenta apagada do caboclo.”
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Homenagem a Maria Madalena - maio de 2013 - Súplica de Mulher
Súplica de mulher
Livro: “Maria Dolores” – Psicografia: Francisco C. Xavier – Espírito: Maria Dolores
Mensagem de Eurípides Barsanulfo
Irmãos queridos:
Diante dessa crise que se abate sobre o nosso povo, face a essa onda de pessimismo que toma conta dos brasileiros, frente aos embates que o país atravessa, nós, os seus companheiros, trazemos na noite de hoje a nossa mensagem de fé, de coragem e de estímulo. Estamos irradiando-a para todas as reuniões mediúnicas que estão sendo realizadas neste instante, de norte a sul do Brasil. Durante vários dias estaremos repetindo a nossa palavra, a fim de que maior número de médiuns possa captá-la. Cada um destes que sintonizar nesta faixa vibratória dará a sua interpretação, de acordo com o entendimento e a gradação que lhe forem peculiares.
Estamos convidando todos os espíritas para se engajarem nesta campanha. Há urgente necessidade de que a fé, a esperança e o otimismo renasçam nos corações. A onda de pessimismo, de descrédito e de desalento é tão grande que, mesmo aqueles que estão bem intencionados e aspirando realizar algo de construtivo e útil para o país, em qualquer nível, veem-se tolhidos em seus propósitos, sufocados nos seus anseios, esbarrando em barreiras quase intransponíveis.
É preciso modificar esse clima espiritual. É imperioso que o sopro renovador de confiança, de fé nos altos destinos de nossa nação, varra para longe os miasmas do desalento e do desânimo. É necessário abrir clareiras e espaços para que brilhe a luz da esperança. Somente através de esperança conseguiremos, de novo, arregimentar as forças de nosso povo sofrido e cansado.
Os espíritas não devem engrossar as fileiras do desalento. Temos o dever inadiável de transmitir coragem, infundir ânimo, reaquecer esperanças e despertar a fé! Ah! a fé no nosso futuro! A certeza de que estamos destinados a uma nobre missão no concerto dos povos, mas que a nossa vacilação, a nossa incúria podem retardar. Responsabilidade nossa. Tarefa nossa. Estamos cientes de tudo isto e nos deixamos levar pelo desânimo, este vírus de perigo inimaginável.
O desânimo e seus companheiros, o desalento, a descrença, a incerteza, o pessimismo, andam juntos e contagiam muito sutilmente, enfraquecendo o indivíduo, os grupos, a própria comunidade. São como o cupim a corroer, no silêncio, as estruturas. Não raras vezes, insuflado por mentes em desalinho, por inimigos do progresso, por agentes do caos, esse vírus se expande e se alastra, por contágio, derrotando o ser humano antes da luta. Diante desse quadro de forças negativas, tornam-se muito difíceis quaisquer reações. Portanto, cabe aos espíritas o dever de lutar pela transformação deste estado geral.
Que cada Centro, cada grupo, cada reunião promova nossa campanha. Que haja uma renovação dessa psicosfera sombria e que as pessoas realmente sofredoras e abatidas pelas provações, encontrem em nossas Casas um clima de paz, de otimismo e de esperança! Que vocês levem a nossa palavra a toda parte. Aqueles que possam fazê-lo, transmitam-na através dos meios de comunicação. Precisamos contagiar o nosso Movimento com estas forças positivas, a fim de ajudarmos efetivamente o nosso país a crescer e a caminhar no rumo do progresso.
São essas forças que impelem o indivíduo ao trabalho, a acreditar em si mesmo, no seu próprio valor e capacidade. São essas forças que o levam a crer e lutar por um futuro melhor. Meus irmãos, o mundo não é uma nau à matroca. Nós sabemos que “Jesus está no leme!” e que não iremos soçobrar. Basta de dúvidas e incertezas que somente retardam o avanço e prejudicam o trabalho.Sejamos solidários, sim, com a dor de nosso próximo. Façamos por ele o que estiver ao nosso alcance. Temos o dever indeclinável de fazê-lo, sobretudo transmitindo o esclarecimento que a Doutrina Espírita proporciona. Mas também, que a solidariedade exista em nossas fileiras, para que prossigamos no trabalho abençoado, unidos e confiantes na preparação do futuro de paz por todos almejado. E não esqueçamos de que, se o Brasil “é o coração do mundo”, somente será a “pátria do Evangelho” se este Evangelho estiver sendo sentido e vivido por cada um de nós”.
Mensagem recebida no Centro Espirita “Jesus no Lar” - 10/05/2013
Medium - Suely Caldas Schubert
terça-feira, 21 de maio de 2013
SÚPLICA DE MULHER
E disseste Senhor: “Ide e pregai”.
Aqui estou
Para ouvir-te a palavra e dar-lhe desempenho,
Muito embora os defeitos que ainda tenho,
Para estender às criaturas
As notícias do amor de Nosso Pai...
Que dizer, entretanto,
Ao coração que se encharcou de pranto
Pelo extremo cansaço?
Ao companheiro que se entrega ao crime,
Sem que eu consiga desarmar-lhe o braço?
Ao homem sem apoio a que se arrime,
Vendo um filhinho enfermo,
Entre a penúria e a morte?
E ao outro que se rende a desmando profundo,
Criando chagas vivas para o mundo
Sem mão que as reconforte?
Que falarei, Senhor,
À criança que vaga sem amor,
Ao coração de Mãe com um filho ao colo,
A estirar-se no solo,
Em aflição tremenda,
Com febre e inanição,
Sem qualquer agasalho que as defenda,
Sem qualquer proteção?
Que palavras direi, Senhor Jesus,
Aos que andam sem luz.
E anseiam por fugir, num derradeiro aceno,
Entornando na boca a dose de veneno?
Que frases tecerei, Amado Amigo,
Aos que vão, em saber, entre a sombra e o perigo,
Nas trilhas da descrença
Sobre as quais se conjuga
A droga utilizada para a fuga?
Aos que caem, por fim, no desespero inglório,
Buscando apoio e luz, na paz de um sanatório?
Que falarei, Senhor,
Aos que perderam corações queridos
E esquadrinham na lousa
O conforto que tarda,
Procurando na cinza o que a cinza não guarda?
Que direi aos doentes
Que acordam sobre a mesa
De abençoada cirurgia,
Ao se verem sem mãos
Ou reclamando as pernas amputadas?
Que direi, meu Jesus,
Aos pais que viram mortos
Filhos queridos nas estradas
Ou nas pedras da rua,
Através de terríveis acidentes,
Sem saberem que a vida continua
Em planos diferentes?
Ah! sim, Jesus, já sei o que dizer...
Direi que sempre existes
E que reanimarás todos os tristes,
Que pela fé que nos alcança
Temos contigo a fonte da esperança;
Que a ninguém deixarás, de espírito sozinho,
Que nos socorrerás de caminho em caminho,
Na proteção com que nos agasalhas,
Que embora as nossas falhas,
Nós todos somos teus
Tutelados que levas para Deus!...
E se alguém estranhar
Seja eu a singela mensageira
A proclamar o brilho de teu nome,
Dentro da imperfeição que me consome
E nas fraquezas de que me assinalo,
Direi aos companheiros de quem falo
Dos amados amigos que me deste,
Que te espalham no mundo a Bondade Celeste,
Trabalhando e servindo, em qualquer parte,
Ao seguir-te e ao louvar-te...
E, quanto a mim, Senhor,
Que me entrego, de todo e sem reservas,
Ao teu apostolado redentor,
Explicarei que me conservas,
Em minha ignorância e pequenez,
Tão-só para levar,
Seja onde for,
O meu simples cartaz
Enfeitado de amor,
Entre flores de paz,
Sobre o qual escrevi
Com tua permissão,
Estas sete palavras de oração,
De fé, respeito e luz:
- “Confiamos em Deus na bênção de Jesus”.
FONTE: Livro: “Maria Dolores” – Psicografia: Francisco C. Xavier – Espírito: Maria Dolores
domingo, 19 de maio de 2013
Amor e Perdão
E Madalena fora ao túmulo querido
Entre pedras de extremo desconforto...
Levava flores para o Mestre morto,
Tinha o peito magoado e enternecido.
O Sol reaparecia, resplendente,
A névoa da manhã fundia-se no ar,
Na dourada invasão das flamas do Nascente,
Maria estava ali, unicamente,
A fim de estar a sós, recolher-se e chorar.
A desfazer-se em pranto, ela argüía:
- “Por que, por que Senhor?
Tanta saudade e tanta dor?!...
Toda a felicidade que eu sentia
Jaz aqui sepultada...
Transformou-se-me a vida em sombra e nada
No ermo deste pouso derradeiro...”
Nisso, ela viu alguém... Seria um jardineiro?
Um zelador daquele campo santo?
Mas tomada de espanto,
Viu-se à frente do Mestre Nazareno,
O excelso benfeitor ressuscitado,
A envolver-lhe de paz o coração cansado...
Ela gritou: “Senhor!”
Ele disse: “Maria!”
Ela era a expressão da perfeita alegria,
Ele, o perfeito amor.
Madalena ajoelhou-se e quis beijar-lhe os pés...
- “Maria, por quem és” – explicou-se
“Não me toques, porquanto
não te esperava aqui neste recanto,
e ainda não fui ao Pai revestir-me de luz...”
Maria, surpreendida,
indagou em seguida:
- “Senhor, onde estiveste?
Em que jardim celeste
Encontraste o descanso necessário,
Que vem de Deus, nos dons da paz completa?
Perdoa-me, Senhor, a pergunta indiscreta,
Dói-me, porém, pensar na angústia do Calvário,
Revolto-me, padeço, mas não venço
A mágoa de lembrar-te o sacrifício imenso”
Mas Jesus respondeu:
- “Não, Maria, não fui ainda ao Alto,
Nem me elevei sequer um palmo à luz do firmamento,
Quem ama não consegue achar o Céu de um salto...
Ao invés de subir aos Altos Resplendores,
Desci, mas desci muito aos reinos inferiores...
Despertando no túmulo, escutei
Os gritos da aflição de alguém que muito amei
E que muito amo ainda...
Embora visse Além, a Luz sempre mais linda,
Sentia nesse alguém um amado companheiro,
Em crises de tristeza e de loucura...
Fui à sombra abismal para a grande procura
E ao reencontra-lo amargurado e louco,
A ponto de não mais me conhecer,
Demorei-me a afaga-lo e, pouco a pouco,
Consegui que ele, enfim, pudesse adormecer...”
- “Senhor” – interrogou a Madalena
“Quem é o amigo que te fez descer,
Antes de procurar a luz do Pai?”
Mas Jesus replicou, em voz clara e serena:
- “Maria,
um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai...
Antes de me altear à Celeste Alegria,
Ao sol do mesmo amor a Deus, em que te enlevas,
Vali-me, após a cruz, das grandes horas mudas,
E desci para as trevas,
A fim de aliviar a imensa dor de Judas”.
Do livro: Coração e Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier
Entre pedras de extremo desconforto...
Levava flores para o Mestre morto,
Tinha o peito magoado e enternecido.
O Sol reaparecia, resplendente,
A névoa da manhã fundia-se no ar,
Na dourada invasão das flamas do Nascente,
Maria estava ali, unicamente,
A fim de estar a sós, recolher-se e chorar.
A desfazer-se em pranto, ela argüía:
- “Por que, por que Senhor?
Tanta saudade e tanta dor?!...
Toda a felicidade que eu sentia
Jaz aqui sepultada...
Transformou-se-me a vida em sombra e nada
No ermo deste pouso derradeiro...”
Nisso, ela viu alguém... Seria um jardineiro?
Um zelador daquele campo santo?
Mas tomada de espanto,
Viu-se à frente do Mestre Nazareno,
O excelso benfeitor ressuscitado,
A envolver-lhe de paz o coração cansado...
Ela gritou: “Senhor!”
Ele disse: “Maria!”
Ela era a expressão da perfeita alegria,
Ele, o perfeito amor.
Madalena ajoelhou-se e quis beijar-lhe os pés...
- “Maria, por quem és” – explicou-se
“Não me toques, porquanto
não te esperava aqui neste recanto,
e ainda não fui ao Pai revestir-me de luz...”
Maria, surpreendida,
indagou em seguida:
- “Senhor, onde estiveste?
Em que jardim celeste
Encontraste o descanso necessário,
Que vem de Deus, nos dons da paz completa?
Perdoa-me, Senhor, a pergunta indiscreta,
Dói-me, porém, pensar na angústia do Calvário,
Revolto-me, padeço, mas não venço
A mágoa de lembrar-te o sacrifício imenso”
Mas Jesus respondeu:
- “Não, Maria, não fui ainda ao Alto,
Nem me elevei sequer um palmo à luz do firmamento,
Quem ama não consegue achar o Céu de um salto...
Ao invés de subir aos Altos Resplendores,
Desci, mas desci muito aos reinos inferiores...
Despertando no túmulo, escutei
Os gritos da aflição de alguém que muito amei
E que muito amo ainda...
Embora visse Além, a Luz sempre mais linda,
Sentia nesse alguém um amado companheiro,
Em crises de tristeza e de loucura...
Fui à sombra abismal para a grande procura
E ao reencontra-lo amargurado e louco,
A ponto de não mais me conhecer,
Demorei-me a afaga-lo e, pouco a pouco,
Consegui que ele, enfim, pudesse adormecer...”
- “Senhor” – interrogou a Madalena
“Quem é o amigo que te fez descer,
Antes de procurar a luz do Pai?”
Mas Jesus replicou, em voz clara e serena:
- “Maria,
um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai...
Antes de me altear à Celeste Alegria,
Ao sol do mesmo amor a Deus, em que te enlevas,
Vali-me, após a cruz, das grandes horas mudas,
E desci para as trevas,
A fim de aliviar a imensa dor de Judas”.
Maria Dolores
Maria Dolores, nasceu na cidade de Bonfim da Feira, estado da Bahia, aos 10 de setembro de 1901. Dedicou-se à poesia e ao jornalismo. Em Salvador assinou a página feminina do Jornal "O Imparcial" durante 13 anos, época em que também lecionava humanidades. Receando a apreciação da crítica especializada, guardou para si sua obra poética durante muito tempo, segundo confessa no prefácio do livro "Ciranda da Vida". Sua primeira obra publicada foi em benefício da instituição "Lar das Meninas Sem Lar", fato esse que propiciou sua entrada no mundo literário. Dedicou-se ao amparo das crianças assistidas pela citada instituição, estendeu sua obra benemérita abrigando em seu próprio lar crianças desvalidas, orientando-as e assistindo-as. A "Casa de Juvenal Galeno", no estado do Ceará, também recebeu o carinho e a ternura de Maria Dolores. Em 27 de julho de 1958 veio a desencarnar. No ano de 1971, através do médium Francisco Cândido Xavier, sua obra poética continua, presenteando-nos com a ternura dos seus ensinamentos transbordantes de amor e fé. Desde então envia, pelas mãos abençoadas do médium mineiro, suas páginas normalmente em forma de poesia e rimas, sendo muito comum enviar as tradicionais mensagens das mães e do Natal, por ocasião destas comemorações. Foi o espírito encarregado de enviar a mensagem "Dádivas de Amor" em vista da desencarnação do Sr. José Gonçalves Pereira.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Mediunidade
No entendimento do Espiritismo, mediunidade não é sagrada, não é mística, não é mágica, não é sobrenatural. Não se alcança através de rituais ou de fórmulas predeterminadas. A sua prática é racional, equilibrada, transparente, fruto da persistência e da continuidade. O seu exercício envolve objetivo, planejamento e estruturação do processo.
A mediunidade não serve para “falar com os mortos”, pois os espíritos desencarnados não se enquadram nesta concepção do imaginário da cultura material. A mediunidade não se reduz a um balcão de atendimento ao qual se recorre para resolver problemas. Não serve para dizer o que as pessoas devem fazer ou para decidir seu futuro, tolhendo o seu livre-arbítrio.
Para a Doutrina Espírita, mediunidade não deve ser vista como “transe”. Mediunidade é sintonia e troca de experiência entre espíritos desencarnados e encarnados. Não há perda de consciência, não há anulação. Há soma das experiências das partes envolvidas, trazendo superação.
A mediunidade não “serve contra mau olhado” , não “serve para ganhar na loteria”, não serve para justificar comportamentos anormais. Não “serve para desobsidiar espíritos”. Não é “dom”, não é “graça”, não é castigo ou punição. É trabalho contínuo para a construção de um momento diferente, evidenciado no comportamento de cada um.
A mediunidade não faz milagres. Não concede “poderes” especiais. Ela não é fonte de todo o conhecimento. Os espíritos encarnados e os desencarnados envolvidos no processo mediúnico só conhecem alguma coisa na medida de suas experiências e de suas vivências. A mediunidade não é exclusiva de algumas pessoas. Ela é uma capacidade, uma faculdade do espírito, que se aperfeiçoa pelo exercício e esforço pessoal. Ela é de todo o grupo cultural e está intimamente ligada aos seus valores e sentimentos.
A mediunidade não está pronta e acabada, transforma-se e modifica-se ao longo do tempo, acompanhando o momento emergente, as situações vividas pelo grupo, a evolução das pessoas.
As pessoas evoluem pela soma de suas experiências e das experiências acumuladas pelo grupo social. Em constante crescimento interior, cada pessoa é diferente das outras porque vivem experiências únicas ao longo de sua trajetória de vida. Ao ser colocada diante de novas situações, procura encontrar respostas em seu conhecimento acumulado ou no conhecimento acumulado de outras pessoas, estejam encarnadas ou desencarnadas.
Exercitar a mediunidade é buscar e encontrar respostas para as questões das pessoas e da sociedade, através da comparação dos referenciais de valores, idéias e sentimentos do polissistema material e do polissistema espiritual, úteis para a evolução da pessoa e do
grupo.
Quando uma pessoa elabora um produto mediúnico está procurando, limitada pela prontidão do grupo cultural, evidenciar questões e/ou respostas novas para situações do social. Portanto, o seu produto é, antes de tudo, um produto cultural, com conceitos universais, alternativos, especialistas e individuais, e caracterizado por uma forma, com um significado e com uma função. Mediunidade é instrumento que auxilia cada pessoa na construção do novo, através do rompimento de seus limites, ampliando a visão de si mesmo, dos outros, da natureza, de Deus. Mediunidade é expressão de identidade, é sintonia e troca de experiência. Mediunidade é interação entre os polissistemas material e espiritual.
Texto extraído do site da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) – www.sbee.org.br
CENTRO ESPÍRITASERVOS DO SENHOR
http://ceservosdosenhor.blogspot.com
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