Hoje dia 14 de
março é comemorado o Dia Nacional da Poesia. Poetas de ontem na existência
terrena e hoje no Plano Espiritual, continuam mais inspirados do que nunca,
continuam eles à nos ofertar com a riqueza de seus pensamentos em prol da Luz e
da Paz, em beleza, fé e esperança.
Afirma-nos León Denis, na obra “O Espiritismo da Arte”: “a poesia está em toda parte onde a colocamos. Ela não se exprime somente pelo verso; ela pode impregnar todas as formas da linguagem escrita ou falada, todos os aspectos da arte. A poesia é a expressão da beleza propagada em todo o Universo. É o ardor comunicativo da alma que compreendeu, alcançado o sentido profundo das coisas, a lei das supremas harmonias e que busca penetrá-la em outras almas, pelos meios que lhe são próprios.”
Psiu... Faz um pouco de silêncio
Uma alma perdida agora dorme.
Almas perdidas às vezes acham
... Aqui...
Se acham, às vezes almas perdidas
Que quando dormem,
(se conseguem)
Não mais acordam, são encontradas
Nas correntes de orações,
Rezadas
Para almas esquecidas que dormem.
Psiu...
Faz agora mais um pouco de silêncio
Porque sinto: sono apressado chega
Não há tempo de colocar meu pijama
Que tem estrelas e anjos
Pintados em roxo claro.
Oremos.
Carlos Drummond de Andrade (espírito)
Recebido mediunicamente por Arael Magnus,
No Celest- Centro espírita Luz na Estrada- Sabará _MG
Em 15 de Novembro de 2009
ALMAS IMPLUMES
Da volta (sem revolta) sinto roçar a brisa
Velejo na aurora,
Estendida mão amiga
No clamor de uma profunda contrição
O meu verso a areia morna, fofa, alisa
Ouvido ao rebento da cantiga,
Tão antiga
Do consolar desvelado, inundante emoção.
Ó lírios, por que agora pálidos se calam
Se de meu passado, dos tropeços tanto falam
Com feliz santo amor,
Demoníaca intimidade
Em veludosas disputas de especial afeição?
Talvez por serem filhos de uma estrela
Da penumbra que entorpece a quem vê-la
Que distante nem se sente tão amada.
Talvez por serem as mesmas frias cinzas
Voláteis,
Novos ares bravios singram
Da simulada ternura de fugaz felicidade.
Meus reviventes monstros estão contidos
Os medos vãos, todos, descomprimidos
Como pupilas abertas ao sol, drogadas,
No cantar teima perene a vida emergente
Da onda, espuma ofertante,
Ninho e abrigo
Brindando velhos sedentos céus ressentidos.
E bailando assim,
Num mar de luz, contente
A quem se aventurar em se alongar comigo
Nas pinças perfumando frases embriagadas...
Ao amor tudo avoca,
Por direção convergente.
Ó, como busco as tão queridas róseas congruências
Nas dobras incompletas de pueris inconsequências
Nos pavilhões permissos de barcos de lembranças
E encontro-me no porto dos poetas,
Arteira, cheirosa
Em etéreas combinadas surpresas, brincadeiras,
Pulando a festejar,
Nas nuvens, com as crianças.
Pulsa... Pulsa? Pulsa sôfrego dentro do peito
Um sentimento espremido,
De amor incorreto
De querer sem bons modos, de tudo e todos.
Egoísmo virginal, nascido ideal,
Mas inconcreto
Que nada possuiu, mas de si mesma se entrega
Inteira, total. Navegar solta, livre, alga passiva.
Inconsonante, intangível,
Doce possível vigília...
Da luz que brilha, alumiando a orla,
E não cega
Do que era e foi, sem isso negar, possessiva,
Ficou assim,
Sem nós,
Com dós,
Os pós, Cecília.
Cecília Meireles – (espírito)
Recebida em sessão pública no dia 8 de Novembro de 2009 pelo médium Arael Magnus, no Celest- Castanheiras- Sabará – MG
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