quarta-feira, 14 de março de 2012

Um pouco de poesia


Hoje dia 14 de março é comemorado o Dia Nacional da Poesia. Poetas de ontem na existência terrena e hoje no Plano Espiritual, continuam mais inspirados do que nunca, continuam eles à nos ofertar com a riqueza de seus pensamentos em prol da Luz e da Paz, em beleza, fé e esperança.

Afirma-nos León Denis, na obra “O Espiritismo da Arte”: “a poesia está em toda parte onde a colocamos. Ela não se exprime somente pelo verso; ela pode impregnar todas as formas da linguagem escrita ou falada, todos os aspectos da arte. A poesia é a expressão da beleza propagada em todo o Universo. É o ardor comunicativo da alma que compreendeu, alcançado o sentido profundo das coisas, a lei das supremas harmonias e que busca penetrá-la em outras almas, pelos meios que lhe são próprios.”


SILÊNCIO DOS ANJOS 


Psiu... Faz um pouco de silêncio 

Uma alma perdida agora dorme. 

Almas perdidas às vezes acham 

... Aqui... 

Se acham, às vezes almas perdidas 

Que quando dormem, 

(se conseguem) 

Não mais acordam, são encontradas 

Nas correntes de orações, 

Rezadas 

Para almas esquecidas que dormem. 

Psiu... 

Faz agora mais um pouco de silêncio 

Porque sinto: sono apressado chega 

Não há tempo de colocar meu pijama 

Que tem estrelas e anjos 

Pintados em roxo claro. 

Oremos. 



Carlos Drummond de Andrade (espírito) 

Recebido mediunicamente por Arael Magnus, 

No Celest- Centro espírita Luz na Estrada- Sabará _MG 

Em 15 de Novembro de 2009 







ALMAS IMPLUMES 

Da volta (sem revolta) sinto roçar a brisa 

Velejo na aurora, 

Estendida mão amiga 

No clamor de uma profunda contrição 

O meu verso a areia morna, fofa, alisa 

Ouvido ao rebento da cantiga, 

Tão antiga 

Do consolar desvelado, inundante emoção. 



Ó lírios, por que agora pálidos se calam 

Se de meu passado, dos tropeços tanto falam 

Com feliz santo amor, 

Demoníaca intimidade 

Em veludosas disputas de especial afeição? 



Talvez por serem filhos de uma estrela 

Da penumbra que entorpece a quem vê-la 

Que distante nem se sente tão amada. 

Talvez por serem as mesmas frias cinzas 

Voláteis, 

Novos ares bravios singram 

Da simulada ternura de fugaz felicidade. 



Meus reviventes monstros estão contidos 

Os medos vãos, todos, descomprimidos 

Como pupilas abertas ao sol, drogadas, 

No cantar teima perene a vida emergente 

Da onda, espuma ofertante, 

Ninho e abrigo 

Brindando velhos sedentos céus ressentidos. 

E bailando assim, 

Num mar de luz, contente 

A quem se aventurar em se alongar comigo 

Nas pinças perfumando frases embriagadas... 

Ao amor tudo avoca, 

Por direção convergente. 



Ó, como busco as tão queridas róseas congruências 

Nas dobras incompletas de pueris inconsequências 

Nos pavilhões permissos de barcos de lembranças 

E encontro-me no porto dos poetas, 

Arteira, cheirosa 

Em etéreas combinadas surpresas, brincadeiras, 

Pulando a festejar, 

Nas nuvens, com as crianças. 



Pulsa... Pulsa? Pulsa sôfrego dentro do peito 

Um sentimento espremido, 

De amor incorreto 

De querer sem bons modos, de tudo e todos. 

Egoísmo virginal, nascido ideal, 

Mas inconcreto 

Que nada possuiu, mas de si mesma se entrega 

Inteira, total. Navegar solta, livre, alga passiva. 

Inconsonante, intangível, 

Doce possível vigília... 

Da luz que brilha, alumiando a orla, 

E não cega 

Do que era e foi, sem isso negar, possessiva, 

Ficou assim, 

Sem nós, 

Com dós, 

Os pós, Cecília. 



Cecília Meireles – (espírito) 

Recebida em sessão pública no dia 8 de Novembro de 2009 pelo médium Arael Magnus, no Celest- Castanheiras- Sabará – MG 








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