sábado, 31 de março de 2012

KARDEC E NAPOLEÃO


Logo após o 18 Brumário, (09 de novembro de 1799), quando Napoleão se fizera Primeiro-Cônsul da República Francesa, reuniu-se, na noite de 31 de dezembro de 1799, no coração da latinidade, nas Esferas Superiores, grande assembléia de Espíritos sábios e benevolentes, para marcarem a entrada significativa do novo século.
Antigas personalidades de Roma imperial, pontífices e guerreiros das Gálias, figuras notáveis da Espanha, ali se congregavam à espera do expressivo acontecimento.
Legiões dos Césares, com os seus estandartes, falanges de batalhadores do mundo gaulês e grupos de pioneiros da evolução hispânica, associados a múltiplos representantes das Américas, guardavam linhas simbólicas de posição de destaque.
Mas não somente os latinos se faziam representar no grande conclave. Gregos ilustres, lembrando as confabulações da Acrópole gloriosa, israelitas famosos, recordando o Templo de Jerusalém, deputações eslavas e germânicas, grandes vultos da Inglaterra, sábios chineses, filósofos hindus, teólogos budistas, sacrificadores das divindades olímpicas, renomados sacerdotes da Igreja Romana e continuares de Maomet ali se mostravam como em vasta convocação de forças da ciência e da cultura da Humanidade.
No concerto das brilhantes delegações que ali formavam, com toda a sua fulguração representativa, surgiam Espíritos de velhos batalhadores do progresso que voltariam à liça carnal ou que a seguiriam, de perto, para o combate à ignorância e à miséria, na laboriosa preparação da nova era da fraternidade e da luz.
No deslumbrante espetáculo da Espiritualidade Superior, com a refulgência de suas almas, achavam-se Sócrates, Platão, Aristóteles, Apolônio de Tiana, Orígenes, Hipócrates, Agostinho, Fénelon, Giordano Bruno, Tomás de Aquino, S. Luís de França, Vicente de Paulo, Joana D'Arc, Tereza D'Avila, Catarina de Siena, Bossuet, Spinoza, Erasmo, Mílton, Cristóvão Colombo, Gutemberg, Galileu, Pascal, Swedenborg e Dante Aliguieri, para mencionar apenas alguns heróis e paladinos da renovação terrestre; e, em plano menos brilhante, encontravam-se no recinto maravilhoso, trabalhadores de ordem inferior, incluindo muito dos ilustres guilhotinados da Revolução, quais Luís XVI, Marie Antoinette,
 Robespierre, Danton, Madame Roland, André Chenier, Bailly, Camille Desmoulins, e grandes vultos como Voltaire e Rousseau. 
Depois da palavra rápida de alguns orientadores eminentes, invisíveis clarins soaram na direção do plano carnal, e, em breves instantes, do seio da noite, que velava o corpo ciclópico do mundo europeu, emergiu, sob a custódia de esclarecidos mensageiros, reduzido cortejo de sombras, que pareciam estranhas e vacilantes, confrontadas com as feéricas irradiações do palácio festivo.
Era um grupo de almas, ainda encarnadas, que, constrangidas pela Organização Celeste, remontavam à vida espiritual, para a reafirmação de compromissos.
À frente, vinha Napoleão, que centralizou o interesse de todos os circunstantes. Era bem o grande corso, com os seus trajes habituais e com o seu chapéu característico.
Recebido por diversas figuras da Roma antiga, que se apressavam em oferecer-lhe apoio e auxílio, o vencedor de Rivoli ocupou radiosa poltrona que, de antemão, lhe fora preparada.
Entre aqueles que o seguiam, na singular excursão, encontravam-se respeitáveis autoridades reencarnadas no Planeta, como Beethoven, Ampère, Fúlton, Faraday, Goethe, João Dálton, Pestalozzi, Pio VII, além de muitos outros campeões da prosperidade e da independência do mundo.
Acanhados no veículo espiritual que os prendia à carne terrestre, quase todos os recém vindos, banhavam-se em lágrimas de alegria e emoção.
O Primeiro-Cônsul da França, porém, trazia os olhos enxutos, não obstante a extrema palidez que lhe cobria a face. Recebendo o louvor de várias legiões, limitava-se a responder com acenos discretos, quando os clarins ressoaram, de modo diverso, como se se pusessem a voar para os cimos, no rumo do imenso infinito...
Imediatamente uma estrada de luz, à maneira de ponte levadiça, projetou-se do Céu, ligando-se ao castelo prodigioso, dando passagem a inúmeras estrelas resplendentes.
Em alcançando o solo delicado, contudo, esses astros se transformavam em seres humanos, nimbados de claridade celestial.
Dentre todos, no entanto, um deles avultava em superioridade e beleza. Tiara rutilante brilhava-lhe na cabeça, como que a aureolar-lhe de bênçãos o olhar magnânimo, cheio de atração e doçura. Na destra, guardava um cetro dourado, a recamar-se de sublimes cintilações.
Musicistas invisíveis, através dos zéfitos que passavam apressados, prorromperam num cântico de hosanas, sem palavras articuladas.
A multidão mostrou profunda reverência, ajoelhando-se muitos dos sábios e guerreiros, artistas e pensadores, enquanto todos os pendões dos vexilários arriavam, silenciosos, em sinal de respeito.
Foi então que o grande corso se pôs em lágrimas e, levantando-se, avançou com dificuldade, na direção do mensageiro que trazia o báculo de ouro, postando-se, genuflexo, diante dele.
O celeste emissário, sorrindo com naturalidade, ergueu-o, de pronto, e procurava abraçá-lo, quando o Céu pareceu abrir-se diante de todos, e uma voz enérgica e doce, forte como a ventania e veludosa como a ignorada melodia da fonte, exclamou para Napoleão, que parecia eletrizado de pavor e júbilo, ao mesmo tempo:
- Irmão e Amigo ouve a Verdade, que te fala em meu espírito! Eis-te à frente do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento...
César ontem, e hoje orientador, rende o culto de tua veneração, ante o pontífice da luz! Renova, perante o Evangelho, o compromisso de auxiliar-lhe a obra renascente!...
Aqui se congregam conosco lidadores de todas as épocas. Patriotas de Roma e das Gálias, generais e soldados que te acompanharam nos conflitos da Farsália, de Tapso e de Munda, remanescentes das batalhas de gergóvia e de Alésia aqui te surpreendem com simpatia e expectação... Antigamente, no trono absoluto, pretendias-te descendente dos deuses para dominar a Terra e aniquilar os inimigos... Agora, porém, o supremo Senhor concedeu-te por berço uma ilha perdida no mar, para que não te esqueças da pequenez humana e determinou voltasses ao coração do povo que outrora humilhaste e escarneceste, a fim de que lhe garantas a missão gigantesca, junto da Humanidade, no século que vamos iniciar..."
...Cânticos de alegria e esperança anunciaram nos céus a chegada do século XIX e, enquanto o Espírito da Verdade, seguido por várias coortes resplandecentes, voltava para o alto, a inolvidável assembléia se dissolvia.
O apóstolo que seria 
Allan Kardec, sustentando Napoleão nos braços, aconchegou-o de encontro ao peito e acompanhou-o, bondosamente, até religá-lo ao corpo de carne, no próprio leito.
...Em 3 de outubro de 1804, o mensageiro da renovação renascia num abençoado lar de Lião, mas o Primeiro-Cônsul da República Francesa, assim que se viu desembaraçado da influência benéfica e protetora do Espírito de Allan Kardec e de seus cooperadores, que retomavam, pouco a pouco, a integração com a carne. confiantes e otimistas, engalanou-se com a púrpura do mando e, embriagado de poder, proclamou-se Imperador, em 18 de maio de 1804, ordenando a Pio VII viesse coroá-lo em Paris. 
Napoleão, contudo, convertendo celestes concessões em aventuras sanguinolentas, foi apressadamente situado, por determinação do Alto, na solidão curativa de Santa Helena, onde esperou a morte, enquanto Allan kardec, apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era espírita-cristã, que, gradativamente, será considerada em todos os quadrantes do orbe como a sublime renascença da luz para o mundo inteiro. (Cartas e Crônicas, 28, Irmão X, F. C. Xavier, edição FEB)


Allan Kardec

HIPPOLYTE LÉON-DENIZARD RIVAIL (ALLAN KARDEC) - Allan Kardec nasceu Hippolyte Léon-Denizard Rivail, em 03 de Outubro de 1804 em Lyon, França, no seio de uma antiga família de magistrados e advogados. Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdum, Suíça, tornou-se um de seus discípulos mais eminentes.
Foi membro de várias sociedades sábias, entre as quais a Academie Royale d'Arras. De 1835 à 1840, fundou em seu domicílio cursos gratuitos, onde ensinava química, física, anatomia comparada, astronomia, etc.
Dentre suas inúmeras obras de educação, podemos citar: "Plano proposto para a melhoria da instrução pública" (1828); "Curso prático e teórico de aritmética (Segundo o método de Pestalozzi)", para uso dos professores primários e mães de família (1829); "Gramática Francesa Clássica" (1831); "Programa de cursos usuais de química, física, astronomia, fisiologia"(LYCÉE POLYMATIQUE); "Ditado normal dos exames da Prefeitura e da Sorbonne", acompanhado de "Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849).
Por volta de 1855, desde que duvidou das manifestações dos Espíritos, Allan Kardec entregou-se a observações perseverantes sobre esse fenômeno, e, se empenhou principalmente em deduzir-lhe as conseqüências filosóficas.
Nele entreviu, desde o início, o princípio de novas leis naturais; as que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível; reconheceu na ação deste último uma das forças da Natureza, cujo conhecimento deveria lançar luz sobre uma multidão de problemas reputados insolúveis, e compreendeu-lhe a importância do ponto de vista religioso.
As suas principais obras espíritas são: "O Livro dos Espíritos", para a parte filosófica, e cuja primeira edição surgiu em 18 de Abril de 1857; "O Livro dos Médiuns", para a parte experimental e científica (Janeiro de 1861); "O Evangelho Segundo o Espiritismo", para a parte moral (Abril de 1864); "O Céu e o Inferno", ou "A Justiça de Deus segundo o Espiritismo" (Agosto de 1865); "A Gênese, os Milagres e as Predições (Janeiro de 1868); "A Revista Espírita", jornal de estudos psicológicos.
Allan Kardec fundou em Paris, a 1º de Abril de 1858, a primeira Sociedade Espírita regularmente constituída, sob o nome de "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas".
Casado com Amélie Gabrielle Boudet, não teve filhos.
Trabalhador infatigável, desencarnou no dia 31 de março de 1869, em Paris, da maneira como sempre viveu: trabalhando. ("Obras Póstumas", Biografia de Allan Kardec, edição IDE)

Manipulações entre a alegoria e o fato


Entre o mito e a história

Da mesma forma que lemos fábulas com inserções de histórias reais, também lemos na história e nos fatos reais, idéias, opiniões e interpretações inseridas segundo a personalidade daquele que copia ou traduz um texto ou uma obra.
As inserções às vezes, acontecem inocentemente com a intenção de embelezar um texto, acrescentando belas palavras que modificam a idéia do autor ou uma realidade histórica.
Além das traduções e cópias encharcadas de idéias e interpretações oriundas de tendências religiosas ou políticas, quando não são por outros interesses, devemos levar em conta que os escritos antigos, sejam históricos , religiosos, mitos, etc., foram feitos por homens que viveram em épocas diferentes, lugares diversos e que possuíam também seus pensamentos religiosos e tendências políticas e múltiplos requisitos pessoais.
Além disso com referencia às obras religiosas, lembramos que tais escritos, trazem textos emblemáticos, com ensinamentos secretos, cujo conteúdo real somente é percebido por poucos que se dediquem à busca das verdades espirituais.
Referindo-nos agora ao novo testamento, deixados por quatro seguidores de Jesus e talvez mais, sabemos que o próprio Jesus nada deixou escrito e que seus apóstolos só escreveram à seu respeito muitos anos depois de sua morte. Acrescentando ainda que todos aqueles predicados, intenções, dúvidas, etc que aludimos à respeito dos escritores antigos, também possuíam os apóstolos de Jesus.
O que esperam os cristãos encontrar nos Evangelhos?
Que verdades estarão nos versículos deixados pelos apóstolos?
Uma única verdade pode transparecer da segunda revelação: Os ensinos morais vividos por Jesus, que não podem ser modificados por nenhum tradutor ou copista, que somente idéias sectaristas ou interesses materiais podem tentar deturpar, enganando apenas os que não tenham olhos de ver e ouvidos de ouvir. A verdade é única e transparece vitoriosa sobre todos os frangalhos restantes das mentiras que se faça à seu respeito.



Octavio B. Silveira
Rio de Janeio, 16 de março de 2012.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Logomarca da Copa do Mundo 2014



O que você acha dessa teoria? 



Assunto em questão: Logomarca da Copa do mundo em 2014, no Brasil! 


Observadores atentaram para a imagem que lembra a figura do médium Chico Xavier psicografando.



As mãos pintadas de preto seriam o cabelo ralo de Chico e a parte em rosa seria a mão do médium sobre o rosto – na ação costumeira quando, sempre que psicografava, baixava um pouco a cabeça e colocava a mão sobre a testa e os olhos.








Vale lembrar que Emmanuel, guia de Chico Xavier, havia lhe revelado que ele morreria no dia em que todos os brasileiros estivessem felizes.



O médium desencarnou aos 92 anos, em 30 de junho de 2002, dia em que o Brasil inteiro comemorava a conquista do Penta Campeonato da Copa do Mundo de Futebol.






Alguns pensamentos de Chico Xavier




"O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros.”


“Nenhuma atividade no bem é insignificante... As mais altas árvores são oriundas de minúsculas sementes. A repercussão da prática do bem é inimaginável... Para servir a Deus, ninguém necessita sair do seu próprio lugar ou reivindicar condições diferentes daquelas que possui."


“O desespero é uma doença. E um povo desesperado, lesado por dificuldades enormes, pode enlouquecer, como qualquer indivíduo. Ele pode perder o seu próprio discernimento. Isso é lamentável, mas pode-se dizer que tudo decorre da ausência de educação, principalmente de formação religiosa.”


“Sem Deus no coração, as futuras gerações colocarão em risco a Vida no planeta. Por maior seja o avanço tecnológico da Humanidade, impossível que o homem viva em paz sem que a idéia de Deus o inspire em suas decisões.”


“Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar... As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito.”


“Graças a Deus, não me lembro de ter revidado a menor ofensa das inúmeras que sofri, certamente objetivando, todas elas, o meu aprendizado, e não me recordo de que tenha, conscientemente, magoado a quem quer que fosse...”


“Tudo que criamos para nós, de que não temos necessidade, se transforma em angústia, em depressão...”


“Abençoemos aqueles que se preocupam conosco, que nos amam, que nos atendem as necessidades... Valorizemos o amigo que nos socorre, que se interessa por nós, que nos escreve, que nos telefona para saber como estamos indo... A amizade é uma dádiva de Deus ... Mais tarde, haveremos de sentir falta daqueles que não nos deixam experimentar solidão!”

Único modelo



Filhos, lutai contra os pensamentos infelizes que vos criam hábitos perniciosos. 

A viciação mental escraviza o espírito nas ações em que encontra comparsas, visíveis e invisíveis, para que se consumam. 

Todo hábito é adquirido. Não acrediteis na força determinante da hereditariedade, como ser capaz de transferir para o corpo o que é responsabilidade da alma. 

Não vos acostumeis ao mal, para que o mal não se acostume a vos utilizar como instrumentos de sua propagação no mundo. 

O espírito vive na órbita de seus próprios pensamentos e respira na atmosfera de seus anseios mais íntimos. 

Que a vossa vida oculta seja como a vida que viveis para que os homens vos vejam. 

Não acalenteis ideias enfermiças, porquanto toda ideia ardentemente acalentada tende a concretizar-se. 

A dificuldade de se viver com retidão está no fato de não se procurar preencher os espaços vazios da alma com objetivos enobrecedores. 

Quem se habitua à escuridão da caverna sente-se enceguecido com a luz que brilha lá fora... 

Que a disciplina espiritual, oriunda do cumprimento do dever, vos possibilite a subjugação do corpo. 

Os prazeres efêmeros a que aspirais, quando passam, deixam sequelas de longa duração nos mecanismos da alma. 

Quantas vezes o remorso, agindo do inconsciente, aniquila o veículo que possibilitou ao espírito os terríveis equívocos cometidos? 

Enfermidades de etiologia obscura, tumorações malignas, súbitas alterações cardiovasculares, disfunções de certos órgãos vitais ou queda da resistência imunológica, oportunizando o aparecimento de graves infecções, podem ser desencadeadas por um processo de autofagia moral, em que o ser pretende libertar-se da vestimenta física em que se corrompe, esquecido de que a causa de todos os seus males e aflições reside em sua própria essência. 

Filhos, fora do corpo, o espírito prossegue vivendo de acordo com as suas inclinações e tendências. A morte em si não transforma ninguém. Se desejais mudança substancial adotai Jesus como o Único Modelo de vossas vidas! 



Por: Bezerra de Menezes 
Livro: A Coragem da Fé 
Psicografia: Carlos Bacelli

quinta-feira, 22 de março de 2012

A Gênese - Allan Kardec



Em 22 de março de 1882, o livro "A Gênese", de Allan Kardec, é editado pela primeira vez em língua portuguesa.



O livro A Gênese, de Allan Kardec, fecha o ciclo do Pentateuco Espírita. O 4 primeiros foram: O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864) e O Céu e Inferno (1865).

A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868) contém estudos sobre o Caráter da Revelação Espírita, a Existência de Deus, o Papel da Ciência na Gênese, os Milagres, as Predições etc.

Neste livro, Allan Kardec procurou fazer uma ligação mais direta entre os dois elementos ou duas forças que regem o Universo: o elemento espiritual e o elemento material, mais precisamente Espírito e Matéria. Desprezando um deles, temos dificuldade de apreender a realidade na sua totalidade, pois esses dois elementos constituem, juntamente, com Deus, a Trindade Universal.

Tomemos um exemplo: os milagres. O Espiritismo não faz milagres. Allan Kardec explica que os milagres, ou seja, um ato do poder divino contrário às Leis da Natureza, conhecidas tem sua explicação na revelação de novas leis ainda não conhecidas. Esses fenômenos prendem-se à existência de Espíritos e à intervenção deles no mundo material.

domingo, 18 de março de 2012

O Código da Música Popular Brasileira



Pesquisadores, escritores e cientistas têm-nos revelado nos últimos anos, abordagens interessantes e diferenciadas de textos e obras de arte que até então eram vistas pelo grande público de forma quase homogênea. Dentro desse contexto tivemos publicados o código da Bíblia, o de Leonardo Da Vinci, o de Michelangelo e mais alguns outros. Esses estudiosos mostram em suas pesquisas o outro lado da moeda que passou desapercebido aos mortais comuns, mas que talvez tenha sido o objeto da revelação deixada por seus inspirados autores e que tinham mesmo a missão de trazer à Terra, por vias diríamos insuspeitas, grandes revelações do mundo espiritual. Falo assim porque não acredito que a mensagem espiritual que desce do alto tenha que ter como único veiculo somente homens e mulheres engajados especificamente no trabalho religioso ortodoxo. Garimpeiros da estesia, os artistas “profanos”, rotulados como possuidores de uma obra considerada laica, certamente têm acesso aos planos superiores; desde que seus méritos pessoais o permitam, e se tenham predispostos a isso, podem ser missionários na seara onde militam. 

Como sou assíduo ouvinte de musica popular brasileira, tive a minha atenção despertada para certas canções cujas letras pareciam nos dizer algo mais do que estava explícito em sua poesia e musicalidade. Veio-me então a pergunta: será que também não temos um código da “Musica Popular Brasileira”? Será que o conteúdo dessas músicas consideradas profanas também não possui uma mensagem espiritual? Vamos focalizar somente pequenos trechos e algumas dessas obras, deixando para o leitor a tarefa de apreciá-las em sua integridade. 

Quem ouve “Se eu Quiser Falar com Deus” gravada pela Elis e pelo autor Gilberto Gil, não pode deixar de se emocionar pela maneira com que a prece é descrita e também como deve ser conduzida em seu conteúdo e em sua formulação. O autor nos ensina que para falar com Deus “tenho que ficar a sós”, Jesus nos ensina a nos retirarmos para o nosso “quarto de guardados” ou seja, para nossa intimidade mais secreta. Continua a letra, “tenho que calar a voz”, eis uma observação bastante oportuna para muitos espíritas que fazem da prece uma tribuna onde a conversa pessoal com Deus fica para segundo plano. A oração se transforma então em uma melopéia demagógica, costurada com frases de efeito, eivadas de uma pregação moralista disfarçada, endereçada aos ouvintes que em sua maioria não estão ligados a estas preces intermináveis (conheço um cidadão que gasta em média 15 a 20 minutos em cada prece que faz, uma no início e outra no final da reunião). Continua Gil, “tenho que encontrar a paz, tenho que folgar os nós dos sapatos, da gravata...”, “se eu quiser falar com Deus tenho que aceitar a dor...”, quantos de nós vivemos revoltados com as dificuldades naturais da vida e com isso agravamos as provas pelas quais temos que passar esquecendo-nos que são necessárias ao nosso aprimoramento. Ao final escreveu Gil, “se eu quiser falar com Deus tenho que dizer adeus, dar as costas, caminhar, decidido pela estrada que ao findar vai dar em nada... nada... do que eu pensava encontrar”. Foi isso mesmo que Jesus disse ao jovem “deixa tudo que tens e segue-me”. Que Deus é este que buscamos em desabalada carreira, nos templos, nos centros, nos altares e nas promessas vãs que fazemos de nos mudarmos no futuro, mas atados ao passado? Esquecemo-nos que Ele está ao nosso lado esperando, entretanto nós não conseguimos encontrá-lo.

Mas se pensamos que Gil disse tudo com todas essas palavras vamos nos surpreender com Renato Teixeira que em “Romaria”, aquela que diz “Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida...” lembram? Pois bem, Renato consegue uma síntese de sublime beleza ao final dessa poesia quando diz: “Como eu não sei rezar Só queria mostrar Meu olhar, meu olhar, meu olhar...”. Mas ainda é o mesmo Renato Teixeira que na canção “Raízes”, gravada em 1992, nos fala das “Vibrações da nova hora” e que“Amanhecer é uma lição do universo Que nos ensina Que é preciso renascer”, só o ser humano é que não aprendeu esta lição. 

A música “Encontros e Despedidas” hoje na mídia por causa da novela, é de autoria de Milton Nascimento e Fernando Brant e foi gravada pelo Milton em 1985. Sua letra nos fala logo de início “Mande notícias do mundo de lá”, e faz uma perfeita analogia entre “a vida se repete na estação” e “a plataforma desta estação é a vida desse meu lugar”assim os autores descrevem o processo dinâmico da evolução através do fenômeno da vida e da morte (a vida se repete) num continuum incessante usando (o processo) como plataforma (no sentido simbólico de base de sustentação) a vida e complementam que pela vida todos os dias “tem gente que chega pra ficar” - espíritos que reencarnam, “tem gente que vai pra nunca mais” - espíritos que desencarnam. Falam também da estreita relação entre os dois mundos, dizendo “tem gente que veio só olhar” referem-se por certo aos espíritos que conosco vivem e nos acompanham vigiando-nos, uns só olhando, outros chorando, outros sorrindo “tem gente a sorrir e a chorar”. “São só dois lados da mesma viagem”, ou seja, vida e morte, chegada e partida, são os dois aspectos de uma só realidade que podemos sintetizar como a evolução da individualidade ou do princípio inteligente se assim preferirmos entender.

Beto Guedes e Ronaldo Bastos em “Amor de Índio”, afirmam “Tudo que move é sagrado”, independentemente de serem orgânicos ou inorgânicos, racionais ou irracionais, a qualidade que parece nos apontar a presença de um rudimento ou da mônada intelectiva em tudo o que nos rodeia é o movimento, assim nos lembra a poesia que a vida se manifestando em todos os seres partícipes da obra de Deus os torna sagrados e como tal devem ser tratados. “E remove as montanhas com todo cuidado”, Jesus nos fala em seu Evangelho das montanhas, óbices que temos de remover através esforço individual, mas devemos fazê-lo com muito cuidado, através de nosso trabalho tal como “Abelha fazendo o mel vale o tempo que não voou” e “A massa que faz o pão Vale a luz do teu suor”. Interessantíssimo o verso a seguir que diz “Lembrar que o sono é sagrado E alimenta de horizontes o tempo acordado de viver”, será que os autores referem-se ao ensinamento que os espíritos sempre nos deram no sentido de que ao dormirmos podemos renovar no mundo espiritual nossos propósitos mais elevados de vida? Na canção “O Sal da Terra” escreveram os mesmos autores, “Tempo, quero viver mais duzentos anos quero não ferir meu semelhante Nem por isso devo me ferir”, como viver mais duzentos anos? Numa vida só? Muito se fala em não se magoar o próximo, mas isto só é possível se aprendermos a nos respeitar; “Um mais um é sempre mais que dois”, péssima matemática, mas perfeita lembrança da promessa de Jesus que nos ensinava que onde dois se reunirem em seu nome Ele estará entre eles e mais “Pra melhor juntar as nossas forças É só repartir melhor o pão Recriar o paraíso agora Para merecer quem vem depois” todos nós sabemos que o paraíso que pretendemos habitar do outro lado é resultado daquele paraíso que criarmos agora.

Em Salvador no dia 14 de Junho de 1976, o espírito Amélia Rodrigues escreve pelas mãos do médium Divaldo Pereira Franco uma mensagem que se encerra assim: “Após meditar longamente no sempre jovem poema da Boa Nova, reunimos estas narrações com que desejamos homenagear os que esperam passar este inverno e esta noite na certeza de que tudo mudará quando voltar a primavera... Jesus prossegue sendo a eterna primavera por que todos anelamos”.

Em 1978 Beto Guedes e Ronaldo Bastos lançam a música “Sol de Primavera” que diz “Quando entrar setembro E a boa nova andar nos campos” a canção continua falando do “sol de Primavera” que brotará nos campos de colheita de uma humanidade que tiver plantado a boa nova e termina nos lembrando “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”.

Dedico este trabalho à figura do músico e letrista Elomar, menestrel e violeiro desconhecido do grande público por força da antropofágica mídia, mas que apesar disso vem durante décadas a fio compondo e cantando loas em louvor à magnificência da obra de Deus.

Obs: Os trechos entre aspas referem-se aos títulos e transcrições das letras e os negritos são meus.   

Edson Rodrigues Pereira



(Artigo publicado originalmente na Revista Intenacional de Espiritismo, Ano LXXX no 2, Março de 2005 e reproduzido com autorização do autor)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mais se pedirá - Joanna de Ângelis


Aceitaste o compromisso grave de servir na Seara da Luz.
Quando rogaste a oportunidade, sabias dos desafios e das dificuldades que surgiriam pela frente.
Animado pelo espírito de entusiasmo e de fé, pensaste que o enfrentamento se faria rico de amor e coragem, confiante no auxílio superior.
É certo que os propósitos acalentados receberam apoio conveniente e deferimento.
Compreendendo a magnitude da tarefa, planejaste a entrega total da existência, sabendo do severo contributo que deverias oferecer.
Empreendimento de tal significado - auto-iluminação e libertação de consciências - reveste-se de gravidade maior do que aparenta.
Não é fácil o trabalho de lapidação interior, de libertação das paixões inferiores, de sintonia com os ideais enobrecedores.
Vinculado ao processo evolutivo, o ser avança atado às próprias experiências, necessitando de superação das deficiências pessoais.
Em razão disso, não foram regateados procedimentos preparatórios para a tua reencarnação, de forma que pudesses atravessar airosamente os dias difíceis, as jornadas com os pés descalçados caminhando sobre urze e pedrouços, vencer as horas amaríssimas de solidão e de provas...
Assim, começaste a tarefa com o coração pulsante de alegria e a alma fascinada pelo ideal.
A pouco e pouco chegaram os testemunhos rudes, as incompreensões e as batalhas ininterruptas.
A oração e o trabalho fortaleceram-te, e os momentos mais tormentosos cederam lugar à serenidade do sentimento e à harmonia íntima.
A atividade, no entanto, prossegue.
***
Pediste saúde, a fim de entregar-te à faina do Bem, e não te foram negados os tesouros orgânicos.
Rogaste inspiração para avançares com segurança, e Mensageiros da Luz acercaram-se de ti, conduzindo a tua mente e teus passos.
Suplicaste por recursos materiais, de forma que fosse possível o atendimento à dor, à penúria, à orfandade. E amigos queridos mais bem aquinhoados acercaram-te de ti, oferecendo cooperação moral e material indispensável à desincumbência do labor.
Insististe nos apelos de ampliação dos serviços pelo caminho, e o Senhor enviou missionários da caridade para seguirem contigo, enquanto aumentaram os necessitados do corpo, da emoção e da alma.
Aguardaste o alvará superior para libertar-te das celas interiores em que te aprimoraste. Ele chegou-te em forma de alegria e de bem-estar, sem as constrições fortes da soletude nem de amargura.
Quando o organismo cambaleou, preparando-se para encerrar a vilegiatura carnal, pediste mais prazo, e foi-te concedida moratória para a continuidade do serviço.
Faze agora uma profunda reflexão entre o que recebeste e o que ofertaste.
***
Muito se pedirá àquele a quem muito foi dado - disse com sabedoria Jesus.
Aproveita o festival primaveril das horas para repartires luz e bênçãos.
Há dores voluptuosas espiando-te, e pedindo-te ajuda aos gritos e em silêncio.
Multiplica-se o número dos sem teto, sem pão, sem trabalho, sem paz...
Faze mais por eles, os teus irmãos em penúria, em aflição.
Acende luzes de esperança, mitiga a sede de paz, nutre almas e corpos com amor, ajuda sem cansaço e sem cessar.
O dia da libertação está sempre mais próximo e o tempo urge.
Transforma pedras em pães, educação em luz.
A noite agora se torna mais densa.
Sê tu aquele que acende estrelas de caridade no firmamento plúmbeo.
Quem muito recebe, será sempre convocado a repartir em abundância, a fim de ganhar o salário da paz.
Não adies, pois, a decisão de mais servir e mais amar ao teu próximo em nome de Jesus a Quem amas e que muito te ama.


(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, em 05.05.1999, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador-BA.)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Um pouco de poesia


Hoje dia 14 de março é comemorado o Dia Nacional da Poesia. Poetas de ontem na existência terrena e hoje no Plano Espiritual, continuam mais inspirados do que nunca, continuam eles à nos ofertar com a riqueza de seus pensamentos em prol da Luz e da Paz, em beleza, fé e esperança.

Afirma-nos León Denis, na obra “O Espiritismo da Arte”: “a poesia está em toda parte onde a colocamos. Ela não se exprime somente pelo verso; ela pode impregnar todas as formas da linguagem escrita ou falada, todos os aspectos da arte. A poesia é a expressão da beleza propagada em todo o Universo. É o ardor comunicativo da alma que compreendeu, alcançado o sentido profundo das coisas, a lei das supremas harmonias e que busca penetrá-la em outras almas, pelos meios que lhe são próprios.”


SILÊNCIO DOS ANJOS 


Psiu... Faz um pouco de silêncio 

Uma alma perdida agora dorme. 

Almas perdidas às vezes acham 

... Aqui... 

Se acham, às vezes almas perdidas 

Que quando dormem, 

(se conseguem) 

Não mais acordam, são encontradas 

Nas correntes de orações, 

Rezadas 

Para almas esquecidas que dormem. 

Psiu... 

Faz agora mais um pouco de silêncio 

Porque sinto: sono apressado chega 

Não há tempo de colocar meu pijama 

Que tem estrelas e anjos 

Pintados em roxo claro. 

Oremos. 



Carlos Drummond de Andrade (espírito) 

Recebido mediunicamente por Arael Magnus, 

No Celest- Centro espírita Luz na Estrada- Sabará _MG 

Em 15 de Novembro de 2009 







ALMAS IMPLUMES 

Da volta (sem revolta) sinto roçar a brisa 

Velejo na aurora, 

Estendida mão amiga 

No clamor de uma profunda contrição 

O meu verso a areia morna, fofa, alisa 

Ouvido ao rebento da cantiga, 

Tão antiga 

Do consolar desvelado, inundante emoção. 



Ó lírios, por que agora pálidos se calam 

Se de meu passado, dos tropeços tanto falam 

Com feliz santo amor, 

Demoníaca intimidade 

Em veludosas disputas de especial afeição? 



Talvez por serem filhos de uma estrela 

Da penumbra que entorpece a quem vê-la 

Que distante nem se sente tão amada. 

Talvez por serem as mesmas frias cinzas 

Voláteis, 

Novos ares bravios singram 

Da simulada ternura de fugaz felicidade. 



Meus reviventes monstros estão contidos 

Os medos vãos, todos, descomprimidos 

Como pupilas abertas ao sol, drogadas, 

No cantar teima perene a vida emergente 

Da onda, espuma ofertante, 

Ninho e abrigo 

Brindando velhos sedentos céus ressentidos. 

E bailando assim, 

Num mar de luz, contente 

A quem se aventurar em se alongar comigo 

Nas pinças perfumando frases embriagadas... 

Ao amor tudo avoca, 

Por direção convergente. 



Ó, como busco as tão queridas róseas congruências 

Nas dobras incompletas de pueris inconsequências 

Nos pavilhões permissos de barcos de lembranças 

E encontro-me no porto dos poetas, 

Arteira, cheirosa 

Em etéreas combinadas surpresas, brincadeiras, 

Pulando a festejar, 

Nas nuvens, com as crianças. 



Pulsa... Pulsa? Pulsa sôfrego dentro do peito 

Um sentimento espremido, 

De amor incorreto 

De querer sem bons modos, de tudo e todos. 

Egoísmo virginal, nascido ideal, 

Mas inconcreto 

Que nada possuiu, mas de si mesma se entrega 

Inteira, total. Navegar solta, livre, alga passiva. 

Inconsonante, intangível, 

Doce possível vigília... 

Da luz que brilha, alumiando a orla, 

E não cega 

Do que era e foi, sem isso negar, possessiva, 

Ficou assim, 

Sem nós, 

Com dós, 

Os pós, Cecília. 



Cecília Meireles – (espírito) 

Recebida em sessão pública no dia 8 de Novembro de 2009 pelo médium Arael Magnus, no Celest- Castanheiras- Sabará – MG 








sexta-feira, 9 de março de 2012

Animais e mediunidade



Os irracionais não possuem faculdades mediúnicas propriamente ditas. (Emmanuel)

A alma dorme na pedra, sonha na planta, move-se no animal e desperta no homem. (Leon Denis)

Para começar, devemos entender e aceitar que os animais têm alma, sim. Não na acepção da alma humana, mas uma alma em formação, que poderíamos chamar de embrionária, para melhor compreensão.

Os animais também pensam. Não como pensam os humanos, mas de uma forma rudimentar, básica, em consonância com seu potencial evolutivo, de acordo com o que já pode obter em termos evolutivos, tanto em parâmetros físicos quanto em parâmetros espirituais.

Desta maneira, pode-se compreender mais facilmente que eles também têm algum grau de sentimento, mas mais uma vez dentro de potenciais que guardam em sua evolução filogenética, quer dizer, de forma muito menos elaborada que um ser humano habitualmente guarda em si.

Nós podemos notar, observando e estudando a vida animal, que existe uma série de comportamentos entre nossos irmãos animais que já são verdadeiras projeções de nossas atitudes, algo que ainda está no nascedouro das possibilidades que eles guardam consigo.

Quanto à mediunidade propriamente dita, o próprio Kardec reservou uma parte de O Livro dos Médiuns para entendê-la na vida animal. Assim fizeram, também, Leon Denis, Gabriel Delanne e Cairbar Schutel, por exemplo.

De O Livro dos Médiuns, podemos ler: "É certo que os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o terror súbito que eles denotam, sem que lhe percebais a causa, é determinada pela visão de um ou de muitos Espíritos, mal intencionados com relação aos indivíduos presentes, ou com relação aos donos dos animais."

Se entendemos que mediunidade é uma forma de percepção da vida espiritual, não podemos deixar de notar que os animais a têm. Mas têm por conta de suas potencialidades orgânicas e não por conta de serem efetivamente médiuns.

A capacidade auditiva de certos animais é, por exemplo, muito mais ampla do que a nossa. Podem ouvir sons que sequer podemos perceber. Nem por isso, tornam-se médiuns.

O mesmo se dá no campo da visão. Alguns animais vêm, percebem coisas que não teríamos a mínima possibilidade de alcançar com nossa limitada capacidade visual. Mas, ainda assim, não são considerados médiuns videntes.

São características peculiares a eles.

A natureza provê desta forma por necessidades específicas de cada espécie animal, em função das necessidades que têm para a manutenção da vida.

Mas não se pode compreender que estas habilidades naturais sejam equivalentes à mediunidade.

Não se concebe a manifestação de um Espírito através de um animal. Seja ele da espécie que for.

Os Espíritos podem até mesmo influenciá-los. Mas não encontram em seu aparelho orgânico qualquer possibilidade para uma manifestação mediúnica.

Não há qualquer lógica em se afirmar que animais são médiuns na acepção da palavra compreendida na forma de raciocínios, lógica e compreensão como temos os humanos.

Eles têm percepções diferentes das nossas, sem qualquer dúvida.

Percebem a vida espiritual, sem qualquer questionamento.

Mas por questões de ordem tão natural quanto o nosso potencial mediúnico. E ainda mais: tão variável quanto o é para nós, momento a momento, dia a dia, de tempos em tempos.

São tão instáveis quanto nós podemos ser.

Mas não são médiuns.


Militão Pacheco.

O Espiritismo e a Mulher





Encontram-se, em ambos os sexos, excelentes médiuns; é à mulher, entretanto, que parecem outorgadas as mais belas faculdades psíquicas. Daí o eminente papel que lhe está reservado na difusão do novo Espiritualismo.

Malgrado às imperfeições inerentes a toda criatura humana, não pode a mulher, para quem a estuda imparcialmente, deixar de ser objeto de surpresa e algumas vezes de admiração. Não é unicamente em seus traços pessoais que se realizam, em a Natureza e na Arte, os tipos da beleza, da piedade e da caridade; no que se refere aos poderes íntimos, à intuição e adivinhação, sempre foi ela superior ao homem. Entre as filhas de Eva é que obteve a antiguidade as suas célebres videntes e sibilas. Esses maravilhosos poderes, esses dons do Alto, a Igreja entendeu, na Idade Média, aviltar e suprimir, mediante os processos instaurados por feitiçaria. Hoje encontram eles sua aplicação, porque é sobretudo por intermédio da mulher que se afirma a comunhão com a vida invisível.

Mais uma vez se revela a mulher em sua sublime função de mediadora que o é em toda a Natureza. Dela provém a vida; e ela a própria fonte desta, a regeneradora da raça humana, que não subsiste e se renova senão por seu amor e seus ternos cuidados. E essa função preponderante que desempenha no domínio da vida, ainda a vem preencher no domínio da morte. Mas nós sabemos que a morte e a vida são uma, ou antes, são as duas formas alternadas, os dois aspectos contínuos da existência.

Mediadora também é a mulher no domínio das crenças. Sempre serviu de intermediária entre a nova fé que surge e a fé antiga que definha e vai desaparecendo. Foi o seu papel no passado, nos primeiros tempos do Cristianismo, e ainda o é na época presente.

O Catolicismo não compreendeu a mulher, a quem tanto devia. Seus monges e padres, vivendo no celibato, longe da família, não poderiam apreciar o poder e o encanto desse delicado ser, em quem enxergavam antes um perigo.

A antiguidade pagã teve sobre nós a superioridade de conhecer e cultivar a alma feminina. Suas faculdades se expandiam livremente nos mistérios. Sacerdotisa nos tempos védicos, ao altar doméstico, intimamente associada, no Egito, na Grécia, na Gália, às cerimônias do culto, por toda a parte era a mulher objeto de uma iniciação, de um ensino especial, que dela faziam um ser quase divino, a fada protetora, o gênio do lar, a custódia das fontes da vida. A essa compreensão do papel que a mulher desempenha, nela personificando a Natureza, com suas profundas intuições, suas percepções sutis, suas adivinhações misteriosas, é que foi devida a beleza, a força, a grandeza épica das raças grega e céltica.

Porque, tal seja a mulher, tal é o filho, tal será o homem. É a mulher que, desde o berço, modela a alma das gerações. É ela que faz os heróis, os poetas, os artistas, cujos feitos e obras fulguram através dos séculos. Até aos sete anos o filho permanecia no gineceu sob a direção materna. E sabe-se o que foram as mães gregas, romanas e gaulesas. Para desempenhar, porém, tão sagrada missão educativa, era necessária a iniciação no grande mistério da vida e do destino, o conhecimento da lei das preexistências e das reencarnações; porque só essa lei dá à vida do ser, que vai desabrochar sob a égide materna, sua significação tão bela e tão comovedora.

Essa benéfica influência da mulher iniciada, que irradiava sobre o mundo antigo como uma doce claridade, foi destruída pela lenda bíblica da queda original.

Segundo as Escrituras, a mulher é responsável pela proscrição do homem; ela perde Adão e, com ele, toda a Humanidade; atraiçoa Sansão. Uma passagem do Eclesiastes a declara “uma coisa mais amarga que a morte”. O casamento mesmo parece um mal: “Que os que têm esposas sejam como se não as tivessem” – exclama Paulo.

Nesse ponto, como em tantos outros, a tradição e o espírito judaico prevaleceram, na Igreja, sobre modo de entender do Cristo, que foi sempre benévolo, compassivo, afetuoso para com a mulher. Em todas as circunstâncias a escuda ele com sua proteção; dirige-lhe suas mais tocantes parábolas. Estende-lhe sempre a mão, mesmo quando decaída. Por isso as mulheres reconhecidas lhe formam uma espécie de cortejo; muitas o acompanharão até a morte.

A situação da mulher, na civilização contemporânea, é difícil, não raro dolorosa. Nem sempre a mulher tem para si os usos e as leis; mil perigos a cercam, se ela fraqueja, se sucumbe, raramente se lhe estende mão amiga. A corrupção dos costumes fez da mulher a vítima do século. A miséria, as lágrimas, a prostituição, o suicídio – tal é a sorte de grande número de pobres criaturas em nossas sociedades opulentas.

Uma reação, porém, já se vai operando. Sob a denominação de feminismo, um certo movimento se acentua legítimo em seu princípio, exagerado, entretanto, em seus intuitos; porque ao lado de justas reivindicações, enuncia propósitos que fariam da mulher, não mais mulher, mas cópia, paródia do homem. O movimento feminista desconhece o verdadeiro papel da mulher e tende a transviá-la do destino que lhe está natural e normalmente traçado. O homem e a mulher nasceram para funções diferentes, mas complementares. No ponto de vista da ação social, são equivalentes e inseparáveis.

O moderno Espiritualismo, graças às suas práticas e doutrinas, todas de ideal, de amor, de equidade, encara a questão de modo diverso e resolve-a sem esforço e sem estardalhaço. Restitui a mulher seu verdadeiro lugar na família e na obra social, indicando-lhe a sublime função que lhe cabe desempenhar na educação e no adiantamento da Humanidade. Faz mais, reintegra-a em sua missão de mediadora predestinada, verdadeiro traço de união que liga as sociedades da Terra às do Espaço.

A grande sensibilidade da mulher a constitui o médium por excelência, capaz de exprimir, de traduzir os pensamentos, as emoções, os sofrimentos das almas, os altos ensinos dos Espíritos celestes. Na aplicação de suas faculdades encontra ela profundas alegrias e uma fonte viva de consolações. A feição religiosa do Espiritismo a atrai e lhe satisfaz as aspirações do coração, as necessidades de ternura, que estendem, para além do túmulo, aos entes desaparecidos. O perigo para ela, como para o homem, está no orgulho dos poderes adquiridos, na suscetibilidade exagerada. O ciúme, suscitando rivalidades entre médiuns, torna-se muitas vezes motivo de desagregação para os grupos.

Daí a necessidade de desenvolver na mulher, ao mesmo tempo que os poderes intuitivos, suas admiráveis qualidades morais, o esquecimento de si mesma, o júbilo do sacrifício, numa palavra, o sentimento dos deveres e das responsabilidades inerentes à sua missão mediatriz.

O Materialismo, não ponderando senão o nosso organismo físico, faz da mulher um ser inferior por sua fraqueza e a impele à sensualidade. Ao seu contato, essa flor de poesia verga ao peso das influências degradantes, se deprime e envilece. Privada de sua função mediadora, de sua imaculada auréola, tornada escrava dos sentidos, não é mais um ser instintivo, impulsivo, exposto às sugestões dos apetites mórbidos. O respeito mútuo, as sólidas virtudes domésticas desaparecem; a discórdia e o adultério se introduzem no lar; a família se dissolve, a felicidade se aniquila. Uma nova geração, desiludida e céptica, surge do seio de uma sociedade em decadência.

Com o Espiritualismo, porém, ergue de novo a mulher a inspirada fronte; vem associar-se intimamente à obra de harmonia social, ao movimento geral das idéias. O corpo não é mais que uma forma tomada por empréstimo; a essência da vida é o espírito, e nesse ponto de vista o homem e a mulher são favorecidos por igual. Assim, o moderno Espiritualismo restabelece o mesmo critério dos Celtas, nossos pais; firma a igualdade dos sexos sobre a identidade da natureza psíquica e o caráter imperecível do ser humano, e a ambos assegura posição idêntica nas agremiações de estudo.

Pelo Espiritismo se subtrai a mulher ao vértice dos sentidos e ascende à vida superior. Sua alma se ilumina de clarão mais puro; seu coração se torna o foco irradiador de ternos sentimentos e nobilíssimas paixões. Ela reassume no lar a encantadora missão que lhe pertence, feita de dedicação e piedade, seu importante e divino papel de mãe, de irmã e educadora, sua nobre e doce função persuasiva.

Cessa, desde então, a luta entre os dois sexos. As duas metades da Humanidade se aliam e equilibram no amor, para cooperarem juntas no plano providencial, nas obras da Divina Inteligência.




                                                                                                                           Léon Denis

quarta-feira, 7 de março de 2012

Algumas datas importantes para o Espiritismo em março





01/ 1944 -  Fundação do Jornal o Semeador


01/ 1923 -  Desencarna Rui Barbosa, jurista, escritor, parlamentar e jornalista dos mais conceituados da história do Brasil, que realizava sessões Espíritas em sua casa e possuía as obras de Allan Kardec expostas em sua biblioteca - Petrópolis, RJ.


09/ 1979 -  Desencarne de José Herculano Pires - Em Avaré, SP


16/ 1943 -  Deolindo Amorim inicia as aulas das Faculdades Brasileiras de Estudos Psíquicos, mais tarde substituídas pelo Instituto de Cultura Espírita do Brasil - Rio de Janeiro, RJ.


22/ 1882  - A Gênese, de Allan Kardec, é editada em língua portuguesa pela primeira vez.


27/ 1947  - Primeira Oratória Espírita de Divaldo Franco - Em Aracaju, SE.


27/ 1921 -  Fundação da Federação Espírita do Espírito Santo - Em Vitória, ES.


31/ 1870 -  Inauguração do Cemitério de Père-Lanchaise, Paris.


31/ 1869 -  Desencarna Allan Kardec, vítima de aneurisma cerebral - Em Paris, França.


31/ 1968 -  Instalada oficialmente, a AMESP - Associação Médico Espírita do Estado de São Paulo.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Programação - Mês Março - Desenvolvimento

DIA
LIVRO
ASSUNTO


03
VIDA FELIZ
LIVRO DOS ESPÍRITOS
LIÇÃO 39
508/521 – ANJOS GUARDIÕES (CONT.)
05,11
VIDA FELIZ
LIVRO DOS MÉDIUNS
LIÇÃO 40
234/236 – DA MED. DOS ANIMAIS
12,17
VIDA FELIZ
O ESPÍRITO DA VERDADE
LIÇÃO 41
54 – QUE BUSCAIS?
19,24
VIDA FELIZ
LIVRO DOS ESPÍRITOS
LIÇÃO 42
522/524 – PRESSENTIMENTO
26,31
VIDA FELIZ
LIVRO DOS MÉDIUNS
LIÇÃO 43
237/241 – DA OBSESSÃO

quinta-feira, 1 de março de 2012

Frutos da gentileza




Você já experimentou os frutos da gentileza? No mundo em que vivemos, em que as pessoas parecem armadas umas contra as outras, em que saem às ruas medrosas, nem sempre os gestos de gentileza se fazem presentes, embora estejam se multiplicando.
Conta-se que um empregado de um frigorífico, na Noruega, certo dia, ao término do trabalho, foi inspecionar a câmara frigorífica. Inexplicavelmente, a porta se fechou e ele ficou preso dentro dela.
Bastaram alguns segundos para sentir a temperatura com seu peso absoluto. Situação indescritível. Congelamento rápido. Chocante. A temperatura em torno de dez graus abaixo de zero foi mais do que sentida em graus. Ela tinha um peso físico e comprimia fisicamente.
O funcionário bateu na porta com força, gritou por socorro mas ninguém o ouviu. Todos já haviam saído para suas casas. Impossível que alguém o pudesse escutar.
O tempo foi passando. Debilitado com o frio insuportável, ele já se preparava para morrer.Que morte tola! - Pensava ele. Prisioneiro em uma câmara frigorífica.
Imagens da família, dos amigos passaram-lhe pela memória. O que podia ter feito e não fez. O que não deveria ter feito e agora se arrependia.
Depois de gritar, de recordar, ele se rendeu. Nada mais a esperar senão a morte. Terrível, por congelamento. O frio parecia lhe quebrar os ossos, congelar o sangue nas veias. Dolorido. Penoso.
Então, de repente, a porta se abriu. O vigia da empresa entrou na câmara e o resgatou, ainda com vida.
Depois de salvar a vida do homem, houve quem tivesse a curiosidade de saber por que ele fora abrir a porta da câmara frigorífica, desde que isso não fazia parte da sua rotina de trabalho.
Ele explicou, de forma simples: Trabalho nesta empresa há trinta e cinco anos. Centenas de empregados entram e saem daqui todos os dias. Ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã.
E se despede de mim ao sair. Hoje pela manhã, ele disse quando chegou: "Bom dia". Entretanto, não se despediu de mim, na hora da saída.
Aguardei um tempo pois pensei que ele tivesse se detido em fazer algum trabalho extra. Contudo, como os minutos fossem se somando, de forma rápida, deduzi que algo estava errado.
Fui procurar por ele. A câmara frigorífica foi um local que me acudiu à mente pudesse ele estar. Foi assim que o encontrei.
 *   *
Como se vê, a gentileza deixa marcas especiais nas criaturas.
Um gesto repetido todo dia, simples e que, ao demais, deveria ser nossa marca registrada de boas maneiras, salvou a vida de um homem.
Aquele homem era diferente de todos os demais. Ele fazia a diferença na vida do vigia que ficava ali, horas e horas, em seu posto de guarda.
Isso nos diz que o bem sempre faz bem a quem o pratica. Pode ter um retorno rápido, como no fato narrado. Pode ser algo que somente o tempo demonstrará.
O importante a se registrar é que a pessoa gentil cria ao seu redor um halo de tal simpatia, que contagia os demais.
Não esqueçamos disso e promovamos a gentileza em nossa vida.
Existem pequenos, simples gestos que dizem muito da nossa formação moral e interferem, positivamente, em muitas vidas.
Por isso, cumprimentemos as pessoas e incorporemos ao nosso vocabulário frases importantes, como: Desculpe-me. Olá, como vai? Obrigado. Por favor.
Palavras simples. Palavras mágicas para criar ambiente de harmonia, nos locais mais diversos.
Experimentemos!
 Redação do Momento Espírita, com base em notícia internacional.
Em 07.02.2012.